Trina lançou um olhar preocupado para Athena, mas, ao ver que a expressão dela permanecia calma, indiferente aos boatos que zuniam ao redor, sentiu nascer uma admiração sincera.
De súbito, o ruído ao redor se desfez. As pessoas ficaram imóveis, e quase todos os olhares na sala se prenderam à figura alta e esguia à frente.
Ele vestia um manto roxo; o rosto bonito, tão frio e distante como sempre, apenas acentuava sua presença nobre e altiva. Em comparação ao jovem confiante que fora, agora irradiava uma compostura segura, ainda mais cativante.
Athena se perdeu por um instante em lembranças. Quando chegou à Cidade de Pidence, nada sabia. Foi ridicularizada e maltratada, jogada ao chão, quase pisoteada pelos cavalos. Foi Michael quem veio em seu socorro.
Ela ainda recordava com nitidez: Michael, ereto sobre o cavalo, inclinou-se e estendeu a mão, com a elegância de uma brisa suave sob um luar luminoso. "Chorando de novo?"
O rapaz transbordava juventude, a voz tingida de um desdém brincalhão. Mas aquela mão, longa e graciosa, tinha uma ternura improvável.
Antes que Athena reagisse, ele a ergueu para o lombo do cavalo; o braço, firme, enlaçou-lhe a cintura e a trouxe para perto.
Com olhos curiosos, ele a fitou e perguntou: "Você é aquela que a propriedade do duque acabou de trazer de volta?"
Athena estava assustada, mas curiosa. Sustentou o olhar dele com igual curiosidade e assentiu.
Naquele momento, Michael pensou: "Essa garotinha não tem medo de mim."
Ao encarar os olhos límpidos e desguardados de Athena, até o rapaz destemido sentiu um friozinho nervoso. O coração deu um salto.
O que ele não sabia, então, era que, naquele exato instante, se tornara como uma luz ofuscante—forte, deslumbrante, iluminando o mundo de Athena.
Era o tempo do primeiro amor, e o coração de Athena disparou. Por cinco anos, ela o amou.
Mas, tristemente, aquela luz também iluminava outros. Ele nunca foi realmente dela.
Reprimiu à força o aperto que subia no peito e ofereceu a Michael um sorriso tênue. "É bom vê-lo, Lorde Osborne."
As sobrancelhas de Michael se franziram. Há pouco, ele vira claramente o afeto nos olhos dela; agora não havia nada—apenas uma frieza distante.
Ele avançou, querendo perguntar o que havia mudado, mas o olhar escorregou para a presilha dourada no cabelo dela. Seu rosto escureceu de imediato.
"Quem mandou você usar isso?" A voz, cortante de ira, surgiu do nada.
Seu rompante, ainda mais diante de todos, soou deslocado. Athena não queria discutir em público e respondeu com frieza controlada:
"Lorde Osborne, o senhor está se intrometendo demais. Sua noiva está bem ali—não se confunda."
As palavras eram claras e certeiras, traçando um limite agudo entre os dois.
A poucos passos, sob um pavilhão, os olhos de Willow estavam vermelhos, fixos em Michael com um anseio que beirava o lastimável.
Eloise permanecia ao lado, murmurando suavemente.
Nicolas, ao ouvir, caminhou de imediato em direção a Michael.
Sob os olhares surpresos de todos, agarrou-o pela manga e disse em voz baixa: "A festa nem começou e você já está bêbado? Que bobagens está dizendo? Venha comigo."
Mas Michael não se moveu.
Nicolas lançou a Athena um olhar gelado antes de afirmar, firme: "Michael! Você quer estragar o aniversário de Willow? O que está fazendo, armando cena com Athena diante de tanta gente? Não esqueça: você é o noivo dela!"
O aniversário de Willow era também ocasião para Eloise insinuar a união iminente entre as famílias Monson e Osborne.
A notícia já corria, e todos estavam cientes—era questão de tempo até o anúncio oficial.
Se Michael continuasse envolvido com Athena, ninguém o ridicularizaria por querer tudo; em vez disso, criticariam Willow por não conseguir manter o coração do homem.
Eloise voltou-se para os presentes: "Por favor, acompanhem-me até o pavilhão. Temos refrescos gelados para aliviar o calor."
Ficava claro que ela criava uma oportunidade para Athena e Kelsey conversarem em privado.
Quando o grupo se dispersou, Kelsey mirou Athena com doçura: "Embora seu casamento com meu filho não tenha dado certo, ainda somos família. Nosso laço só ficará mais estreito daqui em diante."
Kelsey não rodeou. Foi direto ao ponto: "Você sabe por que estou aqui. O casamento entre você e Michael já foi discutido entre nossas famílias.
"Para preservar sua dignidade, acredito que desfazer o compromisso seja a melhor saída. Sendo assim, quanto ao pingente de joias…"
Kelsey olhou para Athena, esperando, a intenção transparente.
Athena, porém, apenas sorriu de leve: "Não concordo em anular o noivado."
O sorriso de Kelsey permaneceu, mas esmoreceu depressa; a expressão esfriou.
Ela pareceu não ter entendido bem a resposta e tornou a perguntar: "O que você disse?"
"Eu disse que não concordo em anular o noivado", repetiu Athena, ainda sorrindo, porém sem calor no olhar.
Kelsey examinou com mais cuidado o rosto de Athena. Ao perceber que ela não estava brincando, o sorriso sumiu de vez. Recostou-se devagar na cadeira, os olhos aguçados fixos nela.
Ainda assim, a voz saiu mansa: "Pensei que Eloise havia sido clara com você. Ao que parece, você ainda não reconheceu seu lugar."
A reputação de Athena estava arruinada e, dentro da família Monson, ela não passava de uma peça descartada. Kelsey só se dispôs a falar com Athena por respeito à antiga relação entre as famílias.
Imaginara negociar a devolução do pingente com facilidade, mas, para sua surpresa, Athena se recusou. E pensou: "Que direito ela tem de dizer não?"

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