POV/ Alessia
Poeira, fumaça cinza e estilhaços de carvalho voavam por toda parte, misturando-se aos gritos histéricos que transformavam a casa de Deus em um abatedouro. Minha mãe gritava meu nome em algum lugar à esquerda, mas a cortina de pó era um muro intransponível.
Tentei me levantar, mas minhas pernas tremiam tanto que quase cedi sob o peso sufocante de quilos de seda e renda inúteis. Eu era uma mulher de um metro e sessenta e sete, com braços curtos e o corpo pesado pela imobilidade do espartilho; embora treinada, eu estava encurralada em uma armadura de vaidade que tornava qualquer movimento uma luta contra a própria gravidade. O coração batia na garganta, um tambor frenético de pânico puro.
A luz do dia invadiu o templo pelas portas arrancadas, e uma silhueta alta, de ombros largos e uma postura de naturalidade assustadora, entrou carregando um fuzil como se fosse uma extensão de seu próprio corpo.
Ele usava a máscara de Michael Myers.
A face de plástico pálida, com aquele sorriso morto, cobria todo o rosto, deixando apenas o vazio sombrio dos espaços para os olhos. Ele parou no epicentro do caos e girou a cabeça na minha direção com um movimento mecânico. Mesmo através do plástico, eu senti: ele estava me devorando com o olhar. Era o olhar de um colecionador avaliando uma peça que ele pretendia quebrar.
O pânico paralisou meus centros nervosos. Dei um passo trôpego, tropeçando no próprio véu que se enroscava nos meus pés como uma armadilha. Marcellos estava estático ao meu lado, pálido, seus dedos inúteis apertando o cabo da arma na cintura enquanto o terror drenava sua coragem.
Outros homens invadiram logo atrás, usando máscaras de Halloween distorcidas. Um deles trazia uma katana longa; o aço brilhava com um tom rubro enquanto o sangue fresco de algum segurança pingava sobre o tapete vermelho. Marcellos finalmente reagiu, me agarrando pelo braço com uma força bruta, me puxando para trás dele como se eu fosse um escudo de carne.
— Fique atrás de mim, Alessia! — ele berrou, mas sua voz falhou.
Vi meu pai, Leopoldo ele agarrou minha mãe pelo pescoço, forçando a se abaixar atrás do banco e ouvi ele gritar:
— Leve Alessia daqui! Eles vieram buscá-la! — ele rosnou e empunhou a arma, enquanto Lucca, meu irmão, atirava freneticamente como uma criança apavorada.
Arrastei minha mãe em direção à sacristia. O tule do vestido era uma prisão. Rosnei e usei toda a minha força para rasgar a renda lateral do vestido até a coxa, expondo o metal frio da pistola no meu coldre oculto. O rasgo foi o som da minha liberdade momentânea.



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