POV: LORENZO FERRARO
Cheguei à LA Inferno duas horas antes da abertura oficial para o público. A minha mente ainda processava a imagem da Siena de vestido verde se equilibrando nos bancos da praça e a sensação do osso do nariz daquele infeliz se partindo sob os meus nós dos dedos no cortiço. Eu precisei descarregar o foco na porra do trabalho.
Subi direto para a sala de reuniões privada no segundo andar, onde Ethan já aguardava. À mesa, os líderes das cinco máfias que controlavam as regiões continentais sentavam-se em um silêncio hostil, avaliando-se como lobos famintos. Eles estavam ali para disputar o controle da Itália no Conclave.
Apoiei as duas mãos na cabeceira da mesa, sustentando o olhar de cada um daqueles desgraçados.
— Senhores, vamos alinhar as regras do território antes que o primeiro sangue seja derramado na arena amanhã — ditei, a minha voz saindo num tom firme que cortou o ambiente. — Palermo está sob controle absoluto dos Ferraro. O Killian foi claro: o Conclave é um teste de brutalidade legítima, não uma anarquia barata. As ordens são expressas para todas as marcas presentes: a Máfia Cosa Nostra, que controla a região do Lácio, em Roma; a Máfia Winters, que domina a Toscana; a Máfia Plumbear, que comanda o Vêneto; a Máfia Leone, da Ligúria; e os remanescentes da Máfia Azus, do Piemonte. Está terminantemente proibido roubar nas ruas, fazer execuções fora do ringue, ou forçar qualquer mulher nesta ilha. Quem quebrar o protocolo vai ser executado por mim antes do amanhecer.
Os homens se mexeram nas cadeiras, assimilando o peso do aviso. Eu mantive os olhos fixos nos representantes do Piemonte. Eu sabia muito bem que os bastardos da Máfia Azus estavam sedentos por vingança de sangue contra o Dominic por causa da morte do antigo Capo deles com o gargalo de uísque. Eles queriam a cabeça do meu irmão a qualquer custo, e a minha função ali era garantir que nenhum deles tentasse uma idiotice pelas costas antes de as lutas começarem.
— Para a noite de amanhã, que antecede a abertura — continuei, ajeitando as abotoaduras do meu terno —, o Capo Dominic vai oferecer uma recepção de boas-vindas. As garotas de programa e acompanhantes da organização estão liberadas para as comitivas de vocês. O cachê e as recompensas delas serão pagos integralmente pela nossa conta. Mas repito: elas farão o que quiserem, se quiserem, e não tolerarei nenhum tipo de maltrato ou violência. Divirtam-se como homens, não como animais selvagens.
Encerrei a reunião antes do tempo previsto, deixando o Ethan encarregado de distribuir os passes de segurança para os líderes. Eu tinha pressa.
Desci as escadas de madeira escura e caminhei direto para o bar principal da boate, que ainda estava com as luzes baixas, sendo preparado para a noite. Avistei a Siena de longe, organizando as garrafas nas prateleiras atrás do balcão. Sentei-me em uma das banquetas altas de couro e fixei os olhos nela, esperando que notasse a minha presença.
Ela se virou, estreitando aqueles olhos expressivos ao me ver ali tão cedo.
— Quer beber alguma coisa? — ela perguntou, aproximando-se com a postura defensiva de sempre, mas sem recuar.
— Um uísque. Puro — respondi.
Siena pegou a garrafa do rótulo mais caro, girou-a nos dedos com destreza e despejou o líquido âmbar no copo. Mas, antes de me entregar, ela segurou a base do vidro, avaliando o meu rosto.
— Só uma dose — ela ditou, séria.
Eu soltei uma risada corta, inclinando o corpo para a frente.
— Você deveria ter sido enfermeira, Siena, não garçonete.
Nesse momento, a Luara, uma das atendentes mais antigas da casa que passava carregando uma bandeja de taças, soltou um risinho baixo ao ouvir o nosso diálogo.
— Ah, Lorenzo, não liga não. A Siena é uma graça, vive cuidando de tudo por aqui — Luara brincou, afastando-se em seguida.

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