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A Ascensão da Menina Indesejada romance Capítulo 37

Eloise, sempre certeira em ler o ambiente, percebeu de imediato o desagrado de Gale em relação a Athena.

Apressou-se a intervir para apaziguar os ânimos. "Sua Alteza, é realmente uma honra a senhora ter encontrado um tempo na sua agenda tão cheia para nos visitar. Estou emocionada. Para a Athena ter chamado sua atenção — é uma bênção para a nossa família."

Enquanto falava, deu um leve puxão na manga de Athena. Athena abaixou a cabeça e respondeu, em tom baixo: "Sua Alteza, fico profundamente honrada."

O olhar de Gale pousou na postura respeitosa de Athena. Algo pareceu se agitar em sua expressão — talvez uma lembrança, talvez um pensamento — e um traço de resignação cruzou-lhe o rosto.

Ela ergueu ligeiramente a mão. "Podem se levantar."

Quando Athena ergueu a cabeça, a frieza nos olhos de Gale havia se dissipado. Havia um sorriso leve em seus lábios, embora não alcançasse os olhos.

Ainda assim, Gale desempenhava o papel com perfeição. Chegou a chamar Athena para mais perto, tomou-lhe a mão com calor, examinou-a de alto a baixo e ofereceu um elogio generoso. "Você é realmente uma jovem encantadora."

Athena sorriu — polida, porém distante. Sua expressão estava impecavelmente composta — agradável, mas desprovida de calor.

Pelo menos, à primeira vista, tudo parecia ideal. Para quem visse de fora, o encontro soaria afetuoso e harmonioso.

"Você e o Ray se conhecem desde a infância, não é? Tenho certeza de que vão se dar bem. Ele é dois anos mais velho, mas garotos podem ser imprudentes e meio ásperos.

"Ele vai precisar da sua paciência — da sua orientação", disse Gale, pesando cada palavra. "Mas, vendo como a Eloise a criou tão bem, estou certa de que você dá conta."

Athena percebeu o subtexto de imediato.

Não era um conselho amistoso — era uma ordem velada: cuide do meu filho. Tolere os defeitos dele. Seja uma esposa adequada. Administre a casa. Saiba qual é o seu lugar — e quando ficar calada.

Athena baixou o olhar e fez um aceno discreto de concordância. Havia muito tempo deixara de acreditar em fantasias românticas, e definitivamente não estava prestes a depositar esperanças em Ray. O tal conselho de Gale era desnecessário — nada que já não tivesse ouvido.

Ainda assim, sua modéstia pareceu agradar a Gale, que a contemplou com uma aprovação tênue.

Com Eloise encarnando a sogra calorosa e apoiadora, a cena inteira irradiava uma surpreendente sensação de harmonia — como se Athena já fosse a futura senhora da família McGee e os dois lados estivessem exultantes com o acerto.

Mas Athena sabia bem. Aquilo era só teatro.

Depois de mais algumas gentilezas, Gale por fim disse: "Antes de ir, leve este lenço para o Ray. Ele pegou um resfriado recentemente — não deve se expor ao vento."

O coração de Athena deu um salto. "Ray está aqui também?", pensou.

Instintivamente, voltou-se para Eloise. Eloise esboçou um sorriso leve, mas os olhos desviaram — culpados, esquivos.

Hoje deveria ser a festa de aniversário de Willow. E, no entanto, de alguma forma, tudo girara em torno de Athena. Num momento, ela estava lidando com Kelsey; no seguinte, fora convocada por Gale.

Sim, era evidente que Eloise queria vê-la casada. Mas Athena pensou: "Não está tudo rápido demais?"

E Gale — alguém tão sagaz e bem-relacionada — de jeito nenhum desconhecia a história completa.

Ela com certeza sabia que o noivado anterior de Athena não havia sido resolvido como devido. Ainda assim, avançava com uma proposta.

Athena se perguntou: "Por que tanta pressa?"

Athena seguiu em direção ao jardim para encontrar Ray — mas, antes mesmo de chegar lá, a encrenca veio ao seu encontro.

Matthew e Joseph — seus dois irmãos mais velhos — cruzaram seu caminho, ambos com expressões carregadas de reprovação, como se ela tivesse cometido um crime imperdoável.

"Eu assumo o que faço", disse Athena, impassível. "A Willow pode dizer o mesmo?"

A voz dela saiu fria, cortante até o osso. "Se ela tem algo a dizer, que venha falar na minha cara. E vocês dois — que tristeza. Se querem mesmo defendê-la, vão questionar lorde Osborne. Mas não, vocês vêm pra cima de mim. Por quê? Porque eu sou o alvo fácil."

Ela fez uma pausa e então lhes deu um sorriso de escárnio. "Ah, entendi. Vocês sabem que podem vir pra cima de mim sem sofrer consequência nenhuma. Mas o Michael? Aí é outra história. Ele talvez reaja. Quem sabe com um chicote."

As palavras dela bateram como um tapa, arrancando a capa do pouco orgulho que ainda lhes restava. Porque ela tinha razão — eles não ousariam encostar um dedo em Michael.

Matthew ardeu de vergonha, enquanto o rosto de Joseph se contorceu de raiva, oscilando entre o vermelho e o pálido.

Nenhum dos dois conseguiu dizer nada. Por um momento, ficaram ali, atônitos e sem fala.

Os punhos de Joseph se cerraram. Quando estava prestes a explodir, notou duas figuras se aproximando ao longe.

Um pensamento cintilou em sua mente. Sem aviso, empurrou Athena com força.

Ela cambaleou para trás. Atrás dela ficava a borda do lago do jardim — não era fundo, mas estava tomado de lama e lodo.

Athena não esperava que ele de fato pusesse as mãos nela, muito menos que fizesse algo tão mesquinho em público. O pé escorregou, e ela caiu direto na lama.

A sujeira espirrou para todos os lados — na roupa, no rosto, até no cabelo.

Risos ondularam entre os curiosos. Ela ficou ali, suja, encharcada e imunda, a cena lembrando com crueldade sua infância — os mesmos olhos maldosos, as mesmas risadas de deboche.

E então ficou pior. Porque, bem quando ela tentava se recompor, Michael e Willow surgiram — na hora exata para ver tudo.

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