MARCUS
Então, ela me conhecia. Como? Eu não sabia, mas a reação dela me disse que me conhecia. Aquilo tinha sido muito interessante, porque eu não sabia nada sobre eles. Permaneci ali com as mãos nos bolsos, apenas a observava, tentando notar se ela se parecia com alguém que eu conhecia ou algo assim. Mas não, não havia nada. Eu não sabia quem ela era, eu nunca a tinha visto antes.
Logo o motorista que estava me seguindo apareceu. Ele pareceu chocado quando a viu no chão.
— O que você fez! — Ele gritou, correndo até ela, chamando por ela e começando a sacudir a senhora para que ela acordasse.
— Vovó, vovó! Por favor, acorde! — Ele parecia tão ansioso para alguém que não tinha nada a perder ou que não se importava em trair o chefe.
Aquilo me pareceu interessante. Ethan havia me avisado que o homem podia estar me passando a perna ou jogando com os dois lados. De qualquer forma, eu ainda precisava dele. Eu ia dar a ele o benefício da dúvida e ver o que ele faria dali em diante e que informações entregaria.
Ele ergueu a senhora e voltou para dentro com ela. Eu os segui. Eu tinha perguntas que só ela podia responder. O filho dela nunca ia me dizer nada. Eu não queria ser pego de surpresa e só despertar quando já fosse tarde demais.
— Que porra você fez, cara? — Ele perguntou depois de deitar a senhora no sofá. Eu dei de ombros. Eu não estava ali para discutir com ele. Ele não importava para mim, mas ela importava. Eu queria que ela estivesse acordada e lúcida para responder às minhas perguntas.
— Você tem que ir embora, ninguém sabe deste lugar. Se ele voltar e encontrar você aqui, então ele vai saber que fui eu. — Ele sussurrou em tom exaltado para que a velha não ouvisse. Foi inútil. Eu tinha a sensação de que ela já tinha acordado fazia tempo.
— Claro, eu o segui até aqui e você foi burro o bastante para não me ver. Agora pare de falar e me deixe esperar a dona da casa acordar. — Ele parecia tão frustrado que não sabia o que fazer de si mesmo. Ele nem percebeu que eu tentava encobrir ele. O imbecil.
Eu me sentei em frente à senhora.
— É sério? Por que você está sentado? Você deveria ir embora, agora! — Eu ri, perguntando-me quem diabos ele achava que era para me dizer o que fazer. Quando ele viu que eu não ia embora, começou a andar de um lado para o outro.
Ele foi espiar a janela e depois voltou para nós. Ele não sabia o que fazer de si mesmo.
— Não há sentido no que você está fazendo, eu não vou sair daqui até falar com esta senhora. O seu vai e vem não vai me fazer mudar de ideia nem me tirar daqui. Eu sugiro que você pare.
Ele me lançou um olhar furioso, mas aquilo também não tinha propósito. Ele já tinha entregado o chefe, então qual era o sentido de surtar agora? A velha percebeu que eu não ia me mexer e resolveu acordar. Já era hora, na verdade, porque ela tinha despertado fazia tempo e fingia, achando que eu iria embora.
— Nós não estamos escondendo nada, então me diga. Qual Walker você conheceu e o que eles lhe fizeram para fazer seu filho nos ressentir tanto? — Ela semicerrava os olhos enquanto olhava para mim. Eu ergui uma sobrancelha e esperei a resposta.
— Eu não tenho nada para dizer a você, saia deste lugar e nunca mais volte. Fique longe do meu filho também. Nós não queremos problema. — Com quem, afinal, aqueles dois tinham se encontrado e o que essa pessoa tinha feito para deixá-los tão apavorados.
— Com quem você se encontrou? — Ela se sentou e me lançou um olhar duro. — Por que você está aqui? Se quer informações, então por que não volta e pergunta à sua família. Não há nada para você aqui e eu estou avisando você. Fique longe do meu filho ou eu vou esquecer o acordo que eu fiz e tornar tudo público.
Aquilo foi uma ameaça. Ela tinha algo contra nós. A questão verdadeira era quão grande era e quanto dano podia causar.
— Tornar pública a história de o seu filho ser um Walker não vai ajudar em nada. Isso não vai colocá-lo automaticamente na família e nem vai dar a ele uma parte das riquezas. Tudo isso é meu.
Ela deu uma risadinha, como se zombasse de mim, e eu entendi o que ela queria. Não se tratava do filho dela, e sim de outra coisa. O modo como ela riu me disse que tinha algo grande contra nós. Algo que podia me destruir.
— Tente-me, garoto, desta vez eu não vou recuar como recuei há tantos anos. Naquele tempo meu filho era apenas um bebê e eu não tinha meios de sustentar ele. Enfrentar a sua família não era uma opção, porque eles tinham o poder de me fazer sofrer. Mas agora, não. Nathan é um homem feito, e eu juro que não vou deixar o futuro dele ser arruinado por gente como você!

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