OLIVIA
Observei meu pai sufocando Lupita, e seus olhos já revirando. Eu queria ficar parada e apenas assistir até que ela desse o último suspiro. Eu tinha certeza de que ela fez o mesmo com Nick. Ela o entregou e depois assistiu aquelas pessoas o matarem como um cachorro.
Eu queria que ela sentisse o que Nick sentiu, mas não consegui.
— Pai.
— Ele não respondeu, parecia estar longe.
— Pai!
Ainda nada. Corri para o lado dele, segurei seu antebraço e o encarei. Seus olhos, vermelhos de raiva, me assustaram. Nunca tinha visto meu pai daquele jeito.
— Pai, por favor, pare. Você vai matá-la.
Ele me olhou, e a fúria crua refletida em seus olhos me deixou com medo.
— Por favor, pai, não faça isso. — Olhei para ele com súplica.
— Fazer isso não vai acabar com nada. Eles mataram Nick, nós matamos ela, quem vai ser o próximo? Não vale a pena, Nick estava certo. Por favor, solte-a.
Ele largou Lupita, que caiu no chão tossindo descontroladamente.
— Levante-se e vá embora. Obrigado por nos deixar ouvir as últimas palavras de Nick. — Ela me olhou por um momento, e então um sorriso surgiu no seu rosto. Um sorriso de deboche. Logo em seguida começou a rir alto.
— Ah, Olivia. Você adora ser vista como a boazinha, não é, princesinha? — Continuava rindo. Eu não sabia o que tinha na cabeça dela, mas havia algo muito errado.
— Por que você não fica com raiva de verdade e mostra esse seu lado feio? Por que tem que fingir o tempo todo?
Eu não achava que valia a pena responder. Hoje não era sobre Lupita, era sobre Nick e a nossa despedida.
— Podemos terminar e levar Nick para o descanso final, por favor? — Ignorei Lupita e falei com meu marido e meu pai.
— Vou chamar os homens. — Marcus saiu passando por Lupita.
Ela riu olhando para ele.
— Sabe como ele me implorou para soltá-lo? Toda a arrogância dele sumiu naquela hora. — Ela sorriu para mim. — No começo ele estava calmo, ainda arrogante. Talvez achasse que você viria resgatá-lo.
Ela deu de ombros sorrindo.
— Mas esqueceu de um detalhe: eu fazia parte do grupo e conhecia todos os seus truques. Nick me subestimou, assim como fez quando me usou para ficar ao seu lado, princesa Olivia.
Ela ria, se divertindo às nossas custas, nos fazendo sentir que falhamos com Nick.
E falhamos mesmo, porque não vimos Lupita chegando, e quando acordamos já era tarde demais.
— Quando ele percebeu que ninguém viria resgatá-lo, a arrogância desapareceu, e o que restou foi um homem fraco e patético, e isso me irritou.
— A senhora devia ter educado melhor seu filho, senhora. Se tivesse feito isso, ele não teria morrido assim. Mas não fez, e agora a culpa é toda sua.
Eu já estava cansada daquilo.
Caminhei até ela. Ela se virou para mim com aquele sorriso repulsivo e eu simplesmente não consegui me segurar. Dei um tapa tão forte que minha mão doeu.
Ela ficou atônita por alguns segundos, me olhando. Depois caiu na gargalhada. Ria tanto que segurava a barriga.
— Assim é melhor! Aí está a Olivia que eu sempre quis ver. Não a falsa boazinha que finge ser doce e recatada.
Ela continuou rindo.
— Ah, Nick, você está perdendo isso.
Eu a ignorei. Estava claro que falar com ela não adiantava.
— Vamos.
Marcus, meu pai e os homens ergueram o caixão e saíram com ele.
Fui ajudar Elodie. Lupita nos observava enquanto caminhávamos até a porta. Não sei quando ela pegou o alto-falante de novo, mas ouvimos a repetição das últimas palavras de Nick misturadas com as gargalhadas dela atrás de nós.
— Que patético! — Disse entre risadas.

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