LUKE
— Não acha que já é hora de eu saber o que quer que você e Ethan estejam escondendo?
Ele ficou tenso. Estava de costas para mim. Eu vinha observando os dois havia dias, entrando e saindo de casa a qualquer hora do dia e da noite. Eu soubera muito bem que não estavam metidos em nada de negócios. Era algo muito pior, e eles escondiam, os idiotas. Eles não tinham aprendido nada com toda a merda pela qual nós passamos? Não tinham aprendido nada com a morte de Nick?
— Quer que a gente acorde quando for tarde demais e um de vocês estiver morto!
Ele estava me tirando do sério. O rapaz parecia ter esquecido que agora era pai e marido. Tinha se esquecido de que tinha responsabilidades que iam além de si mesmo. Eu achara que ele tinha se tornado um bom homem, mas, caralho, as coisas que ele fazia me diziam que ainda estava longe do homem que eu imaginara que fosse. Ou será que era Nick quem o mantinha na linha?
— Ainda não é hora, eu preciso de tempo para descobrir mais antes de contar a você. Pode não ser nada.
Desde quando houve “nada” no que acontecera conosco? Até o nada sempre virava merda, e rápido.
— Marcus, eu não vou forçar você a me dizer o que está acontecendo, mas, se acontecer qualquer coisa com a minha filha e com os meus netos, algo que poderíamos ter impedido, eu vou matar você. Eu estou cansado de você achar que pode fazer tudo e consertar tudo sozinho.
Ele finalmente se virou. Eu vi a raiva e a frustração.
— Você acha que eu quero fazer isso, que eu quero a minha família em perigo constante? — Eu só olhei para ele. Eu não sabia por que ele achava que ficar com raiva era a resposta.
— Não acha que essa raiva está dirigida à pessoa errada?
Ele suspirou e se sentou, com ar derrotado. A batalha ainda nem começara e o homem já parecia vencido. Porra. Eu sentia falta de Nick. O garoto impunha respeito e aprendera muito cedo que ser fraco, mostrar fraqueza, admitir derrota não ia resolver nada.
— Olhe para você… — Eu balancei a cabeça, frustrado. — Você diz que quer resolver as coisas sozinho e já parece derrotado. Garoto…
Eu quis dizer mais, mas eu sabia que o que eu queria dizer ia quebrá-lo. Ele não era Nick, afinal. Ele ergueu a cabeça para me encarar.
— Você não sabe o que está acontecendo e como isso pode nos afetar. Tudo pode ir para a merda, e rápido.
Ah, ele sabia disso, ainda assim agia como um menino prestes a chorar pela mãe.
— Se você sabe disso, então por que ainda está sentado aqui sem fazer nada?
Ele balançou a cabeça.
— Eu vou embora amanhã…
— Eu já tinha ouvido essa parte.
Eu o cortei. Ele já tinha dito isso a Ethan e eu sabia que tinha escutado. Qual era o sentido de repetir quando eu queria ouvir o plano dele em vez daquela merda.
— Eu preciso que você, por favor, vigie aquele Nathan que trabalha com Olivia.
Nick, meu garoto. Você foi embora cedo para caralho. Esse pedaço de merda estava com ciúme em vez de encontrar soluções para a merda que estava prestes a estourar.
— Marcus, esse garoto é o mais importante agora?
Ele se levantou, a determinação voltando para ele.
— Ele é muito crucial, está aprontando alguma coisa, eu não sei o quê, mas é uma peça grande nisso.
Eu talvez tivesse falado cedo demais.
— Olivia sabe do perigo em que pode estar?
Como diabos ele sabia que esse seria o tempo que ia ficar fora. Estava fazendo promessas que talvez não pudesse cumprir.
— Tudo bem, eu arrumo as malas para você.
Ela parecia animada.
— Oi, pai.
O sorriso no rosto dela me disse que estava de bom humor.
— Aconteceu algo bom no trabalho?
Eu perguntei em vez de responder ao cumprimento.
— Sim, Nathan está de volta e nós assinamos o acordo. Vamos anunciar amanhã em uma coletiva de imprensa, é um grande negócio e isso vai fazer as ações se estabilizarem.
Aquilo tinha sido uma boa notícia, mas eu não gostei que o garoto fosse o responsável por isso. Marcus e eu trocamos um olhar.
— Ah, Nathan e eu vamos para Macau em dois dias. Eu não gosto de não estarmos em casa com as crianças nesses próximos dias. Foi por isso que eu vim cedo para passar tempo com elas.
— Por quanto tempo vocês vão ficar em Macau? — Perguntou Marcus.
— Duas semanas.
— Não! — Dissemos ao mesmo tempo.

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