POV/ SIENA
— O seu tio, o Canário, serviu muito bem a nossa família no passado. Mas infelizmente ele está morto agora — Lorenzo disse, olhando para o guarda com seriedade. — E agora eu estou confiando a minha mulher a você, Jonas. Você é o sobrinho dele e espero que possa contar com você. Cuide bem dela. Ela pode ser chata e insuportável às vezes, vai tentar te dar dor de cabeça, mas qualquer problema ou qualquer gracinha que ela inventar de fazer, você me liga na mesma hora. Entendeu?
— Sim, senhor Ferraro. Entendido perfeitamente — Jonas respondeu rápido, a voz trêmula enquanto engolia em seco.
— Agora a gente precisa ir — Lorenzo ditou, soltando a minha mão por um segundo para arrancar a mochila das minhas costas e pegar a bolsa de transporte da Happy da minha mão com um puxão bruto. Ele estendeu os objetos na direção do Jonas. — Leve isso para o carro. E fique de olho no seu celular, porque eu vou te ligar depois para ir à igreja.
Olhei de um para o outro, um pouco desconfortável com a frieza milimétrica daquela conversa e com a rapidez com que meu destino estava sendo traçado.
— Pode deixar, chefe — Jonas respondeu.
Ele pegou as coisas e saiu andando apressado pelo corredor, sumindo na direção das escadas do hotel. Lorenzo voltou a fechar os dedos longos e calejados ao redor do meu pulso, me puxando de leve.
— Vamos, Antonella. A gente precisa buscar a aliança agora e temos outras coisas para fazer.
Tentei dar o primeiro passo, mas as minhas pernas ainda continuavam pesadas e elas vacilaram. Senti o quadril falhar e soltei um ganido baixo de dor, quase perdendo o equilíbrio no piso de taco. O cansaço da noite inteira de sexo violento tinha deixado o meu corpo em frangalhos, e a pele da minha intimidade ardia a cada movimento.
Lorenzo parou de andar na mesma hora. Ele não reclamou e nem hesitou. Ele simplesmente se inclinou, passou um dos braços largos por trás das minhas costas e o outro por baixo das minhas coxas grossas, me içando do chão de uma vez só como se eu não passasse de um trapo velho.
Enrosquei meus braços ao redor do pescoço dele por puro instinto de sobrevivência para não cair. O calor que exalava do peito dele bateu direto na minha cara, e o cheiro amadeirado misturado ao toque sutil de Bourbon me deixou tonta. Ele atravessou a rua sem olhar para ninguém e me levou direto para a calçada, onde uma SUV preta e blindada estava estacionada com o motor ligado.
Me colocou no chão por um segundo, abriu a porta do passageiro rapidamente e me empurrou para cima do banco de couro com uma firmeza controlada. Ele se inclinou sobre o meu corpo, o rosto a centímetros do meu, e puxou a fivela do cinto de segurança, prendendo o tecido diagonal com força por cima do meu peito farto até dar o estalo seco do encaixe.
— Eu posso andar, sabia? — protestei com o rosto queimando de vergonha, tentando desviar os olhos do maxilar travado dele. — E eu tenho mãos, sabia? Não precisava disso tudo.
Lorenzo nem piscou, terminando de ajustar o cinto antes de se afastar para trás.
— Não me importa se você sabe andar ou não — ele respondeu, a voz ríspida e pausada. — Quanto menos você se esforçar e menos gastar energia agora, melhor. Você é a minha mulher. Quanto mais rápido o seu corpo se recuperar da noite de ontem, melhor para mim. Porque eu estou louco para repetir.
Fiquei sem ar com a crueza da resposta. Meu estômago deu uma volta completa com a promessa direta dele. Ele bateu a porta do carro com força, deu a volta pela frente do capô com passos largos e entrou no banco do motorista, assumindo o volante. O Jonas entrou no banco de trás em silêncio. Lorenzo engatou a marcha e acelerou, fazendo o pneu cantar de leve no asfalto da rua estreita.
Dirigimos por cerca de vinte minutos em um silêncio denso e sufocante. Eu olhava pela janela, vendo as construções da Sicília passarem como borrões cinzentos na luz do dia. Minha mente continuava um caos completo, tentando processar que o meu casamento com o arquiteto da máfia ia acontecer em menos de vinte e quatro horas.
Lorenzo estacionou o carro na frente de uma joalheria de fachada discreta e escura em uma área mais reservada da cidade. Ele desligou o motor e olhou para mim.
— Por que a gente parou aqui? — perguntei, ajeitando as mechas do meu cabelo ruivo atrás da orelha.
— Vim buscar a aliança — ele explicou de forma seca, abrindo a porta do carro. — Fica aí.
Ele desceu, entrou no estabelecimento e sumiu por trás das portas de vidro fumê.
Poucos minutos depois, o Lorenzo voltou. Ele entrou no carro, fechou a porta e virou o corpo de lado no banco, ficando de frente para comigo. Ele tirou uma caixinha de veludo preto de dentro do bolso do paletó e a abriu com um estalo.
Dentro, havia um par de alianças grossas de prata pura, com desenhos intrincados e pesados. Lorenzo pegou a menor, segurou a minha mão esquerda com firmeza e olhou direto no fundo dos meus olhos verdes com aquela intensidade doentia e possessiva que me deixava sem ação.
— Antonella Moretti. Você aceita ser minha esposa e se submeter às regras da Fratellanza? — ele perguntou, a voz saindo em um rosnado baixo e pausado.
Eu olhei para o metal brilhando entre os dedos dele. Não existia escolha ali, não existia uma igreja cheia ou um altar de flores, mas o meu coração deu uma pancada tão violenta no peito que chegou a doer. Acenei positivamente com a cabeça, incapaz de verbalizar qualquer som.


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