Pashir
Nós já estávamos atravessando o salão principal do evento quando o assistente de Adir se aproximou com urgência. O baile seguia impecável — música elegante, convidados influentes, taças de cristal circulando — mas algo claramente havia saído do controle.
— Senhor, houve um desentendimento — disse ele em tom baixo. — Envolve Khandra e Maisha.
Por alguns segundos, eu não compreendi.
Khandra estava tranquila quando conversamos mais cedo. Serena. Segura. Eu sequer sabia que ela viria ao evento naquela noite. Quanto a Maisha… eu já imaginava que aquele encontro não terminaria bem, mas não daquela forma.
Caminhei rápido na direção indicada. Quando cheguei, a segurança já havia separado as duas. Khandra ainda respirava com dificuldade, o olhar firme, a postura intacta. Maisha, por outro lado, chorava alto, chamando atenção ao redor.
Pedi que todos se afastassem.
Adir observava à distância, sério, atento. Ele não interferiu. Sabia que aquilo era meu assunto.
Olhei para Khandra. O segurança a soltou imediatamente.
— Vamos embora — falei apenas.
Mandei buscar o carro. Me despedi de Adir com um aceno breve e seguimos em silêncio até o estacionamento. Durante todo o trajeto até o veículo, Khandra não disse uma palavra. Entramos. Eu mesmo dirigi.
O silêncio dentro do carro era pesado. Não de raiva, mas de algo mais denso: expectativa.
Respirei fundo antes de falar. Eu não queria transformar aquilo em uma discussão.
— Você quer me contar o que aconteceu… ou prefere ficar em silêncio? — perguntei, com calma.
Ela respirou fundo e pediu que eu diminuísse a velocidade.
— Eu preciso que você saiba de uma coisa antes de qualquer versão que você escute — disse, olhando diretamente para mim. — Eu só reagi depois que ela me agrediu.
Continuei dirigindo, atento.
— Ela me abordou dizendo que eu estava atrapalhando a “família” dela — continuou. — Disse que eu não tinha o direito de estar ao seu lado porque não posso te dar filhos. Disse que eu deveria sair do caminho para você “fazer o que é justo”.
Fechei a mandíbula.
— E o que você respondeu? — perguntei.
— Que eu nunca impediria você de ser pai — disse. — Que seu filho será respeitado, cuidado, honrado. Mas que eu não aceitaria ser descartada como se não fosse sua esposa.
Um sorriso involuntário escapou de mim.
Ela cruzou os braços e me encarou.
— Posso saber o que foi engraçado?
— A sua postura — respondi. — Você não abaixou a cabeça. Não se explicou demais. Não implorou. Isso diz muito sobre você.
— Aquela mulher tentou me provocar — continuou. — Me chamou de egoísta, insinuou que eu estava tentando te prender. E quando eu deixei claro que não sairia da sua vida, ela perdeu o controle.
— E te bateu.
— Sim. E eu devolvi.
Soltei um leve riso, dessa vez contido.


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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Vendida ao Sheik
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