O coração de Athena vacilou ao pensar: “Eloise é minha mãe. Como ela pode se ajoelhar diante de mim?
Ela iria mesmo se ferir por causa de Willow?”
A expressão de Athena gelou quando ela agarrou o braço de Eloise.
Com um puxão firme, ergueu Eloise, sustentando o olhar estupefato dela.
Disse: “Lady Eloise, você entende que, ao se ajoelhar para mim, não só mancha minha reputação como também me traz desgraça? Por causa de Willow, você está mesmo disposta a ir tão longe contra mim?”
As palavras de Athena fizeram Eloise empedrar. Encarando aqueles olhos gélidos, ela balbuciou, aflita: “Eu não, Athena. Como eu poderia te ferir? Eu só…”
Athena cravou os olhos em Eloise, a voz trêmula de mágoa e raiva. “Você sempre se importou apenas com Willow, tratando-a como se fosse sua filha de verdade. E eu? Fui só a criança que você descartou.”
As palavras de Athena, pausadas e implacáveis, cortaram os ouvidos de Eloise como punhais.
Eloise mirou Athena com os olhos em brasa, lágrimas escorrendo pelo rosto.
Em frangalhos, murmurou: “Não, Athena, eu nunca quis te abandonar. Você é meu próprio sangue, minha filha…”
Eloise chorava sem controle quando Nicolas investiu contra Athena: “Você é desprezível! Mamãe implorou de joelhos para você, o que mais quer?”
“E daí?” Athena rugiu de súbito, a voz tremendo de fúria. “Thalia e Macy foram brutalmente assassinadas por Willow; vamos simplesmente deixá-la impune?”
A fúria que emanava de Athena fez os soluços de Eloise se desfazerem em lamentos.
Eloise e Nicolas encararam Athena com choque e medo, como se não entendessem por que ela estava tão furiosa.
Todos se lembravam da menina Athena, radiante e alegre. Mesmo depois de três anos extenuantes no campo militar, que a fizeram manter os outros à distância, ela jamais teria explodido assim ou gritado desse jeito.
Athena havia mudado a ponto de se tornar irreconhecível.
“Willow merece morrer”, cuspiu Athena por entre os dentes cerrados, a voz a transbordar veneno. “Eu já a matei uma vez, e vou fazê-lo de novo.”
Athena fitou o pavor nos olhos de Eloise, cada palavra um punhal no coração. “É melhor manter Willow trancada a sete chaves, porque, da próxima vez, ela não terá tanta sorte.”
“Athena!” O rosto de Nicolas enegreceu de fúria enquanto ele apontava um dedo para o nariz dela. “Víbora venenosa! Como a família Monson pôde gerar alguém tão sem coração quanto você?”
Athena soltou uma risada fria e zombeteira. “Sinceramente, tenho vergonha de carregar o nome Monson.”
Dito isso, Athena avançou direto para a Casa Starling.
Athena enfim estourou com Nicolas. “Tente me impedir outra vez e vai se arrepender.”
Nicolas zombou: “O quê, você teria coragem de levantar a mão contra mim?”
Athena retrucou com um sorriso de desdém: “Tenta. Para ver se eu vou me segurar.”
O rosto de Nicolas se retorceu em choque e maldade. Cerrando os dentes, lançou um olhar envenenado a Athena e rosnou: “Assim seja. Não me culpe pelo que vier. Guardas, prendam-na!”
Ao comando dele, os guardas cercaram Athena no ato, bloqueando todas as saídas.
Eloise empalideceu de susto e agitou as mãos, exausta, implorando a Nicolas: “O que você está fazendo? Athena também é sua irmã. Você não pode fazer isso com ela!”
“Mãe, pare de defendê-la! Willow está à beira da morte. Ela precisa daquele elixir agora!” Nicolas desistiu de lhe dar ouvidos e cravou em Athena um olhar de gelo.
Nicolas fixou Athena com frieza. “É sua última chance: entregue o elixir agora ou arque com as consequências.”
Athena fulminou a hipócrita Eloise e o implacável Nicolas, os dedos se fechando em torno do punhal de arremesso escondido na manga.
Sem aviso, ela estalou o pulso; a lâmina cortou o ar em assobio e voou direto para Nicolas.
O vínculo de sangue já havia sido consumido por brigas sem fim.
Agora, não passavam de inimigos.
Se ele era capaz de erguer a mão contra a própria irmã por uma estranha, Athena não iria mais se conter.
O punhal lampejou sem aviso; Nicolas não teve tempo de reagir.
Tudo o que ouviu foi o grito apavorado de Eloise antes de a dor lancinante explodir na espádua, e o sangue quente começar a encharcar as vestes.
Com os olhos vermelhos, Gwen disse a Athena: “Sua Senhoria sempre foi de vontade férrea. Cada decisão que tomou foi pelo patrimônio, para sustentar a glória do Duque. Mas o destino traçou outros rumos. Agora que ela está idosa e perdeu a autoridade, como é que aqueles vão acatá-la?”
Embora Gwen não dissesse abertamente que a família Monson vinha contrariando Margaret, suas palavras destilavam descontentamento.
Mesmo sem Gwen dizer às claras, Athena lia nas entrelinhas.
Eloise sempre tramou para tomar o controle da família.
Como herdeiro, Nicolas era orgulhoso demais para tolerar qualquer coisa que não girasse em torno de si.
Cada qual com a própria agenda. Ninguém se importava com os sentimentos de Margaret?
“A doença de Sua Senhoria nasce do desgosto”, disse Gwen, a voz trêmula. “Ela sente sua falta terrivelmente, Senhorita Monson, e é consumida pela culpa por não ter protegido você. Vive dizendo que deveria ter mantido você a salvo…”
Enquanto Gwen falava, lágrimas lhe desciam pelas faces.
Athena já chorava sem se conter, o rosto riscado de pranto. De repente, um pensamento lhe acudiu. Enxugou às pressas as lágrimas com o dorso da mão.
Athena conteve o choro e implorou, aflita: “Vovó, por favor, tome este remédio. Você vai melhorar, eu prometo.”
Com as mãos trêmulas, Athena remexeu na bolsinha, tirou a pílula que preserva a vida e a deslizou com carinho na boca de Margaret.
O elixir derreteu na língua de Margaret. Instantes depois, ela abriu os olhos, lentamente.
Margaret fitou Athena sem foco por um momento e então esboçou um sorriso fraco, autodepreciativo. “Devo estar delirando de doença… Como eu estaria vendo minha querida Athena de volta?”
Com um suspiro pesado, Margaret disse, desolada: “Ela nunca vai voltar. Esta família mastiga pessoas e cospe os ossos. Minha Athena está melhor longe, num lugar onde ninguém mais a encontre…”
“Vovó.” A voz de Athena enfim se quebrou, trêmula, ao chamá-la.
As lágrimas caíram de seus olhos, respingando na mão frágil de Margaret.
Margaret encarou Athena, atônita, e sua mão se estendeu instintivamente para tocar a dela. Ao sentir a mão de Athena, o choque em seus olhos desfez-se em júbilo puro.
Perguntou: “Athena, é mesmo você? Você… voltou?”

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