🙇🏻♀️ NÃO ME ODEIEM.... 🥹
POV: DOMINIC FERRARO
Faltavam poucos dias para a seleção do Conclave, e o ar da Sicília pareceu pesar toneladas sobre meus ombros. Saí da sala de reunião na La Inferno preocupado e cabisbaixo, carregando imagens que eu nunca conseguiria apagar. Lorenzo ficou para trás com Ethan; eles ficariam na cidade para dormir, e Ethan permaneceria até a pré-seleção. O trajeto de volta no carro foi um deserto de silêncio. Alessia tentou puxar assunto, mas respondi apenas com frases monótonas e curtas. Eu senti o peso do olhar dela sobre mim, buscando o homem que a possuiu no jato, mas eu não retribuí. Como eu poderia, sabendo que o mundo lá fora queria transformá-la em gado com uma etiqueta de preço no pescoço?
Antes de partirmos, paramos para comer algo rápido em um restaurante discreto perto do porto. O clima estava carregado, denso como chumbo. Eu bebi várias garrafas de cerveja, uma atrás da outra, tentando afogar a náusea que a revelação do tráfico humano e a visão do corpo retalhado de Lorenzo me causaram. Alessia, sentada ao meu lado, estendeu a mão e começou a passar os dedos suavemente sobre a minha pele. Eu me senti totalmente constrangido, um covarde que não soube como dizer que o nosso "felizes para sempre" acabou de ser enterrado em uma vala comum na Índia. Tentei tirar minha mão da dela várias vezes, fugindo do seu toque como se ele me queimasse. Cada carícia dela me lembrava da fragilidade que eu precisava destruir.
Cassian estava ali conosco, observando tudo com aquele olhar atento de quem sabe que a guerra já começou. Siena, que estava com Alessia no bar mais cedo, desapareceu do nada. Alessia comentou que ela disse estar passando mal e sumiu. Tentei forçar uma normalidade que não existiu mais.
— Talvez ela esteja fugindo do Lorenzo — brinquei, mas meu sorriso não alcançou meus olhos.
— Não sei se ela está fugindo dele... mas o fato é que, quando ela viu o Lorenzo e o Ethan chegando, ela correu — Alessia riu.
Eu ri de volta, mas foi um som seco, sem graça. Eu soube que a diversão acabou. Ajudei-a a subir no helicóptero para o trecho final, mantendo minha máscara de guarda-costas. Por dentro, eu estava morrendo. Cada vez que olhava para o pescoço dela, eu via a coleira de metal que Lorenzo descreveu. Quando pousamos e ela desceu, tentou me chamar com aquele brilho de esperança nos olhos que eu soube que precisava apagar agora. Se eu não a fizesse me odiar, ela nunca fugiria para longe o suficiente.
Virei-me para ela, vestindo a armadura mais fria e cruel que já usei na vida.
— Vamos te devolver em quatro dias, Alessia — comecei, a voz saindo como uma lâmina de gelo que cortou o ar da noite. — E a partir de agora, não quero mais você andando por aí. Fique no seu quarto até o dia da entrega.
Ela franziu a testa, a confusão começando a nublar o verde dos seus olhos.
— O quê? Dominic, o que foi que aconteceu? Nós... no avião você disse...
— O que aconteceu no Brasil e no avião foi apenas uma diversão, principessa — cortei, sentindo meu próprio coração sangrar a cada palavra. — Nada mais do que isso.
— Não é possível. Você está mentindo — ela sussurrou, a voz começando a falhar.
— Eu não sei que tipo de fanfic você criou nessa sua cabeça, mas entenda uma coisa: eu não gosto de você. Eu não me importo com você — menti, olhando fixamente para um ponto acima da cabeça dela para não fraquejar diante da sua dor. — A única coisa que me interessou foi o seu corpo e o fato de que eu fui o cara que tirou a sua virgindade. É um troféu, nada mais. Não há nada em você, além da sua boceta que eu queira.
Vi o momento exato em que a alma dela se quebrou. As lágrimas começaram a transbordar, escorrendo pelo rosto que eu beijei com tanta adoração horas antes. Ela começou a chorar, um som quebrado, desprotegido, que me atingiu mais forte do que qualquer tiro de fuzil.
Segurei cada fibra do meu ser para não desabar. Lorenzo e Killian estava certo: se eu morresse ou falhasse, ela viveria esperando por um fantasma. E se ficasse talvez eu não consiguisse me concentrar no que tenho que fazer ou talvez não consiguissse a proteger. Eu precisava que ela partisse me odiando.
— Dominic, por favor... não faz isso... — ela tentou me tocar, mas eu recuei dois passos.
Virei as costas enquanto ela soluçava o meu nome. Entrei no escritório e bati a porta com força.
Tranquei-me no meu próprio inferno particular. Fiquei ali, no escuro absoluto, ouvindo o choro desesperado dela do lado de fora. Ela bateu na porta algumas vezes, implorando. Não respondi.
— Por favor.... não faz isso. Não.... — Eu ouvi Alessia gritar como uma menina que teve o coração arrancado do peito.

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