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A BABÁ E O FAZENDEIRO VIÚVO romance Capítulo 125

Catarina e Leon-08

Assim que chegamos em casa fui direto para o banheiro. A água quente escorria pelos meus cabelos enquanto eu permanecia imóvel sob o chuveiro. Normalmente, aquele era o momento do dia em que eu conseguia organizar meus pensamentos. Mas naquele momento, não estava funcionando, porque toda vez que eu fechava os olhos, lembrava da mesma cena: o celular de Leon vibrando no restaurante e o nome de Carmen aparecendo na tela, em seguida ele se afastando da mesa para conversar com ela em segredo.

Fechei os olhos com força. Eu era consciente de que sentia um ciúme exagerado. Mas isso não tornava a sensação menos dolorosa. E eu não podia achar normal uma ex-esposa telefonar várias vezes ao dia para um homem casado.

Naquele momento, a porta do banheiro se abriu e Leon entrou. Continuei de costas. Tentando ignorá-lo.

— Catarina...

Não respondi. Mas ouvi o som de seus passos se aproximando. Em seguida a porta de vidro do box começou a se mover. Meu sangue ferveu instantaneamente e antes mesmo que ele entrasse, me virei e empurrei a porta com violência na direção dele.

— Sai daqui.

— O quê?

— Você ouviu.

— Catarina...

— Eu quero tomar banho sozinha.

Ele ficou me encarando por alguns segundos.

— Tudo bem — respondeu finalmente.

A porta do box se fechou e eu me virei novamente ficando de costas. Pouco depois ouvi seus passos se afastando. Então a porta do banheiro bateu. E o silêncio voltou. Por alguns segundos me senti satisfeita, mas depois me senti pior. Porque eu sabia exatamente o que estava acontecendo comigo. Não era raiva apenas. Era mágoa. Uma mágoa que eu vinha acumulando desde que chegáramos à fazenda.

Terminei o banho alguns minutos depois. Quando saí do banheiro usando um roupão, encontrei o quarto vazio. Olhei para a porta que ligava à outra suíte e ouvi o som da água caindo. Leon tinha ido tomar banho lá. Perfeito. Agora nós dois estávamos irritados.

Sequei os cabelos diante do espelho, tentando me convencer de que aquela discussão não valia a pena. Mas cada vez que tentava esquecer, lembrava novamente de Carmen. Do nome dela aparecendo na tela. Da expressão de Leon ao atender. Do fato de ele nunca parecer realmente incomodado com aquilo.

Quando terminei de me arrumar, a porta do outro banheiro se abriu e Leon entrou no quarto, com os cabelos ainda úmidos e a expressão séria. Ele parou diante de mim e falou:

— Agora você pode me dizer o que está acontecendo?

Continuei passando creme nas mãos.

— Estou me hidratando, não está vendo? — respondi com acidez.

— Não faz isso, Catarina.

— Fazer o quê?

— Você começou uma briga, agora finge que não existe problema.

Suspirei.

— Estou cansada, Leon.

Sua voz ficou mais firme.

— Isso não é cansaço.

Levantei os olhos.

— Então você já sabe a resposta.

— Quero ouvir de você.

Ri sem humor.

— Claro.

Ele cruzou os braços, esperando. Minha paciência acabou. Joguei a toalha sobre a cama.

— Eu juro que não aguento mais isso.

— Isso o que?

Olhei diretamente para ele. Meu coração batia acelerado.

— Ah... então não sabe? Como você é inocente!

Ele passou a mão pelos cabelos molhados. Claramente tentando manter a calma.

— Você está transformando uma situação normal em algo ruim.

Aquilo foi como jogar gasolina sobre fogo.

— Situação normal? Não seja cínico!

Ele mordeu o lábio. Eu continuei esbravejando:

— Então é normal uma ex-esposa ligar o tempo todo?

— Quando existem filhos envolvidos, sim.

— E quando esses filhos já são adultos?

Ele não respondeu imediatamente. E aquilo me irritou ainda mais.

— Viu? Você nem tem uma resposta.

— Matteo e Maia continuam sendo meus filhos.

— Eu nunca disse o contrário.

— Então qual é exatamente o seu problema?

A pergunta me atingiu em cheio.

— Você é um cara machista do caralho.

— Porque eu sou machista?

— Porque acha que eu tenho que tolerar o que está errado só para não contrariar o seu ego. Você me humilhou na frente do Adriano e da Marja, sabia?

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