Vivienne encara o olhar de Dominic, sua proposta infiltrando-se em seu coração como uma promessa tentadora de uma vida diferente, uma vida ao lado do pai de seus filhos, do homem por quem seria assustadoramente fácil se apaixonar. Ela sorri e se inclina, unindo seus lábios num beijo que transcende o desejo físico, carregando promessas silenciosas de algo que a assusta por sua intensidade.
— Tentador. — Vivienne sussurra, ofegante, tentando se levantar apenas para ser mantida firmemente em seus braços que parecem mais quentes que o normal. — Mas estou feliz com a vida que construí aqui. — Acrescenta, observando a expressão dele endurecer, enquanto gotas de suor começam a formar-se em sua testa.
— Que vida exatamente? — Dominic questiona, com uma frieza que contradiz o calor que emana de seu corpo, observando a surpresa indignada tomar conta do rosto dela. — O que você tem aqui que não poderia ter nos Estados Unidos? — Pergunta, afastando os cachos do rosto dela com dedos que tremem levemente.
— Um trabalho, amigos, uma fa… — Interrompe a própria fala, quando uma risada amarga escapa dos lábios dele. — Qual é o seu problema? Por que, num momento, você constrói algo tão perfeito, como se fosse seu único objetivo, e no instante seguinte, destrói tudo como se não significasse nada?
— Você precisa de muito mais que isso, senhorita Bettendorf. — Adverte, sua voz rouca, enquanto o mundo começa a girar violentamente ao seu redor. — Muito mais para fugir do que realmente quero saber. — Declara, mantendo-a firme apesar de seu próprio corpo parecer lutar contra ele. — Ainda não autorizei sua recontratação, então não tem emprego. Amigos? No máximo uma. Família? — Faz uma pausa que parece rasgar algo dentro dele. — Não aqui. Então, apenas responda à verdade, por que não quer se mudar?
— Porque minha vida está aqui. — Repete, obstinadamente, cada palavra dele, atingindo-a como uma punhalada. — Por que está sendo tão cruel? — Pergunta, tentando se libertar de seu aperto, sua irritação crescendo, enquanto ele a mantém presa contra seu corpo que queima como brasa.
— Não estou sendo cruel. — Responde, fechando os olhos como se o simples ato de mantê-los abertos fosse doloroso demais. — A verdade precisa parar de ser vista como crueldade. — Continua, sua voz falhando perigosamente, enquanto seus dedos trêmulos encontram o rosto dela, buscando desesperadamente conforto em seu toque, como se fosse sua última conexão com a realidade. — Seja sincera, apenas por hoje, por favor, pequena. — Murmura, numa súplica que parece rasgar algo dentro dele, seus olhos febris encontrando finalmente os dela com uma intensidade que faz seu coração falhar uma batida.
— Dominic, por que est… — Para, ao vê-lo se apoiar pesadamente na porta do quarto, seu rosto pálido exceto pelas bochechas febris. — Você está bem? — Pergunta, com terror crescente na voz, tentando se aproximar apenas para ser repelida por uma mão que treme violentamente.
— Saia da minha casa. — Repete, com uma frieza que contrasta com seu estado visivelmente debilitado. Ele praticamente colapsa contra a porta do banheiro, batendo a porta com uma força que parece drenar suas últimas energias, deixando Vivienne paralisada pela preocupação que agora supera qualquer confronto.
— Dominic? — Chama, a voz quebrada, como se cada palavra fosse arrancada à força de sua garganta. Seus dedos se fecham em torno da maçaneta com uma força desesperada, mas a porta continua impenetrável, resistindo à sua angústia. Do outro lado, o som de algo pesado caindo no chão reverbera como um estrondo que perfura seus ouvidos, gelando seu sangue. — Ai, meu Deus. — Berra, os olhos se arregalando em terror absoluto. Cada fibra do seu corpo treme, uma sensação de pavor tão avassaladora que a impede de pensar, de raciocinar. A certeza se instala com uma brutalidade cruel, Dominic caiu. — Abra, Dominic! Por favor, abra! — Grita, batendo na porta com tanta força que suas mãos começam a arder, mas ela não sente. Nada mais importa além dele. A porta permanece fechada, a madeira fria, zombando do seu desespero. As lágrimas caem livremente, quentes e amargas, misturando-se com a raiva que agora explode dentro dela. — Não faça isso, Dominic! — Implora, sua voz agora é uma mistura de gritos e súplicas, os dedos machucados pela força das batidas que não parecem chegar a lugar algum. O terror a engole, a sufoca. Ela sente como se fosse se partir em mil pedaços, incapaz de respirar, incapaz de se mover, enquanto o peso do silêncio do outro lado da porta se arrasta como um monstro que a devora por dentro. A raiva, a angústia, a impotência, tudo se mistura numa dor insuportável.

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