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A BABÁ E O FAZENDEIRO VIÚVO romance Capítulo 123

Catarina e Leon-06

Naquela manhã, acordei bem cedo e fiquei rolando na cama com preguiça de levantar.

A visita de Marja e Adriano no dia anterior tinha deixado a casa mais alegre. Além disso, era impossível não sorrir vendo os dois juntos. Eles se olhavam como duas pessoas que ainda estavam apaixonadas apesar dos anos, das dificuldades e agora da chegada de mais um bebê.

E ali na maciez daquele colchão gostoso, enrolada nos lençóis, ganhei um beijo de bom dia enquanto eu me espreguiçava. Olhei para Leon que já estava sentado na cama e falei:

— Você é o homem da minha vida, sabia?

— E você é a rainha do meu lar.

Fiz uma careta de desagrado.

— O que foi? — ele perguntou sério.

— Não gostei disso: “ rainha do meu lar” soa doméstico demais, como se eu fosse apenas uma dona de casa.

— Desculpa, meu amor. Acho que não sou muito romântico.

— Romântico você é — dei um sorriso largo. — Talvez você não seja muito bom com as palavras. Mas vem cá que eu te ensino.

Puxei ele pela camisa e o beijei intensamente.

— Essa é a minha garota. — Leon disse enquanto me erguia da cama e me carregava até o banheiro.

Naquela manhã tomamos um banho delicioso, lavamos o cabelo um do outro e fizemos amor no chuveiro.

[...]

Mais tarde, enquanto tomávamos café na mesa da cozinha, Leon falou:

— Tenho uma surpresa para você hoje — disse.

— Uma surpresa?

— Convidei Marja e Adriano para almoçar conosco.

— Por que não me avisou antes? Vou pedir para Nani preparar uma comida diferente hoje.

—Não se preocupe. Vamos almoçar fora. Os quatro.

— E para onde vamos?

Leon apoiou a xícara sobre a mesa.

— Vamos para a inauguração do restaurante do Pedro.

Franzi a testa.

— Quem é Pedro?

Leon soltou uma pequena risada.

— Pedro é filho de Sebastião de Castro.

— Ah... a família Castro. Quem não conhece? Principalmente pela fama ruim de “Don Sebastião de Castro”.

Falei com ironia. Porque Sebastião de Castro era um fazendeiro português muito rico e influente na região. Era o único que ainda insista em tratar os empregados como se estivesse no tempo da escravidão. Alguns ficavam por medo. Outros iam procurar emprego nas fazendas vizinhas. Eu jamais conseguiria entender pessoas que acreditavam que a riqueza lhes dava o direito de humilhar os outros.

— Agora sei quem é Pedro, mas não lembro direito dele. Ele é igual ao pai?

— Não. Pedro é um bom rapaz. Ele é totalmente diferente do pai.

Leon respondeu imediatamente. Depois tomou um gole do café e falou:

— Dizem até que recentemente Pedro saiu de casa porque ele e o pai já não se entendiam há muito tempo. Tudo começou depois que Sebastião proibiu o namoro dele com uma moça nativa do povoado, depois de humilhá-la.

— E o que aconteceu? — perguntei curiosa.

— A garota foi embora daqui. Mas Pedro nunca perdoou o pai pelo que ele fez e agora faz de tudo para manter distância.

— Esse Pedro já ganhou o meu respeito. Se fosse ele faria a mesma coisa.

— Como se eu já não soubesse que você é assim, Catarina.

— Assim como?

— Catarina, você é a pessoa mais rebelde, autoritária e intensa que eu conheço.

Fingi indignação e falei:

— Nunca diga isso na frente da Olivia.

Porque eu era tudo aquilo e muito mais. Eu sabia disso. Era o meu jeito, meu temperamento e eu não sabia ser diferente. Mas tinha que ser um exemplo de mãe para minha filha.

Leon sorriu.

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