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A escolhida para gerar o herdeiro do mafioso romance Capítulo 55

Ao chegar em casa naquele dia, Tyler correu para seu quarto, assim lágrimas caiam por seu rosto, sentia uma dor intensa no peito, no corpo inteiro, estava tomado de revolta e descontrole, ao entrar, saiu quebrando tudo que viu pela frente, o espelho, a cômoda, o abajur, os lençóis da cama, os puxou para atirá-los no chão, até tentou os rasgar, nas então sentiu o cheiro dela, o que o fez cair em um limbo.

– Sara, por que fez isso? – ele perguntou a si mesmo, queria de toda forma encontrar motivos para justificar, mas estava tão abalado que não encontrava e aquilo só o deixava mais transtornado.

Era madrugada, Sara acordou ao escutar vozes próximas, ela abriu os olhos em silêncio, então pôde ver o médico que havia atendido ela junto a uma mulher.

– senhor Conor, precisamos que alguém se responsabilize pelo pagamento, o marido dela foi embora sem assinar os papéis e não apareceu mais, nem mesmo atendeu as ligações. – disse ela, era a assistente social do hospital.

– espere um pouco mais, talvez pela manhã ele volte, ele estava alterado. – disse ele tentando controlar a situação.

– imagino, pela situação que me contou, mas já esperei demais, a diretoria está cobrando, não posso fazer mais nada, se ninguém se responsabilizar, terei de encerrar a estadia e encaminhá-la para um hospital público para que dê continuidade ao tratamento. – o médico sem poder fazer nada, assentiu com a cabeça, ao olhar para Sara, a viu acordada, já chorando em silêncio.

– ele…ele não voltou mais? – ela perguntou com a voz falha e carregada de dor.

– não. – disse o médico se aproximando. – Sara, você pode pagar pelo tratamento? – ele perguntou esperançoso, o caso era delicado, estava fraca demais, havia tido uma hemorragia uterina bem intensa, e iria precisar passar por uma transfusão, uma transferência para outro hospital naquele instante poderia agravar ainda mais a situação, Sara por sua vez, balançou a cabeça em negação.

– você tem alguém que possa lhe ajudar nesse momento? – a assistente social perguntou, Sara mais uma vez balançou a cabeça em negação, mas então parou, lembrando-se de alguém.

– Lorence…– ela disse em um som quase inaudível.

– quem é Lorence? – ela perguntou.

– minha amiga.

– sabe o número dela?

– acho que sim.

– tudo bem, fique calma, vamos tentar entrar em contato com ela. – a assistente social pegou seu celular, Sara pensou um pouco e um por um disse os números, não tinha certeza se estavam corretos, mesmo assim tentou. – está chamando. – disse a moça, mas de primeira a ligação caiu, depois ela ligou mais uma vez, e desta vez foi atendida.

– alô, quem fala? – perguntou uma voz masculina do outro lado da linha.

– me chamo Lilian, sou assistente social do hospital Careggi, Lorence se encontra? – Lilian perguntou esperançosa.

– sim, mas está dormindo, do que se trata?

– você é parente de Lorence?

– me chamo Patrick, sou marido. – disse ele, mesmo que já não fossem mais casados, ele nunca deixou de pensar que Lorence era sua esposa.

– senhor Patrick, creio que conheça Sara?

– sim, o que houve? – ele perguntou preocupado.

– Sara está internada aqui, o caso é grave.

– oh Deus, onde ela está, posso falar com ela? – ele perguntou preocupado.

– vou passar pra ela. – Lilian assim fez passou o telefone para Sara.

– Sara, o que aconteceu, onde está Tyler? – ele perguntou temendo que tivesse acontecido algo com ele também, afinal desde o início da noite Patrick havia tentado entrar em contato com ele, mas sem sucesso.

– ele me abandonou Patrick. – ela disse em lágrimas, um silêncio se deu, mas logo Patrick tornou a falar.

– Sara, o que houve? Por que ele fez isso? – ele perguntou, mas Sara não conseguia mais responder, suas mãos falharam, ela quase deixou o celular cair, Connor a amparou e Lilian pegou o celular.

– senhor Patrick, ainda está na linha?

– sim…estou aqui.

– o que acontece é que, Sara foi deixada aqui pelo marido, ele não voltou mais e nem atendeu as ligações, a situação é complicada, Sara está muito debilitada e precisará de uma transfusão de sangue, mas não foi autorizado pela direção do hospital pois não há quem se responsabilize pelos pagamentos.

– eu irei me responsabilizar. – ele disse firme.

– o senhor poderia vir aqui?

– irei conversar com minha esposa, contar a ela do ocorrido, Sara precisa de apoio, mas não podemos sair os dois juntos a essa hora da madrugada, temos uma filha pequena, mas posso passar todos os meus dados e fazer o depósito no valor que seja necessário.

– perfeito.

Após a conversa, Lilian encerrou a ligação, então se aproximou de Connor, olhou Sara com certo pesar e perguntou.

– ela dormiu de novo?

– desmaiou, está debilitada demais, pobre moça, espero que essa amiga cuide bem dela.

Patrick caminhou até o quarto, Lorence dormia tranquila, totalmente alheia ao sofrimento que a amiga estava passando, ele sentou ao lado dela e lhe acariciou o rosto.

– Patrick, já é manhã? – ela perguntou.

– não, são quatro da madrugada, preciso te contar uma coisa.

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