Entrar Via

A BABÁ E O FAZENDEIRO VIÚVO romance Capítulo 121

Catarina e Leon- 04

Depois de toda aquela confusão durante o almoço, peguei minha filha e fui dar uma volta com ela para lhe mostrar a fazenda.

Fui andando devagar pelo caminho de terra que levava ao estábulo, segurando a mão pequena de Olivia.

— Vamos ver os cavalos, meu amor? — Perguntei.

—Obaa! — Ela praticamente pulava ao meu lado, incapaz de conter a animação.

Desde que chegáramos à fazenda, Olivia estava fascinada com tudo. Os campos enormes, os animais, os tratores, as galinhas correndo pelo quintal. Para uma menina tão pequena, aquilo devia parecer um mundo mágico.

Quando nos aproximamos do estábulo, ela soltou minha mão e correu os poucos metros que nos separavam da cerca.

— Cavalo! — Sua voz ecoou pelo local.

Dois cavalos levantaram a cabeça imediatamente, observando a pequena visitante. Olivia arregalou os olhos e sorriu. Aproximei-me da cerca e a peguei no colo para que pudesse enxergar melhor.

— É grande.

— É sim, meu amor.

— E bonito.

Nesse momento, um dos empregados apareceu dentro do estábulo e trouxe um cavalo manso até perto da cerca para Olivia vê-lo de perto. Minha filha estava encantada com o cavalo e eu encantada com a felicidade dela. Por isso levei alguns segundos para perceber a presença de outra pessoa.

Quando levantei os olhos, Matteo estava se aproximando. Meu sorriso desapareceu um pouco. Não por antipatia. Mas porque eu ainda não sabia exatamente como agir perto dele. Matteo parou ao nosso lado.

— Oi.

— Oi — respondi.

Olivia virou a cabeça imediatamente. Ela observou o jovem de cima a baixo. Depois olhou para mim.

— Mãe, quem é esse moço? — perguntou na linguagem infantil dela.

Respondi naturalmente:

— Ele é seu irmão.

Olivia piscou. Pareceu um pouco confusa, mas não fez mais perguntas. Matteo abriu um sorriso para ela.

— Oi, Olivia.

Ela escondeu metade do rosto no meu ombro. O que me fez rir. Mas poucos segundos depois a timidez desapareceu, como sempre acontecia. Olivia tinha a capacidade impressionante de decidir rapidamente quem merecia sua confiança. E aparentemente Matteo havia sido aprovado.

— Você gosta de cavalo? — ele perguntou.

— Gosto.

— Eu também.

Olivia criou rapidamente uma intimidade com Matteo. Ele começou a fazer caretas engraçadas, enquanto ela gargalhava. Depois ele fingiu que o cavalo estava contando segredos para ele. Olivia riu ainda mais. Logo estava conversando com Matteo como se o conhecesse há anos.

Observei os dois em silêncio. Naquele momento ele era apenas um rapaz tentando conquistar a simpatia da irmã pequena. E ele estava conseguindo, porque Olivia adorava atenção. Principalmente quando vinha acompanhada de brincadeiras bobas.

Por alguns minutos, tudo pareceu simples e normal. Mas então aconteceu. Matteo olhou para mim. E eu percebi de novo aquele olhar longo demais. Desviei os olhos imediatamente fingindo interesse nos cavalos. Quando voltei a encará-lo, ele já estava olhando para Olivia outra vez. Talvez eu estivesse exagerando. Talvez estivesse imaginando coisas.

Depois de mais alguns minutos, Matteo se despediu.

— Vou indo.

— Tchau — disse Olivia.

— Tchau, pequena. — Ele bagunçou os cabelos dela.

Em seguida lançou um último olhar para mim e foi andando na direção oposta ao casarão. Eu e Olivia deixamos o estábulo e começamos a caminhar de volta para casa.

Quando o casarão surgiu diante de nós, eu vi Maia sentada nos degraus da varanda, pintando as unhas dos pés, muito concentrada. Os longos cabelos escuros caíam sobre os ombros com algumas mechas balançando ao vento. Quando chegamos perto, Olivia se aproximou dela e perguntou inocentemente:

— Você é princesa?

Maia respondeu sem olhar para ela.

— Não.

— Mas você parece princesa.

Naquele momento os olhos de Maia encontraram os meus. Depois desceram para Olivia e imediatamente se encheram de irritação. Ela soltou um suspiro exagerado, fechou o frasco de esmalte, se levantou e disse:

— Crianças são muito chatas. Aff!!!

Meu queixo quase caiu. Olivia piscou sem entender. E Maia entrou na casa sem sequer olhar para trás. A porta bateu alguns segundos depois.

[***]

Naquela noite eu não conseguia dormir. A casa inteira parecia mergulhada em silêncio, mas dentro de mim havia um barulho constante: pensamentos, perguntas, incômodos. A tensão do almoço ainda pairava no ar.

Eu estava deitada ao lado de Leon, olhando para o teto escuro do quarto. A única iluminação vinha da luz fraca da varanda, que atravessava as cortinas e desenhava sombras suaves nas paredes.

Virei a cabeça e observei Leon. Ele estava deitado de costas, os braços cruzados sob a cabeça. Por alguns segundos pensei em continuar calada, mas não consegui.

— Leon...

Ele soltou um som baixo.

— Hum?

— As festas que ele frequenta são festas malucas onde no final todos saem embriagados e fazendo besteiras.

Entendi perfeitamente de que tipo de festa ele estava falando.

— A mãe dele me ligou há alguns dias. Semanas atrás ele saiu com amigos depois de uma dessas festas. Ele estava dirigindo bêbado.

— O que aconteceu?

Ele demorou a responder. Como se cada palavra fosse uma ferida sendo aberta.

— Ele atropelou uma mulher.

— Meu Deus! Ela morreu?

— Não.

Soltei o ar, mas o alívio durou pouco. Porque logo em seguida Leon acrescentou:

— Está no hospital em coma. E os médicos não sabem quando ela vai acordar... ou se vai acordar.

Senti um nó doloroso na garganta. Levei a mão à boca. Leon continuou:

— Carmen o mandou para cá porque o filho da mulher começou a ameaçá-lo.

— E Maia? Também é como ele?

— Maia é solitária, quase não tem amigos. Veio junto porque queria se livrar da escola, já que não gosta de estudar.

— Então você e Carmen estão escondendo Matteo aqui.

— Mais ou menos isso. Mas não estou protegendo Matteo das suas atitudes inconsequentes. Porque quando a poeira baixar ele vai voltar e responder pelo que fez.

Ele soltou uma risada amarga. As palavras saíram baixas, doloridas.

— Eu estou muito decepcionado com ele.

A voz dele saiu cansada. Como se carregasse o peso do mundo nos ombros. Porque ele estava tentando ser pai, resolver um desastre e manter a família unida ao mesmo tempo.

Aproximei-me. Segurei sua mão. Ele olhou para mim.

— Vai ficar tudo bem. Eu estou com você. Eu te amo — falei.

Leon apertou minha mão. Depois soltou um longo suspiro.

— Também te amo, Catarina. Espero que você esteja certa e que tudo fique bem.

Não havia certezas. Não havia garantias. Havia apenas uma família tentando atravessar uma tempestade.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: A BABÁ E O FAZENDEIRO VIÚVO