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A BABÁ E O FAZENDEIRO VIÚVO romance Capítulo 126

Catarina e Leon-09

Eu acordei com a sensação estranha de que tinha dormido pouco.

Por alguns segundos permaneci imóvel, encarando o teto do quarto enquanto tentava organizar os pensamentos. A luz suave da manhã atravessava as cortinas, desenhando faixas douradas sobre os móveis. O silêncio ao meu redor era quase absoluto, interrompido apenas pelo canto distante dos pássaros.

Então me lembrei do dia anterior. A ligação de Carmen no restaurante, a raiva que senti ao ver Leon se afastar para conversar ao telefone, o gosto amargo que ficou depois e por fim, a minha briga com ele.

Eu não gostava de dormir brigada com meu marido. Não importava quantas razões encontrasse para justificar meu aborrecimento, no final das contas, eu odiava aquela sensação de distância entre nós.

Virei o rosto sobre o travesseiro. Foi quando senti o celular vibrar sobre o criado-mudo. A tela piscava. Estiquei o braço e peguei o aparelho. Era uma mensagem de Leon. Abri a mensagem e as palavras surgiram diante dos meus olhos: "estou indo para uma reunião na associação. Você é a mulher da minha vida. Eu te amo." Fiquei olhando para a tela e então comecei a sorrir. Foi tão ridícula a nossa briga e bastaram aquelas poucas palavras para toda a minha raiva desaparecer.

Balancei a cabeça.

— Você é impossível, Leon...

Minha voz saiu baixa, acompanhada de uma risada, enquanto passava os dedos sobre a tela do celular, me deleitando naquela frase: "você é a mulher da minha vida." Eu sabia que Leon não era um homem de fazer declarações grandiosas o tempo inteiro. Justamente por isso, quando ele falava algo assim, cada palavra ganhava ainda mais peso. A discussão da noite anterior parecia muito menor agora porque aquela mensagem me lembrava do que realmente importava.

Comecei a responder: "boa reunião, meu amor. Eu também amo você. Volte logo". Observei a mensagem por alguns segundos antes de enviá-la. Quando apertei o botão, senti uma leve felicidade aquecer meu peito. Aquela felicidade simples de amar alguém e saber que esse alguém também ama você.

Deixei o celular sobre a cama. Tudo parecia mais leve, até a luz da manhã parecia diferente. Fui até o banheiro, lavei o rosto, prendi os cabelos e troquei de roupa. Era curioso como algumas palavras tinham o poder de mudar completamente o rumo de um dia. Se eu tivesse acordado sem aquela mensagem, talvez ainda estivesse presa ao ressentimento da noite anterior, talvez continuasse revivendo a discussão, talvez procurasse novos motivos para permanecer irritada. Mas Leon tinha desmontado tudo isso em poucas linhas.

Terminei de me arrumar. Quando saí do quarto, caminhei pelo corredor em direção à escada e cheguei na cozinha com a certeza tranquila de que, apesar de todas as tempestades que surgiam pelo caminho, eu continuava sendo exatamente o que Leon havia escrito naquela mensagem: a mulher da vida dele. E ele continuava sendo o grande amor da minha.

[***]

Depois do café da manhã, resolvi aproveitar algumas horas de tranquilidade antes que a casa mergulhasse novamente na rotina habitual. Olivia brincava com Zezé e eu sabia que teria um pouco de tempo para mim.

Quando saí do casarão, o céu permanecia azul, mas algumas nuvens escuras começavam a surgir no horizonte. Fui seguindo pelo caminho de pedras até o estábulo. Alguns animais já estavam sendo escovados pelos tratadores e eu me aproximei da baia de Estrela, uma égua castanha muito bonita. Ela ergueu a cabeça imediatamente ao me ver. Passei a mão pelo seu pescoço macio e disse:

— Olá, menina.

O tempo passou sem que eu percebesse. Foi somente quando um trovão distante ecoou que levantei os olhos. As nuvens escuras tinham avançado muito rápido e o azul do céu praticamente desaparecera.

— Acho melhor voltar para casa — murmurei.

Comecei a caminhar em direção ao casarão. No início, apenas algumas gotas caíram pesadas, espaçadas. Mas bastaram poucos segundos para o céu literalmente desabar. A chuva veio de uma vez. Uma típica chuva de verão.

— Meu Deus!

Comecei a correr, mas o caminho até o casarão era longo demais e eu jamais conseguiria chegar sem ficar completamente encharcada. Olhei ao redor procurando abrigo. E foi quando avistei o galpão usado para guardar equipamentos e ferramentas da fazenda. Corri para lá e quando finalmente atravessei a entrada do galpão, já estava molhada. Os cabelos grudavam parcialmente no meu rosto. A blusa tinha recebido vários respingos. E foi então que ouvi uma voz atrás de mim:

— Parece que não sou o único refugiado por aqui.

Virei-me e encontrei Matteo encostado numa pilha de sacos de ração, observando a tempestade através da abertura lateral do galpão. Meu estômago se contraiu involuntariamente. Não por medo, mas por desconforto. Ainda assim, mantive a cordialidade.

— Não tinha visto você — falei meio desconcertada.

— Eu percebi. — Matteo sorriu. — A chuva roubou toda sua atenção.

Voltei a olhar para fora. A água agora caía em cortinas densas. O som das gotas batendo no telhado era ensurdecedor.

— Acho que vamos ficar presos aqui por algum tempo. — Matteo falou.

— Parece que sim — concordei com ele.

O silêncio se instalou por alguns instantes, mas Matteo pareceu decidido a preenchê-lo. Conversamos durante alguns minutos sobre assuntos sem importância: os cavalos, a fazenda, o clima, coisas banais. Nada que justificasse minha crescente sensação de inquietação.

E então ele disse inesperadamente:

— Eu lembro de você adolescente.

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