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A Ascensão da Menina Indesejada romance Capítulo 323

Willow soluçava sem controle, tomada por um pavor absoluto.

Seu rosto outrora altivo, sempre carregando a superioridade da marquesa de Somers, agora estava marcado pelo medo.

Só depois de reduzida a cativa, ela provou o gosto do verdadeiro terror.

— É mesmo assim? — Athena se agachou lentamente, a adaga em sua mão cintilando com um frio metálico na escuridão.

Ela cravou em Willow um olhar cortante, tão afiado que a outra não ousou encará-la.

Sob o interrogatório implacável de Athena, Willow por fim assentiu. — É verdade. Eu jamais ousaria enganá-la, irmã. Pelos velhos tempos da nossa infância, por favor, poupe minha vida.

Willow tremia como folha ao vento, mas a fúria de Athena só ardia mais a cada segundo.

Thalia e Macy tinham sido brutalmente assassinadas.

“Se não fosse a instigação de Willow, como Thalia teria sido morta por Matthew?”, pensou Athena, amarga.

Athena permaneceu impassível. Retirou devagar uma adaga reluzente da manga; a lâmina, à luz pálida do luar, refletia o mesmo brilho gélido de seus olhos.

Ela disse: — Sangue clama por sangue, dívidas precisam ser pagas. Você pode não ter cravado a lâmina, mas Macy e Thalia morreram por sua causa. Disso você não escapa…

As palavras dela traziam o frio do inferno mais profundo.

Athena ergueu a adaga e a apontou para o peito de Willow.

Nesse instante, um grito agudo rompeu o silêncio espectral.

— Não! — Eloise tropeçou para fora de trás de uma árvore, a saia empapada de lama, os cabelos em desalinho, os olhos cheios de pavor e desespero.

Com um baque, caiu de joelhos diante de Athena, agarrando-se às pernas dela enquanto lágrimas lhe corriam pelo rosto. — Por favor, ela é só uma menina. A culpa é toda minha. Mate a mim no lugar dela!

Eloise golpeava o próprio peito, suplicando em desespero.

O corpo de Athena enrijeceu de súbito; a mão que segurava a adaga tremeu quase imperceptivelmente.

Ela olhou para Eloise; nos olhos, um lampejo de emoção indecifrável, logo consumido pelo fogo do ódio.

Athena disse, tomada de cólera: — Você acha que dizer “a culpa é toda minha” resolve alguma coisa? Naquele tempo, você e sua família empurraram minha mãe ao abismo do desespero. Ela morreu na mais gritante injustiça.

— Você roubou a identidade dela e se regalou no luxo; ainda assim, não lhe deixou sequer um caminho de sobrevivência. E agora quer que eu a poupe? Com que direito?

O choque passou pelo rosto de Eloise e, em seguida, a compreensão surgiu.

Eloise pensou: “Então Athena sabe a verdade. Margaret deve ter lhe contado tudo antes de morrer.

“Ela trouxe Willow até aqui hoje para arrancar algo de mim”.

Eloise pediu perdão em meio a soluços: — Eu errei. Todos esses anos, me arrependi dia após dia, atormentada por pesadelos todas as noites.

— Faço qualquer coisa. Só poupe a Willow. Ela é inocente.

Ao ver Eloise naquele estado desesperado, culpa e terror se remexeram no peito de Willow. Ela gritou: — Mãe, não implore a ela. Eu não tenho medo de morrer.

Mas, mesmo enquanto palavras tão valentes lhe saíam dos lábios, seu corpo tremia sem controle.

Athena zombou: — Não disse que não iria poupá-la. Conte-me os segredos da família Monson e talvez eu considere dar a ela uma saída.

Eloise fitou Athena, de olhos escancarados, redondos como sinos de cobre.

Olhou ao redor, em pânico, gaguejando: — Não, eu não sei. Eu não sei de nada…

Athena percebeu, pela expressão, que era impossível ela não saber. Só estava apavorada demais para dizer.

Athena cravou a adaga no ombro de Willow com brutalidade. Willow caiu em prantos e uivou: — Mãe, dói. Dói tanto!

— Não, por favor! — Eloise estava fora de si de terror, os olhos girando frenéticos. Implorou a Athena: — O que você quer saber? Eu conto tudo!

Athena arrancou a adaga, arrancando de Willow outro grito lancinante.

“Se Eloise foi criminosa, eu também fui”.

Lágrimas grossas e pesadas desceram pelo rosto de Michael.

Com os olhos injetados de sangue, ele se fixou em Athena, como se mil flechas lhe atravessassem o peito. A dor lhe roía os ossos.

Ele pensou: “Minha Athena. Ela costumava me adorar tanto.

“Agora entendo que foi minha culpa ela ter se voltado contra mim.

“A culpa é toda minha”.

Michael cerrou os dentes, as unhas afundando nas palmas até o sangue brotar entre os dedos.

Um leve farfalhar veio de trás dos arbustos. Athena, sutilmente, bloqueou a visão de Eloise e perguntou: — Você teve algo a ver com a morte da minha mãe?

Eloise congelou antes de lançar a Athena um olhar culpado.

Ao ver a expressão glacial de Athena e o brilho assassino em seus olhos, Eloise entendeu que não escaparia ilesa; ainda assim, agarrou-se a uma esperança remota, desesperada.

Ela negou com a cabeça, o olhar fugidio. — Não, não fui eu.

— Não foi você? — A voz de Athena virou lâmina. — Desde o momento em que roubou a identidade da minha mãe, você nunca pretendeu deixá-la viver. Mesmo que negue, vou responsabilizá-la pela morte dela.

Eloise encarou Athena, horrorizada, e um lampejo de fúria luzia em seus olhos. Mas, quando Jessa avançou um passo, a aura ameaçadora dele apagou sua resistência num sopro.

Ela era apenas uma mulher indefesa. Não havia chance de escapar de Athena hoje.

Sem nada mais a perder, Eloise despencou no chão e soltou uma risada amarga. — Não é de se espantar que eu tenha escapado do Bureau Federal com tanta facilidade. Então esse era o seu plano desde o começo. Você tomou Willow como refém para me forçar a revelar os segredos da família Monson, não foi?

Athena soltou um riso gelado. — Só percebe isso agora? Minha paciência está no fim. É melhor confessar tudo depressa.

— Afinal, ainda sou sua tia. Você teria coragem de me matar? — choramingou Eloise, na mais completa desesperança, tentando pela última vez chantagear Athena com os laços de sangue.

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