A Rua da Paz fervilhava com o alvoroço das multidões.
De repente, uma saraivada de palavrões explodiu de dentro de um cassino.
Um dos atendentes brutamontes rosnou: "Sem dinheiro? Cai fora! Acha que isto aqui é caridade?"
Dois seguranças parrudos arremessaram um jovem porta afora.
Depois de uma sequência de socos e pontapés, o rapaz só conseguiu encolher-se em posição fetal, braços protegendo a cabeça, apavorado demais para revidar.
No meio do vai e vem barulhento, ninguém parou para olhar.
Afinal, cenas assim não eram novidade.
De cada dez apostadores, nove saíam derrotados. Essa era a dura realidade de quem entrava naquele antro de jogo.
No melhor dos casos, perdiam tudo. No pior, a família se despedaçava.
Para o povo, esses jogadores não mereciam pena.
Quando os seguranças se afastaram, o homem se ergueu devagar, ainda gemendo da surra.
Cuspiu com raiva na direção da casa de jogos. "Malditos! Sabem com quem estão mexendo? Sou irmão da Srta. Monson! Tiveram a ousadia de encostar em mim? Esperem só, vão se arrepender!"
Com o rosto inchado e marcado de hematomas, Blake Holmes mancou adiante, rosnando impropérios entre os dentes.
Quando estava prestes a despejar sua fúria em quem quer que lhe barrasse o caminho, um pesado lingote de prata brilhou diante de seus olhos.
"Dinheiro!" Os olhos de Blake cintilaram enquanto ele se lançava para agarrá-lo, mas a outra pessoa recolheu a mão num átimo.
Ele franziu o cenho, irritado, e cravou um olhar furioso na recém-chegada.
Nona Melton inclinou-se e sussurrou: "Quer prata? Venha comigo."
Nona virou-se e saiu, com Blake atrás dela como cão correndo atrás de osso.
Logo, Nona o conduziu a um beco ermo.
Ali estava uma mulher com um chapéu de véu, esperando em silêncio.
Os olhos de Blake luziram. Ele foi direto até Willow, estendeu a mão e exigiu, grosseiro: "Estou sem dinheiro. Passe mais, agora."
O rosto de Willow ficou lívido de raiva. Para Blake, ela nunca fora mais que uma vaca leiteira.
Ele a importunava por dinheiro a cada dois ou três dias.
No começo pedia pouco, mas logo passou a exigir pelo menos milhares a cada vez.
Blake se esbaldava em todos os vícios: bebida, jogo e mulherio.
Torrava cada moeda que lhe caía às mãos.
Willow fervia por dentro. "Eu o mataria aqui mesmo", pensou.
Mas, lembrando-se de que ainda precisava dele, engoliu o ódio a contragosto.
Willow desamarrou a bolsinha de dinheiro da cintura e a entregou a Blake.
Ele a tomou, radiante, mas, ao pesá-la na mão, a expressão escureceu. "Que porcaria é essa? Isso não dá para nada."
Espiou por dentro e encontrou apenas uma dúzia de moedas.
Chacoalhando a bolsinha, Blake zombou: "O que é isso? Sou seu irmão. É assim que me trata?"
A desfaçatez dele fez o sangue de Willow ferver.
Os olhos de Willow marejaram de imediato, e as lágrimas começaram a escorrer-lhe pelo rosto. "Mano... eu... eu não posso te dar mais dinheiro daqui para frente..." soluçou.
Blake rosnou: "Como é que é? Tá dizendo que vai abandonar a mim e à mamãe agora?"
Com os olhos esbugalhados de fúria, ele disparou: "Sua ingrata! Não esqueça que foi a mamãe quem pavimentou seu caminho para entrar na família Monson. Agora que ela está velha, você dá as costas? Que tipo de desalmada é você?"
"Eu mentiria? O herdeiro da família McGee estava com um pé na cova, por um triz! Foi a Athena quem o salvou."
Blake alisou o queixo, o olhar faiscando de ganância.
Pensou consigo: "Os remédios de uma curandeira prodigiosa valem ouro, são quase impossíveis de conseguir!
"Droga! Quem diria que aquela desgraçada da Athena escondia um trunfo desses?"
Blake não perdeu mais um segundo com Willow. Sem olhar para trás, girou nos calcanhares e disparou.
Willow deu um passo à frente, bloqueando-lhe a passagem. "Mano, aonde pensa que vai?"
Blake empurrou Willow de lado e latiu: "Sai da frente! Desde quando preciso prestar contas?"
Willow não apenas se recusou a sair do caminho, como assumiu um ar solene e avisou: "Athena me detesta, e vai detestar você do mesmo jeito. Se for assim, você não vai nem conseguir vê-la. Pra que procurar encrenca?"
Os olhos de Blake bailaram, e ele fingiu concordar: "Tá bom, tá bom. Para de pegar no meu pé!"
Por dentro, ele zombou: "A Athena não recebe a Willow? Isso só prova o quão inúteis elas são.
"Eu não sou patético como a Willow. Não sou um fracote como ela."
Dito isso, ele a empurrou outra vez e foi embora a passos duros.
Willow gritou, aflita: "Mano, não faça nenhuma loucura!"
Só quando a figura de Blake sumiu ao longe é que um sorriso tênue, sabedor, brotou nos lábios de Willow.
"Srta. Monson", Nona perguntou num sussurro, "acha que o Blake vai atrás da Athena?"
Willow lançou a Nona um olhar de surpresa fingida. "Nona, do que está falando? Como eu saberia quem meu irmão vai procurar?"
Nona congelou por um instante, depois captou a deixa de Willow.
Imediatamente, compôs um ar bajulador e disse, solícita: "A senhora tem toda razão, Srta. Monson. Que tolice a minha, devo ter me confundido. Hoje só saímos para comprar um pouco de rouge e não encontramos ninguém."

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Ascensão da Menina Indesejada