Jairo
Eu sou um dos homens de confiança do Zayd. Pelo menos, é assim que eles me veem. Mas confiança não paga contas, não compra status e não garante futuro. Aqui em Dubai, quem não sobe… desaparece.
Eu quero crescer. Quero dinheiro de verdade, influência de verdade. Só que até agora ninguém me promoveu. Sempre a mesma promessa vazia, o mesmo tapinha nas costas. E enquanto isso, outros passam na frente.
Quando Leila e as amigas vieram com o plano envolvendo Adir, eu entendi na hora o jogo. Não era só sobre derrubar alguém — era sobre reposicionar poder. Se uma delas virasse a mulher dominante ao lado dele, muita coisa mudaria. Inclusive para mim.
Aqui ninguém é santo. Todo mundo quer algo em troca.
O produto que ela me entregou era forte. Forte demais. Algo importado, caro, difícil de rastrear. Uma dose mal calculada e o homem dorme por horas. Talvez mais. Cheguei a sentir um peso estranho na consciência, porque o Adir sempre foi um líder correto, equilibrado. Mas liderança também é escolha — e às vezes ele escolheu fortalecer as pessoas erradas.
A promoção do Amir foi o estopim.
Não foi mérito. Não foi estratégia. Foi proximidade. Todo mundo sabe. O homem falhou feio em responsabilidades importantes e, ainda assim, subiu. E eu? Continuei no mesmo lugar, observando, calado, engolindo a injustiça.
Aqui, silêncio não é virtude. É sentença.
Aproveitei o momento certo e procurei o gerente geral, pedindo uma conversa reservada. Ele me analisou em silêncio, desconfiado. Eu já tinha informações suficientes sobre um desvio financeiro acontecendo nos bastidores — algo pequeno, contínuo, quase invisível. Guardei aquilo até agora porque informação é moeda, e eu sabia quando gastar.
Contei tudo.
Disse quem era, como fazia, quanto sumia e por quê. Falei que, se agíssemos rápido, o prejuízo cessaria e a imagem de controle seria restaurada. O rosto dele mudou na hora. Vaidade inflada. Sensação de poder.
— Por que você não trouxe isso antes? — ele perguntou, irritado. — Justo hoje, com o evento acontecendo, com todo mundo reunido?
Eu mantive a calma.


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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Vendida ao Sheik
O valor das moedas na hora de realizar o pagamento não condiz com o valor descrito na compra...