Eu não consegui chegar perto de Flora, eles a levaram para algum lugar, mas me garantiram que ela ficaria bem.
De acordo com Seth, lobisomens tem mesmo um organismo que se cura super rápido.
Seth, era um cara legal e tinha sido simpático até de mais comigo. Eu acreditava que parte disso poderia ser porque eu estava carregando o bebê da profecia, mas talvez estivesse errada, ele poderia apenar estar sendo ele mesmo.
— Está tudo bem por aqui? — a voz de Peta me tirou dos meus pensamentos e eu larguei o paninho sujo de sangue e especiarias que eu usava para limpar a ferida de Seth.
— Tudo sim.
— Tudo perfeito, chefe. — Seth aprumou a postura e deu um aceno com a cabeça.
— Que bom. Seth pode ir pra casa, garoto.
Encarei Peta, que dava a ordem tranquilo e falava com Seth como se ele fosse um adolescente. Mas então me lembrei que ele provavelmente tinha minha idade, e todos ali em volta eram mais velhos que nós.
— Sim senhor. Obrigado por cuidar de mim, Senhora do fogo.
Eu sorri com aquele apelido que ele me deu, eu não era senhora de nada, não tinha nem ideia como fazer fogo.
— De nada Seth. — ele saiu rapidamente e eu me virei para Peta, mesmo que soubesse que ele estava do meu lado, não tínhamos assunto. — Vou procurar por Alice. — me levantei do chão e quase cai sentada novamente. Mas os braços fortes de Peta me seguraram.
— Você comeu hoje?
— Eu estou bem, vou atrás de...
— Aposto que não, sua boca está branca, tenho certeza que isso não é por todo o sangue que viu aqui. — ele passou o braço em volta da minha cintura e me firmou ao lado do seu corpo. — Vamos, Alice está se recuperando, enquanto isso você come!
— Não precisa, Peta. Eu vou...
— Escuta, não me interessa o que meu irmão pensa e fala por aí. Você não está apenas carregando meu sobrinho, você é uma pessoa que ajudou nosso povo e merece todo o reconhecimento por isso, especialmente quando foi mais enganada do que ele nessa história. — ele sorriu e apontou para o caminho a nossa frente. — Vai me deixar te levar a pra comer?
Encarei o homem que me segurava, a determinação no seu olhar era contagiante, algo revirou no meu estômago quando me lembrei do quanto ele era parecido com o irmão.
— Espero que tenha algo bom pra comer aqui. — abri o sorriso largo, ele deu um fantasma de sorriso e me ajudou a sair de lá.
Peta me levou até a cozinha, as mulheres que estavam lá me ajudaram e colocaram uma montanha de comida a minha disposição.
Depois disso ele me levou ao andar de cima, o mesmo que eu tinha estado com Quanah um mês atrás.
— Você vai ficar nesse quarto. — Ele apontou para a penúltima porta do corredor. — Meu quarto está bem em frente o seu. Se precisar de alguma coisa, qualquer coisa, só me chamar.
Acenei em resposta e entrei no quarto no automático, mas não consegui deixar de pensar que o quarto no fim do corredor era dele.
Inferno, como tiraria ele da minha cabeça?
Tomei um banho quente e tentei não pensar no homem insuportável, mas qualquer lugar que meus pensamentos ia eu voltava a ele. Se pensasse no meu bebê era inevitável não pensar nele, se pensasse em toda a situação em que me meti levava até ele, até mesmo só de lembrar em Flora se transformando em uma loba eu não conseguia evitar de imaginar como deveria ser ele em forma de lobo.
Me joguei na cama pedindo que o sono chegasse logo e eu não pensasse em nada mais. Estava sobrecarregada e nem queria pensar em como seria pior quando começasse a treinar meus poderes.
Mas por sorte o sono me envolveu rápido e eu consegui descansar, mesmo que tivesse passado dias na cama, o sono dessa vez me pareceu tranquilo pela primeira vez em dias.
Acordei descansada e com as baterias recarregadas, rolei nos lençois com preguiça de levantar, mas o barulho do meu estômago roncando me obrigou a sair da cama e procurar alguma coisa pra comer.
Eu abri a porta e fui recebida pelo silêncio, não havia nenhuma alma viva no corredor.
Encarei a porta de madeira do quarto de Quanah e uma vontade insana de entrar lá me invadiu. Me aproximei a passos curtos, tentando ser o mais discreta possível.
Meus dedos tocaram a maçaneta, mas claro a porta estava trancada, eu deveria ter imaginado isso.
— Procurando alguma coisa? — a voz inconfundível dele ressoou no corredor, arrepiando todos os pelos do meu corpo e me deixando em alerta.
— Curiosidade. — respondi sem me virar, eu não tinha coragem de encará-lo agora que fui pega tentando entrar no seu quarto.
Senti seu corpo perto do meu, o calor que emanava dele me atingiu, eu não ouvi seus passos silenciosos, mas não demorou para que seu peito duro estivesse contra minhas costas.
Se eu fosse para frente estaria encurralada entre seu corpo e a madeira.

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