Duas semanas se passaram, neste período, Sara se aproximou ainda mais de Tyler, vários abraços trocados, recomendações de livros, conversas bobas, momentos que ele se pegou feito bobo a assistindo brincar com Rei ou com Julie, mas também houve momentos de introspecção, Sara respeitou o momento dele, na vez dela, ele lhe ofereceu apoio, companhia, mesmo que em silêncio, ele também a acompanhou a clinica outras vezes, sempre a seu lado nos momentos de mal estar durante a medicação, aquilo fazia bem a Sara, ela se sentia bem e acolhida por ele, mas era bem mais que isso, ela sentia que ele estava ocupando em sua mente bem mais que o lugar de alguém que apenas havia lhe comprado.
Naquela manhã, Sara levantou-se, com um sorriso nos lábios fez sua higiene matinal, em seguida retirou tudo que havia em seu guarda roupas, e uma a uma começou a experimentar as peças, a cada uma, uma decepção, não estava em busca do melhor look para dia ou ocasião, apenas algo que servisse, mas nenhuma lhe servia mais, nada fechava, o único que seguia lhe servindo era o vestido que Tyler havia lhe dado e naquele dia ele estava para lavar, Sara havia ganhado quase seis quilos, ainda que o ganho tivesse sido pouco perceptível aos olhos, nas roupas se podia notar bem. Sara sentou-se na cama e respirou fundo, não sabia o que fazer, mas só tinha uma opção, falar com Tyler, lhe pedir algo para vestir, ou então ficaria sem roupa. Com seu corpo envolto na toalha, Sara seguiu até o quarto de Tyler, logo ela bateu na porta e chamou por ele.
– Tyler…
– entre Sara. – disse ele, logo ela abriu a porta e passou pela mesma, se deparando com Tyler bem ao meio do quarto, tudo que tinha em seu corpo era uma tolha enrolada em sua cintura, Sara paralisou, suas bochechas ficaram vermelhas, então ele sorriu. – precisa de algo passarinho?
– sim, depois eu volto, não sabia que estava se trocando.
– tecnicamente não estou, pode falar, passarinho.
– melhor não, eu volto depois…
– está tudo bem passarinho, e estamos quites, você também está de toalha. – disse ele se aproximando.
– tudo bem…é que estou com um problema. — disse ela nervosa.
– qual? – ele perguntou enquanto envolvia a cintura dela com seus braços a deixando colada a seu corpo, o que até a fez gaguejar.
– é que…minhas roupas. – disse ela, então travou olhando o corpo dele quase despido a centímetros do seu, não estava assustada nem nada do tipo, mas estava nervosa, nunca havia tido um contato daquele tipo com um homem.
– o que tem suas roupas? – ele perguntou encarando os lábios dela.
– não servem mais, eu acabei engordando, nenhuma fecha mais, pode me emprestar uma roupa sua, pode ser velha, eu não me importo…desculpe. – disse ela baixando a cabeça.
– não tem que se desculpar por isso, você é linda, está linda e saudável. – Tyler acariciou o rosto dela, em seguida uniu a testa a dela. – espero que um dia veja a magnitude da sua beleza, da sua perfeição. – ele sussurrou enquanto seus dedos deslizava na curva da cintura dela, naqueles dias haviam tido diversos momentos parecidos, onde por vezes quase se beijaram, naquele momento não puderam se conter, Tyler depositou um selinho no lábio inferior dela, em seguida deu início a um beijo lento, Sara logo pegou o ritmo e seus lábios deslizavam contra os dele, de forma lenta e precisa, quando o ar acabou, ambos respiravam ofegantes, mas logo se prenderam em mais um beijo, desta vez um pouco mais intenso, a língua dele adentrou na boca dela e deslizou com precisão, ao fim de mais um beijo, ele suspirou, então se pronunciou.
– desculpe se fui invasivo demais, eu não podia mais me conter, tinha que provar esses labios. – disse ele enquanto os tocava com a ponta do dedo indicador.
– tudo bem…eu gostei.
– eu vou pegar algo pra você vestir, e vou dar um jeito na questão das suas roupas. – disse ele já se afastando, sabia que se ficasse mais um segundo com ela em seus braços, não seria mais dono de seus atos, e tudo que ele não queria era assustá-la ou fazê-la sentir-se abusada uma vez mais, então ele se afastou e foi até seu closet, em poucos minutos voltou trazendo consigo uma moletom, composto por uma blusa e uma calça, e entregou a ela.
– obrigada. – disse ela um tanto sem graça, mas em seus lábios havia um sorriso.
– não me serve mais, ainda sim acho que vai ficar bem grande em você.
– não tem problema…bom, eu vou indo. – disse ela, em seguida saiu apressada, ele riu, após a saída dela e sentou-se na cama.
– porra, nos beijamos, e foi bom pra caralho. – ele disse a si mesmo, ao olhar para baixo, se deu conta que estava excitado, ele suspirou se repreendendo, não queria vê-la daquela forma, mas seu corpo havia respondido ao dela de forma intensa. – calma amigão, ela não é pra você. – disse ele, então sentiu certa frustração, aquele beijo havia sido tão delicioso, mas tinham impedimentos, Sara não era como as mulheres que ele costumava transar e depois descartar, ela tinha um passado trágico e traumatizante que comandava suas atitudes, seus pensamentos, para ter algo mais dela teria que se empenhar demais, se entregar demais, e isso era algo que ele temia, mas conseguiria se controlar?
Em seu quarto, Sara retirou a toalha que cobria seu corpo, então começou a colocar a roupa que ele havia emprestado, ficou comprida demais, mas pelo menos estava vestida, vestida com a roupa dele, o cheiro dele, Sara sentou-se na cama e riu, em seguida tocou seus lábios, ainda podia sentir os dele ali, ela suspirou, havia sido seu primeiro beijo de verdade.
– ai Deus, ele me beijou…e foi bom, o que faço agora? o que ele quer com isso? – ela se perguntou, então o mais óbvio lhe surgiu a mente. – eu estou aqui pra gerar o herdeiro, ele só…só quer me levar pra cama. – ela disse a si mesma, e mais uma vez suspirou, ainda sim não tirava o fato daquele beijo ter sido delicioso.
Tyler estava em seu escritório, mais alegre do que o costume, quando Patrick entrou ali, assim que passou pela porta ele pôde ver aquele sorriso, até o ambiente parecia diferente, como se Tyler estivesse exalando uma energia diferente.
– bom dia, como está? – Tyler perguntou.
– bom dia, estou bem, não tanto como você, mas estou, o que houve de tão bom pra esse sorriso aí? por que geralmente só Julie ganha ele.
– ah, não foi nada demais, só estou de bom humor, e então, investigou o que pedi?
– sim, os pais da Sara estão loucos procurando o desgraçado, mas não encontram nada, imagino que em breve vão contatar você em busca de informações.
– perfeito.

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