Noah adentra a mansão como uma tempestade descontrolada, seus passos ecoando pelos corredores, enquanto palavras de ódio escapam por seus lábios machucados. Na sala, sua fúria encontra vazão na destruição metódica de tudo que encontra, cada objeto quebrado é um reflexo do que sente ao ver Dominic com a mulher que acredita ser sua.
— Por que ele sempre toma tudo que me pertence? — Noah vocifera, com desespero mal contido, o movimento brusco, arrancando um gemido agudo quando sua mandíbula fraturada protesta violentamente.
— O que significa essa demonstração patética de selvageria, Noah? — Grant questiona, com frieza, adentrando a sala como uma expressão de desaprovação, enquanto observa os caros objetos decorativos em pedaços no chão.
— Me deixe em paz, vovô. — Exige, com uma coragem nascida do desespero, tentando escapar para seu quarto apenas para ser detido pela mão impiedosa do avô em seu braço.
— O que foi que você disse, seu pirralho insolente? — Questiona, arrastando-o pela sala e arremessando-o violentamente contra uma poltrona. — Estou exausto dessas atitudes deploráveis de vocês. — Declara, sua presença, uma ameaça sobre Noah. — Você ainda vive sob minha benevolência, consome meus recursos, implora minha proteção quando suas incompetências o alcançam. Não ouse me desrespeitar! — Adverte, com uma calma mais aterrorizante que qualquer grito, acomodando-se no sofá e abrindo sua caixa de charutos com precisão.
— Me perdoe, vovô. — Murmura, com a submissão aprendida por meio de anos de condicionamento, ajustando-se desconfortavelmente, enquanto sua mandíbula pulsa com dor renovada. — Não pretendi ofendê-lo, apenas estou chateado. — Justifica, mantendo a postura dócil que o avô sempre exigiu dele.
— Sirva-me uma dose de uísque. — Ordena, preparando seu charuto com movimentos precisos. — Estou no meu limite com vocês dois. Detesto ter minhas tardes de sábado desperdiçadas com reuniões inúteis, e Dominic me forçou a exatamente isso ontem antes de me humilhar publicamente diante dos acionistas. — Reclama, com fúria controlada, observando Noah servir sua bebida com mãos que tremem de medo e raiva. — Está na hora de você se tornar o homem que moldei, Noah! — Dispara, cada palavra transbordando exigência. — Chega de ser o saco de pancada particular de Dominic, entendeu? — Questiona, a pergunta saindo mais como uma ordem, uma verdade irrefutável, mas há algo mais escondido ali, uma camada de intenção que Noah sente, mesmo sem entender completamente.
— Sim, senhor — Concorda, mesmo sem compreender as verdadeiras intenções por trás das palavras do avô.
— Não desperdice meu precioso tempo. Qual a verdadeira origem dessa crise infantil? — Pergunta, girando o líquido âmbar em seu copo, enquanto saboreia uma longa tragada de seu charuto importado, cada gesto uma demonstração estudada de poder.
— Dominic está transando com Vivienne. — Informa, com voz derrotada, desabando na poltrona como uma marionete sem cordas. Sua dor se transforma em fúria quando uma risada cruelmente sarcástica escapa dos lábios do avô.
— Noah, você não está mentindo para mim, está? — Insiste, seus olhos de predador analisando cada tremor microscópico do neto.
— Não, vovô. O que aconteceu é exatamente o que o senhor sabe. — Reafirma, mordendo o interior das bochechas para manter qualquer hesitação longe de sua voz.
— Noah, mostre ao seu irmão que você não é mais aquele garoto fraco. — Ordena, cada palavra é um gatilho cuidadosamente planejado. — Afinal, Dominic sempre toma o que é seu, não é mesmo? A história se repete como uma maldição, primeiro ele roubou aquela mulherzinha que você tanto prezava, agora está com essa outra. — Comenta, ciente de que a menção ao passado injetará mais veneno no coração do neto. — Faça com a senhorita Bettendorf o mesmo que fez com ela. Que tal uma conversa íntima no topo de uma escada? — Sugere, com uma risada que faz o sangue gelar, depositando o charuto no cinzeiro, enquanto observa o rosto de Noah transformar-se numa máscara de compreensão sombria. — Existem infinitas possibilidades, meu filho. Acidentes acontecem todos os dias. — Conclui, deixando a sala com elegância, um leve sorriso curvando seus lábios ao perceber que havia plantado, com precisão, mais sementes de ódio entre os irmãos.
— Vovô está certo, você não merece ser feliz, Dominic. Não com o que é meu. — Murmura, a voz, um sussurro envenenado, mas forte o suficiente para ecoar em sua mente. Os pensamentos fervem, consumidos pela manipulação de Grant e pelo ódio que cresce dentro dele como um incêndio descontrolado. Ele aperta os punhos, as unhas cravadas na palma de suas mãos, enquanto o rosto de Dominic surge em sua mente, radiante com algo que ele acredita pertencer a si mesmo. — Se você acha que pode roubar minha felicidade, irmão, está muito enganado. — Murmura, como se prometesse em voz alta o que já sabia em seu coração, faria Dominic pagar.

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