POV: ALESSIA
Lorenzo Ferraro e Ethan Moretti cruzaram as portas duplas da ala cirúrgica avançando pelo corredor com passos firmes que ecoavam no piso de granito. O semblante do Lorenzo era a definição de ódio, cansaço e tristeza. Ele vestia uma camisa de couro preta e uma calça escura.
O Ethan vinha logo atrás, usando roupas pretas, estiloso como sempre. O olhar dele estava fixo no meu pai, travado em uma linha reta, e a sua postura rígida deixava claro que ele não estava de bom humor.
Meu pai parou o movimento de me arrastar, mas não aliviou nem um milímetro o aperto violento no meu braço. Seus dedos grossos continuavam cravados na minha pele, o que me causava uma dor. Ele encarou os dois homens que se aproximavam com um desdém, erguendo o queixo.
— Eu tinha um acordo com a L’Eclisse e com o Killian Moretti — Leopoldo Lombardi declarou, sustentando o olhar furioso do Lorenzo sem demonstrar o menor sinal de hesitação. — O acordo já foi cumprido na La Inferno. O Dominic é o dono da Itália. Eu estou levando a minha filha de volta para a minha segurança.
Lorenzo deu três passos na direção dele. Seus dentes estavam trincados com tanta força que o muscle do seu maxilar saltou por baixo da pele suja de poeira. O ar ao redor deles parecia faltar.
— Eu entendo que o acordo foi cumprido, Lombardi — Lorenzo respondeu, a sua voz saindo em um rosnado baixo, rasgado e perigoso que fez os pelos dos meus braços se arrepiarem. — Mas deixa essa porra ser resolvida de forma tranquila. Deixa ela saber que o Dominic pelo menos saiu vivo da mesa de operação. Não adianta você querer levar a Alessia para outro lugar ou tentar enfiar a sua filha no colo de outra pessoa para fechar novos negócios. Já está óbvio para a Itália inteira que esses dois se amam de um jeito doente.
Lorenzo ergueu o braço e apontou o dedo indicador direto para o rosto do meu pai, invadindo o espaço dele.
— Se o meu irmão acordar da anestesia, perceber que a garota não está aqui e descobrir que ele não sabe onde ela está ou se ela está bem... O Dominic vai ficar furioso, Lombardi. Ele vai ficar completamente maluco e vai caçar a sua cabeça até no inferno. Dá um tempo para ela pelo menos se despedir dele quando ele abrir os olhos.
O Kaun percebeu a gravidade do problema e resolveu intervir. Ele se inclinou na direção do meu pai.
— Tio, o Ferraro está certo nesse ponto — o Kaun interveio rápido, conversando com pressa, as minhas mãos levemente erguidas. — Deixa a Alessia aqui no hospital acompanhando a saída da cirurgia. Eu fico de vigília com ela o tempo todo. Eu mesmo levo ela depois e encontro o senhor direto no aeroporto para a gente embarcar no jato.
— Você não é bem-vindo aqui, apesar do acordo de paz — o Ethan deu um passo à frente, os seus olhos azuis brilhando frios como gelo enquanto encarava o meu pai com uma autoridade que não aceitava réplicas. — Escute o seu sobrinho, Lombardi. Dê as costas e saia.

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