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A BABÁ E O FAZENDEIRO VIÚVO romance Capítulo 113

Os dias começaram a passar rápido demais.

Entre consultas, repouso, pequenos desconfortos e momentos de riso inesperado, o tempo parecia correr sem pedir permissão. Minha barriga crescia a cada semana. Pesada. Redonda. Linda. Às vezes eu me pegava parada diante do espelho, passando as mãos devagar sobre a pele esticada, tentando conciliar dentro de mim duas realidades: a vida que crescia e a sombra silenciosa do tumor que ainda aguardava um veredito.

— Está pensando demais de novo — Adriano disse certa manhã, surgindo atrás de mim e envolvendo minha barriga.

— Só estou observando — respondi, olhando nosso reflexo no espelho.

Ele beijou meu ombro.

Foi numa dessas manhãs tranquilas que a campainha tocou.

Adriano foi atender, e eu ouvi uma voz feminina animada ecoar pela sala.

— Surpresa!

Meu coração reconheceu antes dos meus olhos.

— Catarina!

Ela entrou como um furacão de alegria, me abraçando com cuidado por causa das nossas barrigas. A dela já estava aparecendo.

— Olha você! Está enorme! — Catarina falou.

— Obrigada pela delicadeza — brinquei, rindo.

Leon apareceu logo atrás, sorridente, bronzeado da lua de mel.

— Não acredito que perdi esse crescimento todo. — ele falou.

— Vocês sumiram do mapa — Eu comentei.

— Lua de mel é para isso — Catarina respondeu, piscando.

— E como anda essa gravidez? — Adriano perguntou, abraçando a irmã.

— Tudo perfeito! É uma menina.

— Que maravilha, Catarina! — Eu a abracei. — Já tem nome?

— Ainda estamos decidindo, Leon falou.

A casa ficou cheia de energia. Era como se o mundo lá fora — exames, medos, incertezas — tivesse sido temporariamente suspenso.

— Vamos almoçar fora — Leon sugeriu. — Precisamos comemorar nossa volta.

— Eu topo — falei imediatamente.

Adriano me olhou avaliando.

— Está se sentindo bem?

— Estou. E quero sair.

O restaurante escolhido era elegante, mas descontraído. Catarina e eu ficamos na mesa enquanto Adriano e Leon disseram que precisavam “resolver uma coisa rápida”.

— Rápida quanto? — perguntei.

— Já voltamos — Adriano respondeu, beijando minha testa.

Assim que eles saíram, Catarina cruzou os braços e olhou o relógio.

— Vamos cronometrar.

— Você é impossível.

— Experiência de mulher.

— O que você acha que eles foram fazer?

Ela deu de ombros, mas havia um brilho estranho nos olhos dela.

— Coisas de homem.

— Isso não explica nada.

— Exatamente.

Rimos. Conversamos sobre a viagem. Ela descreveu praias, pores do sol, hotéis maravilhosos à beira mar.

De repente Catarina ficou séria e falou:

— Sabe, Marja, você fez um milagre no Adriano. Ele voltou a ser o mesmo homem de antes do acidente. Ele está feliz com você.

— Eu também estou feliz com ele, Catarina.

Os homens voltaram quarenta minutos depois. Sim, Catarina contou o tempo.

— Demoraram— Catarina observou.

— Trânsito — Leon respondeu rápido demais.

Adriano sentou ao meu lado, casual. Talvez casual demais.

O almoço começou animado. Entre risadas e histórias da lua de mel, a leveza dominava a mesa.

Em determinado momento, Adriano olhou para Leon com falsa seriedade.

— Você, Leon, não está numa situação privilegiada.

Leon levantou a sobrancelha.

— Por quê?

Adriano apoiou os cotovelos na mesa.

— Se você magoar minha irmã, eu quebro a sua cara.

Catarina gargalhou.

— Ele está falando sério — ela disse, ainda rindo.

Leon levantou as mãos em rendição.

— Eu jamais ousaria. Nunca vou magoar minha princesa.

Depois de mais risadas, Adriano ficou sério de novo.

— Vocês fizeram o certo, se casando logo. A família é a coisa mais importante.

Houve um pequeno silêncio respeitoso. Então Catarina se levantou de repente.

— Vou fazer uma ligação rápida.

Leon também se levantou.

— E eu vou ao banheiro.

Eu observei os dois se afastarem.

— Estranho — murmurei.

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