Eu estava encarando Quanah e Peta, os dois homens tão parecidos na aparência, mas tão diferente em todo o resto. Enquanto Quanah me fulminava com os olhos, Peta estava calmo esperando por minhas respostas.
— Porque acha que ele mentiria? E eu não estou excitada, não sabe do que está falando.
Desci do carro irritada por estar no canto sendo interrogada, não ia ficar ali deixando que eles me intimidassem daquele jeito.
Só então notei onde estávamos, um estacionamento em frente uma parada de ônibus. Não via ninguém em volta, parecia até um lugar abandonado, mas pelas sacolas na mão de Peta eu podia dizer que tinham parado pra comprar comida.
— Esqueceu da nossa conexão? Consigo sentir tudo o que acontece com você! Estamos ligados porra, assim que aquele desgraçado colocou as mãos em você eu senti. — ele bradou as palavras, eu tinha me esquecido disso. — Isso sem falar no cheiro da sua excitação que eu não sou o único a sentir.
Merda, eu tinha esquecido completamente daquilo, não podia nem me defender e dizer que tentei lutar ou que o empurrei. Na verdade eu nem tinha resistido, tinha deixado que ele me encurralasse e me beijasse.
Mas ele estava exagerando, não tinha tido tempo para isso, ainda sim o homem parecia prestes a matar alguém, só por eu ter sido beijada em um sonho. Não sei se ficava lisonjeada ou preocupada.
— Vocês podem discutir isso outra hora, agora vamos focar no que está acontecendo aqui. — Peta interveio parando qualquer mentira que eu estivesse inventando. — O que ele disse exatamente pra você?
— Eu já disse, ele falou que Louis e meu pai fizeram um pacto, me entregaria assim que chegássemos lá...
— Confio no Louis mais do que confio nesse demônio das trevas! — aquilo não podia ser verdade, ele tinha dito que o vampiro não era confiável.
— Você não está sendo racional Quanah, está colocando seus sentimentos a frente do óbvio. — Peta tentou colocar um pouco de bom senso na cabeça dele.
— Que óbvio hã?
— Ele não deixaria que eu me machuque, ele não faria nada para que algo de ruim acontecesse comigo, desde o começo, mesmo com todos os ataques, Nikolai colocou minha segurança como prioridade.
— Nikolai? Agora você vai chamar o porra pelo nome? — ele explodiu novamente, socando a lataria da caminhonete sem se importar em deixar um amassado enorme. — Ele enviou aquelas coisas atrás de você, atacou nosso filho e agora vai ficar do lado dele?
— Não tem lados aqui, Quanah! Estou repassando o aviso que ele deu, você perguntou o que ele queria aqui e foi isso, avisar que o seu amigo armou uma emboscada!
Eu não estava no clima para discussão, ele podia estar com raiva por Nikolai ter me beijado outra vez, mas tudo o que eu conseguia pensar no momento era no meu pai. Ele estava na nossa cola e aparentemente estava um passo a nossa frente.
— Eu não confio nele, pode ser uma armadilha para que você vá até ele em busca de respostas!

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