A expressão de Kelsey escureceu de repente, o rosto se crispando de desagrado.
O casamento entre as duas famílias sempre fora uma questão de proveito mútuo — a família Osborne buscava a herança dos Monson, e os Monson se apoiavam no poder militar dos Osborne.
Com quem seria o casamento pouco importava — Athena ou Willow, desde que fosse uma das filhas da família Monson.
Mas então Athena arruinara tudo com seus atos vis. Uma mulher com reputação tão manchada jamais poderia se tornar a matriarca da família Osborne.
Kelsey estava furiosa, mas manteve a compostura, forçando um sorriso polido. "Entendo que você relute em se separar do meu filho, mas esta anulação é inevitável. É melhor entregar o pendente de joias discretamente, ou isto vai virar um escândalo que envergonhará as duas famílias."
O sorriso de Athena permaneceu, mas suas palavras cortaram a fachada cuidadosamente mantida por Kelsey. "Por que eu deveria concordar? O que ganho com isso? Por que devo entregar meu noivo a outra pessoa? Além do mais, foi o velho mestre da família Osborne quem arranjou pessoalmente este noivado, e o pendente de joias foi presente dele para mim. Por que eu jogaria fora um bom casamento para dá-lo à Willow?"
Enquanto falava, seu olhar se desviou, casual, na direção de Michael.
Ele conversava com alguns convidados, mas assim que percebeu o olhar dela, voltou-se e o sustentou.
Os olhos dos dois se cruzaram por um instante, e Athena rapidamente desviou, como se tivesse tocado algo em brasa. Michael permaneceu imóvel, a expressão tingida por uma quieta mágoa.
Nesse meio-tempo, Willow, que o observava com atenção, sentiu um golpe de frustração. Cerrando os dentes, baixou a cabeça, os olhos vermelhos, enxugando as lágrimas enquanto Eloise a consolava.
A máscara composta de Kelsey enfim rachou, e era claro que ela lutava para manter a pose.
Quanto à anulação, Michael já discordara, e os dois haviam discutido sobre isso não faz muito.
Kelsey enxergara com nitidez: Michael ainda nutria sentimentos por Athena. Se ela permitisse que aquele vínculo antigo ressurgisse, seria desastroso.
Um nó apertou o peito de Kelsey. Athena jamais poderia entrar para a família Osborne. Era evidente que estava impondo condições.
Com um lampejo de desdém, Kelsey lançou um olhar de cima a baixo em Athena e disse: "Diga o que você quer. Qualquer coisa que a família Osborne possa fornecer, garantiremos sua satisfação. Quanto dinheiro você está pedindo?"
Na cabeça de Kelsey, Athena simplesmente não queria abrir mão de um casamento tão vantajoso. Qualquer um hesitaria em largá-lo.
Se necessário, a família Osborne pagaria uma quantia e encerraria o assunto. Seria um preço pequeno para resolver tudo.
Mas Athena era ambiciosa demais — agora, estava até ameaçando Kelsey. Se era assim, ela se certificaria de que Athena pagasse caro por isso.
Fingindo concessão, Kelsey já ruminava mil formas de fazer Athena se arrepender.
Athena percebeu a mudança na expressão de Kelsey. Sorriu de leve e disse: "Não quero dinheiro."
Kelsey se confundiu por um instante. "Você não quer dinheiro? Então o que é que você quer?"
Ela se perguntou: "Do que ela poderia precisar?"
"Quero os livros-caixa do caso do general Kurtis, de três anos atrás", disse Athena, a voz suave, mas os olhos firmes, cintilantes de determinação. Ela precisava daqueles livros-caixa — e os conseguiria, custasse o que custasse.
O general Kurtis era o avô de Athena. Três anos atrás, fora falsamente acusado e exilado à fronteira, destino ainda incerto. Os livros-caixa continham as provas que poderiam limpar seu nome.
A testa de Kelsey se franziu, e um lampejo de pânico cruzou seu rosto. Baixou a voz e disse: "O caso do general Kurtis foi julgado pessoalmente por Sua Majestade. O que eu, uma mera mulher, poderia fazer?"
Athena sorriu de leve. "Se você estiver disposta, Kelsey, sempre há caminhos. Não sou irrazoável. Para você, isso deveria ser tarefa fácil."
O caso já fora lacrado e estava sob custódia da Suprema Corte. Para uma pessoa comum, recuperar aqueles livros-caixa agora seria praticamente impossível.
Mas Kelsey era diferente. Seu irmão era o chefe da Suprema Corte. Se ela pedisse, pôr as mãos nos livros seria simples.
Athena já estava desonrada, mas Michael era um astro em ascensão na corte, querido pelo rei. Kelsey não permitiria que ele se enredasse com alguém como Athena neste momento crítico.
Kelsey cerrou os dentes, engolindo a fúria. Falou entre os lábios trincados: "É melhor cumprir sua palavra."
"Claro." O sorriso de Athena permaneceu, sem chegar aos olhos. Kelsey não tinha interesse em continuar o café. Com um bufar, saiu do salão de flores.
Assim que Eloise viu Kelsey surgir, conduziu Willow até ela. "Lady Kelsey, por favor, espere."
Kelsey parou e lançou um olhar sarcástico. "Lady Eloise, você realmente criou uma filha exemplar."
Cuspiu as últimas palavras com veneno.
Eloise percebeu na hora que havia algo errado. Sorriu com polidez, tentando apaziguar. "Se Athena foi desrespeitosa de algum modo, espero que não leve a mal."
Mas, por dentro, estava intrigada. "O que aconteceu? O acerto fracassou?" Pela expressão de Kelsey, parecia que o acordo havia sido fechado, embora com arranhões pelo caminho.
Também estava receosa — conhecendo o temperamento de Athena, era de se esperar algo assim.
Willow permaneceu ao lado dela, silenciosa, tentando manter a compostura. Não queria se mostrar óbvia nem parecer excessivamente preocupada.
Ficou ali, com um sorriso educado, mas os ouvidos em alerta, escutando cada palavra, ansiosa por captar cada detalhe.
Apesar da raiva por Athena, Kelsey não queria confrontar Eloise abertamente.
Então, quando Eloise perguntou, o tom de Kelsey amansou, e ela respondeu de modo vago: "Certo."
Foi uma admissão indireta, mas, justo quando Eloise e Willow acharam que o assunto estava resolvido, as próximas palavras de Kelsey fizeram seus corações vacilarem.

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