OLIVIA
— Lupita, o que você está fazendo aqui?
Ela atravessou a sala e veio até mim.
— Vim falar com você.
Eu estava realmente feliz. Sentia que as coisas estavam voltando a ser como eram.
— Antes disso, como você entrou aqui? — Perguntou meu pai.
Não entendi por que ele perguntou isso.
— Os homens me deixaram entrar. — Respondeu Lupita, confusa.
Eu também estava. Não sabia o que meu pai queria.
— Vamos, podemos conversar no salão.
— Espera, antes de vocês começarem a falar. — Meu pai novamente, agora ao telefone. Poucos minutos depois, apareceu o chefe de segurança — pelo menos era assim que chamávamos, mas ele estava longe de ser de fato o chefe, era um dos homens do meu pai.
— Como essa senhora entrou aqui? — Perguntou meu pai.
O homem pareceu confuso.
— Nós a deixamos entrar, senhor.
Como deveriam, afinal eles conheciam Lupita e não havia motivo para não a deixar entrar.
— Quem vocês informaram antes de permitir a entrada dela?
Bom, meu pai estava exagerando agora.
— Pai...
— Cale-se, Olivia. Você se machuca e machuca a todos porque confia demais os outros.
Fiquei chocada com o surto dele.
Estávamos falando da Lupita, por que ele agia assim? Ele se voltou para o segurança:
— Eu fiz uma pergunta e não vou repetir.
O homem engoliu seco. Olhei para Lupita, que parecia nervosa. Procurei Ethan e as crianças, mas já tinham sumido. Agradeci por isso — não queria que eles vissem o que meu pai estava fazendo.
— Ninguém, senhor, é que conhecemos ela e sabemos o que ela representa para a família.
Meu pai riu, como se o homem tivesse contado a piada mais engraçada do mundo.
— Quero você fora em uma hora e alguém mais competente no seu lugar.
Fiquei chocada. Ele estava reagindo como se o homem tivesse deixado um ladrão entrar. O segurança apenas concordou e saiu.
Meu pai se voltou para Lupita. Ele estava furioso, e eu estava curiosa para saber por quê. Ele a conhecia e, se ainda estava zangado pelo que ela tinha feito no passado, deveria ao menos deixá-la se desculpar antes de rejeitá-la assim.
Lupita estava começando um negócio. Eu queria que ela tivesse me contado e eu a teria ajudado. Eu devia muito a ela depois de tudo o que eu e minha família fizemos com ela. Agora meu pai a tratava como criminosa, fazendo-a se sentir ainda pior.
— Pai...
Ele levantou a mão me silenciando. Aquilo me irritou profundamente. Ele podia ter simplesmente deixado eu falar. Por que tinha que me calar como se eu fosse uma criança sem cérebro?
— Acho isso muito interessante, Lupita. Sabe por quê? — Ele se aproximou, encurtando a distância e olhando-a diretamente.
Eu podia ver o nervosismo dela, mesmo tentando não demonstrar.
— Porque esses seus “contatos”... alguns deles são homens do Xander. Tem algo a dizer sobre isso?
Meus olhos se arregalaram de choque. Eu achava que já tínhamos resolvido tudo com os homens do Xander. Por que Lupita estaria envolvida com eles?
— O que quer que eu diga? Tenho como saber quem eles são à primeira vista? Não, porque eu não pertenço a esse mundo, não vou saber só de olhar que são criminosos. E também não tenho Ethan, que pode fazer uma investigação de antecedentes em minutos. — Ela suspirou, frustrada.
Eu não sabia o que pensar naquele momento.
— Sério? Então o que está tentando me dizer é que você não sabia que os homens com quem se encontrava são do Xander? Os mesmos homens que mataram sua avó? É isso que quer me dizer?
Lupita pareceu furiosa.
— Achei que poderia voltar aqui e consertar as relações, mas você me acusa dessa merda. Estalou a língua e caminhou até a porta. Abriu-a e, antes de sair, virou-se para nós.
— Ah, e Luke, Olivia... a filha de vocês é a responsável pela morte da minha avó. O Xander só ajudou.

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