Khaled
O sol dourado de Omã refletia nas águas cristalinas do Golfo, e a brisa quente trazia consigo o aroma de especiarias dos mercados próximos. Caminhávamos lado a lado por uma das vielas do souk, onde comerciantes exibiam tecidos finos, joias artesanais e perfumes intensos. Lara parecia fascinada, os olhos brilhando a cada nova descoberta.
Ela parou em frente a uma barraca que vendia tapetes bordados à mão. Seus dedos deslizaram pela superfície macia de um deles, e ela sorriu.
— Isso aqui... — sua voz saiu baixa, quase um suspiro. — Isso aqui é o paraíso.
Observei seu rosto iluminado e o sorriso que brincava em seus lábios. Lara tinha um jeito peculiar de enxergar a beleza nas coisas. Para ela, aquele lugar era um sonho, mas para mim... era apenas mais um pedaço do mundo.
— Você vem muito aqui? — ela perguntou, virando-se para mim com curiosidade.
Neguei com a cabeça, enfiando as mãos nos bolsos da túnica.
— Eu trabalho mais do que passeio. Não tenho tempo para essas coisas.
Ela franziu a testa, claramente surpresa com minha resposta.
— Mas por que não? Quer dizer... você tem dinheiro, tem poder. Poderia viajar para qualquer lugar do mundo, conhecer cada canto do Oriente Médio, e ainda assim...
— Ainda assim, não tenho tempo. — Completei por ela.
Lara balançou a cabeça, como se tentasse entender minha vida. Mas então, sua expressão mudou. Seus lábios se apertaram levemente, e percebi que havia algo lhe incomodando.
— E as outras esposas? Você trazia elas aqui?
A pergunta me pegou desprevenido, mas não demonstrei. Continuei caminhando ao seu lado, os passos firmes e controlados.
— Algumas vezes. Mas nem todas.
Ela mordeu o lábio inferior, e eu vi a hesitação em seus olhos antes de sua próxima pergunta.
— Aquele homem... aquele que entrou no nosso casamento... é verdade o que ele disse?
Meus passos diminuíram. Não parei completamente, mas o ritmo agora era mais lento. Lara percebeu minha mudança sutil e se virou para mim, esperando uma resposta.
— Sim, é verdade.
Ela parou de andar. Seu corpo enrijeceu ao meu lado, e eu vi seus dedos se fecharem ao redor da alça da bolsa que carregava.
— Você matou sua ex-mulher.
— Foi a segunda que eu matei.
O silêncio entre nós foi quase ensurdecedor. O burburinho do mercado continuava ao nosso redor, mas para Lara, parecia que o mundo tinha parado.
— Por quê? — sua voz saiu hesitante, quase temerosa.
Dei um passo à frente, encurtando a distância entre nós.
— Porque ela me desobedeceu.
Ela piscou algumas vezes, como se não acreditasse no que tinha acabado de ouvir. Sua respiração ficou irregular, e seus olhos se arregalaram.



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