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Virgem Roubada pelo Mafioso Psicopata :CONTRATO DE SANGUE romance Capítulo 154

POV: SIENA

Eu corria, mas minhas pernas pesavam como chumbo até que o chão simplesmente desapareceu. Caí no fosso. O impacto não doeu tanto quanto o som das pás cavando lá em cima. Eu olhava para o alto, mas a luz do sol era rapidamente substituída por torrões de areia que atingiam meus olhos, fazendo-os arder como fogo. Eu não conseguia respirar. A terra entrava pela minha boca, seca e granulada, sufocando qualquer tentativa de grito. Eu estava sendo enterrada viva.

Acordei com um solavanco, o peito subindo e descendo em espasmos. Minha garganta estava seca, mas a sensação de terra ainda parecia estar lá.

Passei a mão trêmula pelo rosto, sentindo o suor frio ensopar meus fios ruivos e colar a camiseta no corpo. O silêncio do meu quarto se é que se pode chamar um cubículo de três por dois metros de quarto foi quebrado apenas pelo ronrono baixo da gatinha que adotei, enroscada aos meus pés.

Olhei ao redor. A luz fraca da manhã entrava pela fresta da única janela. Ali, espremidos, estavam minha cama de solteiro de segunda mão, uma geladeira minúscula, um fogão de duas bocas e o micro-ondas que era meu maior luxo. Na porta da geladeira, o papel amarelado com minha "Lista de Desejos" estava preso por um imã descascado. Algumas coisas estavam riscadas com força; outras pareciam metas inalcançáveis de uma vida que eu ainda não tinha conquistado.

Respirei fundo, tentando afastar a imagem do Bispo da minha mente. O que ele tentou fazer comigo deixou cicatrizes que não apareciam na pele, mas que latejavam toda vez que um homem chegava perto demais.

Eu precisava de um banho.

Levantei e peguei minha toalha, sentindo o nó habitual no estômago. Morar naquele cortiço era a única opção que o meu dinheiro minguado permitia, mas o preço era o medo constante. Para chegar ao banheiro coletivo, eu tinha que atravessar o corredor escuro, passando por portas atrás das quais viviam homens que eu evitava a todo custo.

Desde que cheguei à Sicília, parecia que meu cabelo ruivo era um convite para o abuso. "Será que lá embaixo também é laranja?", eu ouvia nos becos, de homens e mulheres que me olhavam como se eu fosse um pedaço de carne em exposição. Eu odiava cada comentário, cada olhar lascivo que me reduzia a uma cor de cabelo.

Enquanto caminhava, o pesadelo de ser enterrada viva latejava na minha têmpora. Eu sabia por que ele tinha voltado. Minha paz morreu no momento em que descobri que os donos daquela boate, os carcereiros da Alessia, eram os Ferraro.

Tecnicamente, o inferno na minha vida começou com o nome deles. Cinco anos atrás, eu fui oferecida a eles como um prêmio de consolidação de poder. E o que eles fizeram? Lorenzo Ferraro me rejeitou por algum motivo que envolvia sua revolta sangrenta. Dominic Ferraro sequer olhou para o meu retrato, cego pela obsessão que tinha pela filha do Leopoldo.

O silêncio deles foi a minha sentença de morte.

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