Catarina e Leon- 05
Eu acordei mais leve do que tinha ido dormir.
A conversa com Leon na noite anterior tinha me deixado inquieta, mas pelo menos agora eu conhecia a verdade. Não havia mais aquele mistério rondando Matteo e Maia. A situação continuava grave, talvez mais grave do que eu imaginara, mas ao menos eu sabia o que estava acontecendo.
Ainda assim, quando abri os olhos naquela manhã, decidi que não passaria o dia pensando em problemas. Naquele horário o sol já entrava no quarto, através das cortinas finas. Ao meu lado, Leon ainda dormia. Por alguns segundos fiquei observando-o, em seguida inclinei-me e beijei seu rosto, bem pertinho da boca. Ele murmurou alguma coisa incompreensível. Eu sorri e falei:
— Continue dormindo.
Saí da cama sem fazer barulho. Olívia já estava acordada quando cheguei ao quarto dela. Minha pequena estava sentada na cama, abraçada a um coelhinho de pelúcia. Assim que me viu abriu um sorriso enorme.
— Mamãe!
— Bom dia, meu amor.
Peguei-a nos braços e recebi um abraço apertado em volta do pescoço. Era impossível começar mal um dia depois de um abraço daqueles.
[...]
Pouco antes do meio-dia ouvi o som de um carro chegando pela entrada principal da fazenda. Eu estava na varanda sentada numa cadeira de balanço, quando reconheci imediatamente a caminhonete. Meu coração se alegrou e eu me levantei.
— Não acredito...
Desci os degraus quase correndo, quando a porta do veículo abriu. E antes mesmo de ver os adultos, vi uma menina de nove anos, de cabelos escuros cacheados saltando para fora.
— Tia Catarina! — ela gritou de alegria.
— Cecília!
Ela correu em minha direção.
Abri os braços e a recebi num abraço apertado. Meu Deus, quando minha sobrinha tinha crescido tanto? A última vez que a vi ela ainda era uma criança pequena. Agora estava enorme. Já quase uma mocinha.
— Você ficou mais alta! — falei.
Ela riu.
— Você sempre fala isso, tia.
— Porque é verdade.
Logo depois Adriano apareceu. Meu querido irmão tinha a mesma expressão tranquila de sempre e o mesmo sorriso de felicidade. Abri os braços novamente.
— Irmão.
— Catarina.
Ele me abraçou forte e por um instante me senti novamente uma menina. Protegida. Segura. Em casa.
— Que saudade de você, meu irmão.
— Eu também senti muito a sua falta.
Então olhei para o carro e meu sorriso aumentou ainda mais quando vi Marja caminhando devagar na nossa direção, com a barriga arredondada da gravidez já bastante visível.
— Marja!
Corri para abraçá-la, mas com calma por causa da barriga.
— Catarina! Bom te ver.
— Você está linda, Marja.
— Mentira.
— Verdade. A gravidez sempre te deixa bonita.
— Vou acreditar em você. E esquecer que tenho espelho em casa.



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