Khandra
Eu não planejava ir ao evento naquela noite.
Meu corpo ainda carregava o cansaço de dias difíceis, reuniões com advogados, idas e vindas de um processo que parecia nunca acabar. O nome de Zayd ainda existia nos papéis da minha vida, mesmo que ele não existisse mais no meu coração. Ainda assim, decidi ir. Talvez fosse orgulho. Talvez fosse intuição. Talvez fosse medo de parecer fraca.
Deixei Omar com a babá e me permiti um tempo diante do espelho. Um vestido preto, simples, elegante. Nada que gritasse poder — mas tudo que lembrasse quem eu era. Não uma esposa. Não uma viúva. Não uma mulher descartável. Apenas Khandra.
Cheguei ao evento caminhando com calma, observando os detalhes. Luzes douradas, música suave, homens influentes conversando como se controlassem o mundo com um gesto de mão. Pashir ainda não estava ali. Ou talvez estivesse em outro espaço do salão. Não procurei.
Foi quando senti.
A presença.
Olhei para o lado e vi Maisha.
Ela estava parada, com as mãos apoiadas levemente sobre o ventre ainda discreto. Bonita. Jovem. Segura de si. O tipo de mulher que sabe exatamente o peso que carrega — não só no corpo, mas no discurso.
Tentei passar direto.
Erro meu.
— Khandra, precisamos conversar — ela disse, se colocando à minha frente.
Respirei fundo.
— Não temos nada para conversar — respondi, mantendo a voz firme. — Qualquer assunto relacionado ao seu filho deve ser tratado com Pashir.
Ela sorriu. Um sorriso calculado.
— É justamente por isso que precisamos conversar.
Cruzei os braços.
— Seja breve.
Ela deu um passo mais perto.
— Você sabe muito bem que, na nossa cultura, uma mulher grávida não pode ser deixada sem proteção. Sem nome. Sem honra.
Meu maxilar travou.
— E você sabe muito bem que isso não te dá o direito de invadir a vida de alguém — respondi. — Muito menos a minha.
— Você vive com ele — ela rebateu. — Mas não é esposa. Não é oficialmente nada.
A palavra nada cortou mais do que eu esperava.
— E você acha que isso te coloca acima de mim? — perguntei.
— Eu estou esperando o primeiro filho dele — disse, com firmeza. — Isso muda tudo.
Por alguns segundos, fiquei em silêncio.
— Não muda quem ele escolheu dividir a vida — respondi. — Nem muda o fato de que esse filho será reconhecido, cuidado e respeitado.
Ela riu, um riso curto.
— Você realmente acredita que isso funciona assim aqui?
— Funciona quando há caráter — retruquei.
O olhar dela escureceu.
— Você não pode dar filhos a ele.
A frase foi dita como uma sentença.
— Você não sabe do que eu posso ou não dar — respondi, sentindo o sangue ferver. — E mesmo que eu não pudesse, isso não me torna descartável.
— Torna você um obstáculo — ela disse, sem hesitar. — Você já teve sua história com Zayd. Teve casamento, teve filhos, teve escolhas. Eu estou começando agora. E ele deveria estar comigo. Pelo meu filho.
— Você está usando uma criança como moeda — falei, sentindo a raiva subir. — Isso não é tradição. É manipulação.


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Os comentários dos leitores sobre o romance: Vendida ao Sheik
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