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Virgem Roubada pelo Mafioso Psicopata :CONTRATO DE SANGUE romance Capítulo 224

POV/ ALESSIA

Amassei as folhas de caderno com tanta força que o papel estalou entre os meus dedos. Minhas mãos tremeram tanto que a caligrafia da minha mãe virou um borrão azul. Olhei para o Kaun no banco da frente, com a prescrição cortada e o estômago ardendo em chamas.

— Kaun, me fala que isso é mentira — exigi, a voz sumindo na garganta. — Você sabia disso? Sabia que o Leopoldo não é meu pai?

Kaun virou o rosto devagar, o semblante tenso sob a luz fraca do painel do utilitário.

— Eu não sabia de nada disso, Alessia. Juro por Deus. Eu fui criado como seu primo a vida inteira perto do Leopoldo e nunca entendi essa podridão. Eu só fui atrás de você no hospital porque a sua mãe me contou o que estava acontecendo. Ela me chamou no canto, chorando, e disse que o seu pai queria fazer uma coisa muito má com você, que era para eu te ajudar a sumir. Eu vim só por causa disso. Eu não sabia de nada.

Apertei os dentes, as lágrimas quentes começando a embaçar a minha vista.

— E o Lucca? Ele sabe? Ele está junto com o Leopoldo nisso?

— Eu não sei, de verdade, ele nunca sabe de nada — Kaun balançou a cabeça, voltando os olhos para a estrada escura. — Mas eu não acho que o Lucca seja só um pau mandado nessa história. Quando você sumiu da catedral, ele ficou desesperado. O Leopoldo também ficou muito preocupado. Eu cheguei a pensar que ele realmente se importava com você.

— Não, o Leopoldo não se importa comigo — soltei uma risada amarga, o choro entalado sufocando o meu peito. — Ele nunca se importou. Ele só se importa com o dinheiro e com o lucro que eu poderia oferecer para os negócios da Fartalle.

— É... se for isso, ele finge muito bem então — Kaun resmungou, ajeitando o corpo no banco do carona.

O Jonas continuava quieto no banco do motorista, com uma expressão confusa enquanto conduzia o carro pela BR deserta. As luzes dos postes passavam como riscos amarelos pelo vidro embaçado pelas minhas lágrimas. Limpei o rosto com o dorso da mão, tentando recuperar o foco, mas o choro dificultava a minha visão.

De repente, o Jonas afundou o pé no acelerador. O motor do carro soltou um ronco violento e o meu corpo foi jogado para trás contra o banco de couro com força.

— O que está acontecendo, Jonas? — perguntei, sentindo o coração bater disparado na garganta.

— Estamos sendo seguidos — Jonas disse, a voz cortante cruzando o espaço do veículo. — Dois carros pretos surgiram do nada na rodovia e estão ganhando terreno.

Olhei na direção do vidro traseiro quebrado, girando o corpo no banco. Dois pares de faróis altos rasgaram o breu da BR, aproximando-se rápido demais. Jonas jogou o utilitário para o lado, mudando de faixa de uma vez em uma manobra brusca. Os pneus cantaram alto no asfalto quente. O medo travou os meus sentidos.

— COLOCA O CINTO DE SEGURANÇA, ALESSIA! AGORA! — Kaun berrou da frente, travando a própria fivela. — É AGORA OU NUNCA!

Puxei a tira de nylon com as mãos trêmulas e suadas, prendendo o cinto no encaixe bem no segundo em que os carros inimigos emparelharam com a nossa traseira. Enfio a mão no bolso, caçando o meu celular. Tentei discar para o número do Lorenzo ou de qualquer segurança da Sicília, mas a tela indicava falta de sinal. Ninguém atendeu. Ninguém ia aparecer para ajudar.

— MEU DEUS DO CÉU, MEU DEUS! — gritei, largando o aparelho no assoalho do carro.

Os perseguidores bateram contra a nossa lateral. O impacto do metal contra metal estalou com um estrondo violento que fez a minha cabeça chicotear. Jonas deu golpes firmes no volante, tentando segurar o utilitário na pista enquanto os carros inimigos tentavam nos empurrar para fora do acostamento. Desvios rápidos, guinadas violentas para a esquerda e para a direita fizeram o meu corpo chocar contra as portas. Eu estava morrendo de medo.

— Segura! — Jonas gritou, a voz esganiçada pelo esforço.

Olhei para a frente através do para-brisa. Dois feixes de luz colossais surgiram do breu total da pista oposta. Um caminhão imenso invadiu a nossa faixa de rolagem, vindo direto na nossa direção em rota de colisão.

Jonas virou o volante com tudo para tentar escapar do impacto, mas o espaço era curto demais.

O CHOQUE FOI INEVITÁVEL.

O impacto frontal contra o caminhão explodiu nos meus ouvidos como uma bomba. O mundo tornou a girar de cabeça para baixo instantaneamente. O utilitário capotou no asfalto da BR, o teto esmagando contra o chão enquanto o veículo rolou várias vezes seguidas.

CAP. 249 - O SEQUESTRO DE ALESSIA 1

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