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A BABÁ E O FAZENDEIRO VIÚVO romance Capítulo 115

ADRIANO

A porta da sala de cirurgia se fechou diante de mim com um som seco.

Eu fiquei parado por alguns segundos olhando para aquela placa vermelha acesa — EM PROCEDIMENTO — como se, se eu encarasse o suficiente, ela fosse me devolver a minha esposa.

Minha esposa.

A palavra ainda parecia nova, preciosa demais para ser pronunciada num corredor frio de hospital.

Uma enfermeira tocou meu braço.

— O senhor pode aguardar na sala de espera. Assim que tivermos notícias, avisamos.

Notícias.

Eu assenti, mas não senti as pernas quando comecei a andar. Era como se meu corpo tivesse ficado para trás e apenas minha mente estivesse correndo, desgovernada.

Sentei numa poltrona de couro encostada na parede. As mãos então começaram a tremer, quando não havia mais ninguém olhando.

Durante todo o trajeto até ali eu fui o homem firme. O que ligou para o médico. O que dirigiu rápido. O que disse “vai dar tudo certo”. O que segurou o rosto dela e prometeu que ela ia acordar.

Mas agora não havia mais ninguém para quem eu precisasse mentir. Eu estava em frangalhos. Passei as duas mãos pelo rosto e senti o calor das lágrimas antes mesmo de perceber que estava chorando.

O hospital tinha aquele cheiro estéril que me fazia querer vomitar. Cheiro de lembrança. Cheiro de passado. Cheiro de perda.

E foi impossível naquele momento não me lembrar do acidente com Antonella grávida. Eu fechei os olhos.

E ali estava eu de novo. Outra mulher que eu amava. Outro filho do outro lado de uma porta fechada. Outro corredor branco.

Era como se a vida estivesse me levando de volta ao mesmo penhasco. Eu sentia isso com clareza absurda: estava à beira de um despenhadeiro.

Um passo.

Apenas um passo. E eu não sabia se aquele próximo movimento me levaria ao salvamento… ou à queda definitiva.

Apoiei os cotovelos nos joelhos e abaixei a cabeça.

— Não… — murmurei para mim mesmo. — Não de novo.

Eu tinha sido forte demais nos últimos meses. Forte quando Marja recebeu a notícia do tumor. Forte quando ela chorou no meu peito dizendo que tinha medo. Forte quando eu fingia dizendo para ela que aquilo não era nada.

Eu nunca mais havia dormido direito depois que o médico me disse a sós que aquele tumor no útero dela estava grande demais e tinha 90 por cento de chances de ser maligno. E que era tão prejudicial para ela quanto para o bebê. Infelizmente... ou felizmente, o resultado final ainda não havia saído.

Capítulo- 115 1

Capítulo- 115 2

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