Ao chegar em casa naquele dia, Tyler correu para seu quarto, assim lágrimas caiam por seu rosto, sentia uma dor intensa no peito, no corpo inteiro, estava tomado de revolta e descontrole, ao entrar, saiu quebrando tudo que viu pela frente, o espelho, a cômoda, o abajur, os lençóis da cama, os puxou para atirá-los no chão, até tentou os rasgar, nas então sentiu o cheiro dela, o que o fez cair em um limbo.
– Sara, por que fez isso? – ele perguntou a si mesmo, queria de toda forma encontrar motivos para justificar, mas estava tão abalado que não encontrava e aquilo só o deixava mais transtornado.
Era madrugada, Sara acordou ao escutar vozes próximas, ela abriu os olhos em silêncio, então pôde ver o médico que havia atendido ela junto a uma mulher.
– senhor Conor, precisamos que alguém se responsabilize pelo pagamento, o marido dela foi embora sem assinar os papéis e não apareceu mais, nem mesmo atendeu as ligações. – disse ela, era a assistente social do hospital.
– espere um pouco mais, talvez pela manhã ele volte, ele estava alterado. – disse ele tentando controlar a situação.
– imagino, pela situação que me contou, mas já esperei demais, a diretoria está cobrando, não posso fazer mais nada, se ninguém se responsabilizar, terei de encerrar a estadia e encaminhá-la para um hospital público para que dê continuidade ao tratamento. – o médico sem poder fazer nada, assentiu com a cabeça, ao olhar para Sara, a viu acordada, já chorando em silêncio.
– ele…ele não voltou mais? – ela perguntou com a voz falha e carregada de dor.
– não. – disse o médico se aproximando. – Sara, você pode pagar pelo tratamento? – ele perguntou esperançoso, o caso era delicado, estava fraca demais, havia tido uma hemorragia uterina bem intensa, e iria precisar passar por uma transfusão, uma transferência para outro hospital naquele instante poderia agravar ainda mais a situação, Sara por sua vez, balançou a cabeça em negação.
– você tem alguém que possa lhe ajudar nesse momento? – a assistente social perguntou, Sara mais uma vez balançou a cabeça em negação, mas então parou, lembrando-se de alguém.
– Lorence…– ela disse em um som quase inaudível.
– quem é Lorence? – ela perguntou.
– minha amiga.
– sabe o número dela?
– acho que sim.
– tudo bem, fique calma, vamos tentar entrar em contato com ela. – a assistente social pegou seu celular, Sara pensou um pouco e um por um disse os números, não tinha certeza se estavam corretos, mesmo assim tentou. – está chamando. – disse a moça, mas de primeira a ligação caiu, depois ela ligou mais uma vez, e desta vez foi atendida.
– alô, quem fala? – perguntou uma voz masculina do outro lado da linha.
– me chamo Lilian, sou assistente social do hospital Careggi, Lorence se encontra? – Lilian perguntou esperançosa.
– sim, mas está dormindo, do que se trata?
– você é parente de Lorence?
– me chamo Patrick, sou marido. – disse ele, mesmo que já não fossem mais casados, ele nunca deixou de pensar que Lorence era sua esposa.
– senhor Patrick, creio que conheça Sara?
– sim, o que houve? – ele perguntou preocupado.
– Sara está internada aqui, o caso é grave.
– oh Deus, onde ela está, posso falar com ela? – ele perguntou preocupado.
– vou passar pra ela. – Lilian assim fez passou o telefone para Sara.
– Sara, o que aconteceu, onde está Tyler? – ele perguntou temendo que tivesse acontecido algo com ele também, afinal desde o início da noite Patrick havia tentado entrar em contato com ele, mas sem sucesso.
– ele me abandonou Patrick. – ela disse em lágrimas, um silêncio se deu, mas logo Patrick tornou a falar.
– Sara, o que houve? Por que ele fez isso? – ele perguntou, mas Sara não conseguia mais responder, suas mãos falharam, ela quase deixou o celular cair, Connor a amparou e Lilian pegou o celular.
– senhor Patrick, ainda está na linha?
– sim…estou aqui.
– o que acontece é que, Sara foi deixada aqui pelo marido, ele não voltou mais e nem atendeu as ligações, a situação é complicada, Sara está muito debilitada e precisará de uma transfusão de sangue, mas não foi autorizado pela direção do hospital pois não há quem se responsabilize pelos pagamentos.
– eu irei me responsabilizar. – ele disse firme.
– o senhor poderia vir aqui?
– irei conversar com minha esposa, contar a ela do ocorrido, Sara precisa de apoio, mas não podemos sair os dois juntos a essa hora da madrugada, temos uma filha pequena, mas posso passar todos os meus dados e fazer o depósito no valor que seja necessário.
– perfeito.
Após a conversa, Lilian encerrou a ligação, então se aproximou de Connor, olhou Sara com certo pesar e perguntou.
– ela dormiu de novo?
– desmaiou, está debilitada demais, pobre moça, espero que essa amiga cuide bem dela.
Patrick caminhou até o quarto, Lorence dormia tranquila, totalmente alheia ao sofrimento que a amiga estava passando, ele sentou ao lado dela e lhe acariciou o rosto.
– Patrick, já é manhã? – ela perguntou.
– não, são quatro da madrugada, preciso te contar uma coisa.

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