Ethan Narrando
Eu nunca imaginei que a gente fosse se reencontrar assim. Na sala do apartamento de um estanho, com a barriga crescendo debaixo da blusa larga e os olhos me olhando como se não soubessem se me odiavam ou me amavam. E, sinceramente, eu sentia o mesmo.
Toquei a barriga dela com cuidado, tentando entender como é que a minha vida tinha mudado tanto, e sem que eu soubesse.
— Me fala sobre eles — pedi, com a voz mais baixa do que o normal. — Eu quero saber tudo.
Ela começou a me contar, e na viagem que ela passou mal, já estava grávida e não sabia, e eu nem suspeitei.
Gêmeos. Dois. Duas vidas que nasceram de uma noite nossa, e ela viveu tudo isso sem mim. Doeu. Mas eu não podia me apegar a isso agora. Só importava que eu tava ali, e que ainda dava tempo de fazer as coisas direito.
— Espera um pouco — ela disse, levantando.
Voltou com uma pasta Rosa nas mãos e sentou ao meu lado. Quando abriu e começou a me mostrar os exames, as imagens das ultrassons, os relatórios médicos, eu só conseguia pensar que aqueles pequenos registros já eram o início da nossa história juntos. A nossa família.
— São pequenos ainda, mas tão fortes — ela falou, com um brilho nos olhos.
Eu não consegui responder. Só fiquei encarando aquelas imagens com o coração apertado e os olhos marejando.
— Quem tava me seguindo, Ethan?
— Um investigador. Eu precisava te achar, Sophie. Você sumiu. E quando descobri a verdade, que você tava esperando um filho — eu vim o mais rápido que pude.
Ela ficou me olhando. E eu vi nos olhos dela que ainda havia sentimento ali. Mágoa, claro. Mas também amor.
— Sophie, eu te amo — falei, firme. — Me dá a chance de cuidar de vocês. De fazer parte disso. Sei que errei, mas eu tô aqui agora. E não vou mais embora.
Ela suspirou, os olhos cheios d’água.
— Você me quebrou, Ethan…
— E eu quero te ajudar a se reconstruir. Juntos. Me dá essa nova chance.
Ficamos em silêncio por alguns segundos. Eu toquei a barriga dela de novo, dessa vez com mais calma. Acariciei devagar, como se aquilo fosse a coisa mais preciosa que já segurei na vida.
Ela me olhou, e nesse olhar tinha algo novo. Talvez esperança. E pela primeira vez em meses, eu também senti isso. Esperança. E amor. Muito amor.
Me aproximei, escorregando pelo Sofá e Ela não recuou.
Meu coração disparou quando me aproximei mais, com o olhar fixo nos olhos dela. Ainda havia tanta coisa não dita entre nós, tantas mágoas, tantas palavras engolidas, mas naquele momento, nada parecia mais importante do que a presença dela. Tão perto. Tão minha.
Inclinei o rosto e toquei seus lábios devagar, sentindo a respiração dela prender no instante em que nossos mundos colidiram de novo. O beijo começou suave, mas logo se tornou intenso, urgente. Era saudade, era desejo, era amor represado demais.
Passei os braços ao redor da cintura dela e a ergui do chão como se fosse leve feito uma pluma.
— Onde é o quarto? — murmurei, a boca colada no pescoço dela.
— Primeira porta à esquerda — respondeu num sussurro rouco, os braços envolvendo meu pescoço, as pernas apertando minha cintura com delicadeza.
Atravessei o corredor sentindo o perfume dela me embriagar. Cada passo era uma promessa de reencontro, de reconciliação, de um novo começo.
Empurrei a porta com o ombro, entrei e a fechei com o pé. A deitei na cama com o cuidado de quem deposita algo sagrado num altar. Me ajoelhei diante dela por um segundo, só pra olhar. Ela é a coisa mais linda que eu já tinha visto. E agora, carregava a vida que criamos.
Sophie me puxou com um sorriso que misturava emoção e desejo. Nossos corpos se encaixaram como se nunca tivessem se afastado.
Deslizei os dedos pela curva da barriga dela, com um carinho que me surpreendeu. Beijei sua pele com reverência. Ela estremeceu sob meu toque e fechou os olhos, como se estivesse se rendendo ao que ainda sentíamos. Cada carícia era lenta, dedicada, como se eu quisesse redescobrir cada pedacinho dela.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Uma nova chance para o Ceo
Cadê os capítulos???...