Lara
A manhã começou como qualquer outra desde que fui forçada a essa prisão de luxo. Eu não tinha saído do quarto desde a noite anterior, quando Khaled tentou me convencer a aceitar meu destino. Como se fosse simples. Como se eu pudesse aceitar ser vendida como um objeto e enjaulada em uma gaiola de ouro.
O barulho de saltos no mármore ecoou no corredor, e segundos depois, uma batida na porta anunciou a chegada de alguém.
— Entre — disse, sem muito entusiasmo.
A porta se abriu, e uma mulher alta, de aparência impecável, entrou. Ela era deslumbrante. Cabelos negros presos em um coque elegante, maquiagem discreta que ressaltava seus traços refinados, e um vestido ajustado que exalava sofisticação. Ela parecia pertencer a esse mundo de riqueza e poder sem esforço algum.
— Senhorita Lara, é um prazer conhecê-la. Meu nome é Amira, e fui designada para ser sua assistente pessoal.
Assistente pessoal? Eu soltei um riso baixo e sarcástico.
— Então agora eu também tenho uma assistente?
— Sim. E minha primeira tarefa é levá-la para comprar roupas adequadas para a sua nova vida.
Minha expressão fechou.
— Eu não preciso de roupas novas.
Ela sorriu educadamente, ignorando minha resposta.
— Além disso, hoje à tarde você conhecerá seu professor de etiqueta. Suas aulas serão diárias, e ele a ajudará a se adaptar à cultura e às expectativas do casamento.
— Eu não vou a aula nenhuma!
Ela manteve a postura elegante e paciente.
— Compreendo sua relutância, mas estas são instruções diretas do senhor Khaled. No entanto, tenho certeza de que podemos tornar isso mais agradável para você.
Eu queria mandá-la embora. Mas, conforme o silêncio se alongava, uma ideia surgiu.
Essa poderia ser minha chance de sair dessa casa. Mesmo que fosse apenas por algumas horas. Eu não tinha permissão para fugir, mas talvez, lá fora, eu encontrasse uma oportunidade.
Respirei fundo.
— Tudo bem — disse, fingindo indiferença. — Vamos às compras.
O shopping era diferente de tudo o que eu já tinha visto. Não era apenas um centro comercial, era um verdadeiro palácio de consumo. Lojas de grifes famosas, vitrines brilhantes, tapetes luxuosos nos corredores. Homens e mulheres bem-vestidos andavam por ali como se fosse um desfile de moda.
Amira me guiou com segurança até a primeira loja. Era um espaço amplo, com ar-condicionado perfumado, tecidos caros pendurados em araras douradas e atendentes que nos receberam com sorrisos ensaiados.
— Vamos começar pelos vestidos — disse Amira, pegando um longo tecido de seda bordada.
Eu olhei para os preços. Minha boca quase caiu. Com o valor de um único vestido, uma família inteira poderia viver confortavelmente por um ano.
— Isso é ridículo — murmurei.
— O dinheiro não é um problema — ela respondeu, entregando mais peças para uma atendente. — Escolha o que quiser.
Eu nunca tive essa liberdade antes. Meu pai nunca me permitiu escolher minhas próprias roupas. A ideia de poder pegar qualquer coisa, sem limitações, era tentadora.
Toquei um vestido dourado, sentindo a suavidade da seda entre meus dedos. Então, algo despertou dentro de mim. Se Khaled queria me transformar na esposa perfeita, então eu usaria isso contra ele. Se ele queria que eu me vestisse como uma rainha, então eu seria uma rainha.
— Eu quero esse — disse, pegando outro vestido de veludo azul-marinho.
Amira sorriu.
— Ótima escolha.
A tarde seguiu assim. Sapatos, bolsas, joias. Gastamos uma fortuna sem hesitação. Eu nunca tive esse tipo de luxo na vida, e, por mais que odiasse o motivo pelo qual estava ali, eu não podia negar que, por um momento, senti prazer ao ver meu reflexo no espelho.
Quando as compras foram finalizadas, voltamos para a casa de Khaled, e minha próxima provação começou.
Eu esperava que fosse algo simples, mas ao entrar na sala preparada para as aulas, percebi que estava errada.
O ambiente parecia um salão de palácio. Havia uma mesa de jantar impecavelmente arrumada, cadeiras estofadas, uma pilha de livros sobre cultura e comportamento, e, no centro da sala, um homem alto e severo me aguardava.
— Senhorita Lara — ele cumprimentou com um leve aceno de cabeça. — Meu nome é Yusuf, e serei seu professor de etiqueta.
Cruzei os braços.
— E o que exatamente eu preciso aprender?



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