Assim que entra no quarto, Dominic segue diretamente para a cômoda, seus passos precisos e deliberados. Ele pega o celular com movimentos automáticos, os dedos navegando rapidamente pela tela, enquanto digita uma mensagem. Sem hesitar, seleciona um número na lista de contatos e inicia uma ligação.
Ao adentrar o closet, posiciona o aparelho no viva-voz sobre uma prateleira, permitindo que suas mãos fiquem livres para iniciar sua impecável rotina de vestimenta.
— Bom dia, senhor Muller. — A voz de Finn ecoa pelo ambiente.
— Finn, necessito de todas as gravações existentes de qualquer câmera nas proximidades do endereço que lhe enviei, a partir da data especificada. — Dominic instrui, seus dedos trabalhando meticulosamente nos botões da camisa branca. — Verifique a existência de câmeras no próprio edifício e, caso positivo, inclua tais registros. — Continua, metodicamente, dobrando as mangas até o cotovelo em movimentos calculados. — Naturalmente, restrinja-se às imagens que mostrem a movimentação em frente ao prédio. — Acrescenta, provocando um resmungo de seu amigo.
— Posso indagar o motivo de tal solicitação? — Questiona, ciente da data coincidir com a descoberta da paternidade.
— Apenas execute sua função. — Afirma, a voz cortante e sem espaço para réplicas. Com um toque firme, encerra a ligação, deixando o ambiente em silêncio por um instante, enquanto guarda o celular no bolso interno do colete.
Enquanto isso, na sala de jantar, Vivienne brinca distraidamente com o garfo, movendo as frutas de um lado para outro em seu prato, recriminando-se mentalmente por sua paralisia, por não reagir conforme desejava.
— Que droga! — Resmunga para si mesma, o metal do garfo tilintando contra o vidro. — Por que não reagi? — Questiona-se, a raiva por sua própria vulnerabilidade crescendo.
— Porque você é meramente uma gatinha assustada. — A voz de Grant invade o ambiente, carregada de uma satisfação cruel. Antes que Vivienne consiga reagir, ele a encurrala com um movimento ágil, seus braços firmes passando por cima dos ombros dela e suas mãos pousando na mesa, bloqueando qualquer tentativa de fuga, enquanto a prende em um cerco impiedoso. — Sabe, sempre admirei pessoas inteligentes. — Continua, sua voz falsamente paternal. — E você, minha cara, mostrou inteligência ao ficar calada. — Acrescenta, seu hálito perturbando um fio de cabelo próximo ao rosto dela. — Presumo que já tenha percebido a natureza complexa do relacionamento entre meu neto e eu. — Comenta, notando a tensão crescente no corpo dela. — Entretanto, posso lhe assegurar com certeza, caso ouse pronunciar qualquer palavra inadequada, sua condição gestacional não alcançará sequer o terceiro mês. — Murmura, sua voz baixa e carregada de ameaça, enquanto se inclina levemente, aproximando o rosto do ouvido dela. — Não me importo em causar alguns danos a você ou aos bebês, se for necessário. — Garante, cada palavra fria e sombria, ecoando como uma sentença. Suas mãos apertam a mesa com força, como se para reforçar que a resistência seria inútil. — Então, faça o que lhe cabe, senhorita Bettendorf, e não teste minha paciência.
— Apenas buscava uma xícara de café, meu filho. — Grant responde, com casualidade, sequer se dignando a disfarçar a evidente inverdade.
— Retorne ao escritório. — Ordena, notando como Vivienne mantém seu olhar fixo em Grant com uma intensidade perturbadora. — Imediatamente, senhor Muller. — Reitera, com autoridade, fazendo o avô erguer as mãos num gesto de rendição sarcástico, se retirando em direção ao escritório. — Então, vai finalmente compartilhar a verdade? — Dominic questiona, a voz cortante, uma tensão visível em cada palavra. Seus olhos, intensos, fixam-se nela, observando cada pequeno detalhe de sua expressão.
— Bem, como o senhor Muller já esclareceu, ele meramente buscava uma xícara de café. — Vivienne responde, com indiferença, reassumindo seu lugar à mesa.
— Você precisa cessar imediatamente essa insistência em me apresentar inverdades. — Vocifera, aproximando-se da mesa e arrancando o garfo com força, lançando-o descuidadamente entre os pratos. — Compreenda de uma vez por todas que você está inserida em um ambiente perigosamente hostil. — Dispara, observando-a morder os lábios num gesto que, diferente das outras vezes, não denota desejo, mas uma irritação que espelha a sua própria. — Porra! — Resmunga, percebendo a determinação dela em manter seu silêncio. Com passos pesados de fúria, abandona a sala e dirige-se ao escritório, escancarando a porta com força deliberada. — Irei indagar apenas uma única vez. — Afirma, fechando a porta com a mesma intensidade com que a abriu. Seus passos meticulosamente medidos em direção à mesa, enquanto observa o avô em sua posição de poder habitual. — O que exatamente o senhor fez a ela? — Questiona, sua voz carregando décadas de íntimo conhecimento sobre os métodos insidiosos do patriarca. — Sugiro fortemente que pondere sua resposta com extremo cuidado. O senhor está plenamente ciente das consequências de uma eventual inverdade, caso eu a descubra. — Adverte, apoiando as mãos sobre a mesa numa demonstração de dominância, enquanto encara o avô de cima. Grant, por sua vez, mantém sua característica máscara de impassibilidade diante das palavras carregadas de seu neto.

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