Dominic permanece imóvel, seu maxilar travado com tanta força que chega a doer. A compreensão do que aconteceu, do que seu próprio irmão fez, começa a tomar forma em sua mente como um veneno se espalhando. Suas mãos se fecham em punhos ao lado do corpo, numa tentativa desesperada de manter o controle que ameaça escapar a cada segundo.
— O que exatamente. — Dominic começa, cada palavra carregada de uma raiva contida. — Aconteceu quando ele esteve aqui? — Pergunta, dando um passo em direção a ela, seus olhos escurecidos de uma forma que faz Vivienne recuar instintivamente, entrando rapidamente no apartamento.
— Acho melh…
— Não! — Corta, erguendo a mão num gesto brusco. — Quero cada maldito detalhe. — Exige, suas palavras saindo entre dentes cerrados.
— Eu realmente pensei que fosse você. — Vivienne afirma, sua voz tremendo ligeiramente. — O perfume, a maneira de se ex… — Interrompe, percebendo que cada palavra parece apenas aumentar a fúria dele.
Dominic se vira bruscamente, socando a parede ao lado da porta com tanta força que Vivienne solta um pequeno grito de susto. O som do impacto ecoa pela sala, mas ele mal registra a dor que se espalha por seus dedos.
— Aquele filho da… — Interrompe, fechando os olhos com força, tentando recuperar um mínimo de controle. Quando os abre novamente, há algo diferente em seu olhar, algo mais frio. — O que mais ele fez, Vivienne? — Pergunta, virando-se para ela com um tom de voz elevado.
— Você quer parar! — Grita, sua voz carregada de uma mistura explosiva de medo e raiva pelo julgamento implícito dele. — Vocês são iguais! Ele estava usando lentes, o mesmo perfume, falando as mesmas frases, se portando exatamente como você. Como eu poderia imaginar? — Questiona, defendendo-se de uma acusação que nem sequer foi feita.
— Peço desculpas. — Dispara, suavizando o tom de sua voz de maneira inesperada, como se uma leve tensão se dissipasse. — Não estou brigando com você, nem era essa a impressão que queria passar. — Afirma, suas palavras carregadas de sinceridade. — Por favor, me conte o que aquele infeliz fez para despertar todo esse ressentimento de sua parte. — Pede, seus dedos se fechando com firmeza, como se já estivesse antecipando a resposta que teme ouvir.
— Bem, ele… — Começa, o constrangimento tingindo suas bochechas de vermelho. Passa por ele rapidamente e fecha a porta, mas ao se virar, percebe seu erro. Está presa entre a porta e o corpo dele, o espaço entre eles é tão pequeno que pode sentir o calor emanando dele.
— Me desculpa. — Murmura, contra seus cabelos, seus dedos deslizando suavemente pelos cachos dela. Seu queixo repousa levemente sobre a cabeça dela, enquanto processa a gravidade do que Noah fez. Ela nem precisou concluir a frase, o simples fato dele ter continuado após ela pedir para parar já diz tudo. — Ele te machucou? — Pergunta, num tom baixo e controlado, mas há uma nota perigosa em sua voz, uma ameaça velada do que faria se a resposta fosse afirmativa.
— Não. — Murmura, baixinho, apoiando a cabeça no peito dele, o som dos batimentos acelerados sob seu ouvido trazendo um estranho conforto. — Após eu arranhar o pescoço dele, consegui criar uma distância entre nós. — Informa, num fio de voz, sentindo o abraço dele se intensificar instantaneamente.
— Prometo que não permitirei que ele faça isso novamente. — Afirma, com uma convicção férrea, depositando um beijo suave em seus cabelos. O gesto, tão diferente do Dominic sarcástico e controlador que ela conhece, desperta algo estranho em seu peito, não é ruim, mas é intenso demais para definir. — O farei pagar por isso. — Conclui, afastando-se apenas o suficiente para encará-la. Há algo diferente no olhar dela agora, um brilho que ele não consegue decifrar completamente.
— Você não precisa se desculpar. — Declara, seus dedos brincando distraidamente com as pontas dos cachos, seus olhos percorrendo o ambiente como se evitassem propositalmente o olhar intenso dele. — Não foi você quem errou, foi o Noah. — Acrescenta, com firmeza, deixando claro que ele não precisa carregar o peso das ações do irmão.
— Você precisa aprender a diferenciar nós dois. — Começa, num tom grave, aproximando-se ainda mais, seu corpo pressionando o dela contra a porta. — Evidente que a heterocromia não foi suficiente. — Declara, um tom de raiva escapando em sua voz ao pensar na ousadia de Noah em se passar por ele. — Assim como nossas vozes, têm nuances diferentes. — Afirma, num sussurro rouco contra o ouvido dela, seus lábios roçando levemente a pele sensível. Um arrepio percorre a espinha de Vivienne com a proximidade. — Noah sempre vacila quando confrontado, sua postura é de um garoto. — Acrescenta, notando como ela absorve cada palavra, cada diferença que ele aponta, seu corpo respondendo instintivamente à presença dele. — E se você permitir. — Sua voz desce mais um tom, tornando-se ainda mais sedutora, enquanto seu polegar traça o contorno do lábio inferior dela. — Posso te mostrar a diferença entre o beijo de um homem e o de um moleque. — Sussurra, observando com satisfação predatória quando os lábios dela se entreabrem em antecipação. Seus dedos deslizam pela bochecha dela numa carícia deliberadamente lenta, arrancando mais arrepios. Seus olhares se encontram e travam um no outro, o dela cheio de expectativa e desejo contido, enquanto o dele procura minuciosamente qualquer sinal de hesitação.

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