A brisa gélida da noite a invadiu, fazendo-a tremer de frio. Beatriz apertou o passo para entrar no hospital, indo fazer companhia a sua mãe.
Arthur havia lhe mostrado a aliança e pedido que ela voltasse a ser a senhora Diniz, mas uma senhora Diniz que viveria nas sombras.
Seria apenas um anel e uma certidão de casamento suficientes para acorrentá-la pelo resto da vida?
Ela não queria mais continuar vivendo uma vida de casada tão sufocante.
Apenas depois que a condição da sua mãe se estabilizasse, ela teria ânimo para discutir sobre o divórcio com Arthur novamente.
Depois de desligar o telefone, Arthur sentou-se em seu carro, virou o rosto e olhou pelo vidro semiaberto. Ele fixou o olhar nas costas frias e solitárias daquela pequena mulher caminhando na noite, com uma profundidade impenetrável em seus olhos.
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No dia seguinte.
Beatriz observou sua mãe ser levada para a sala de cirurgia.
Para a sua surpresa, Felipe Valente havia aparecido.
O homem sentou-se nos bancos do corredor da área cirúrgica, cruzou as pernas e a encarou com um leve sorriso no rosto:
— Daniel teve um compromisso com a noiva hoje e não conseguiu se liberar. Ele me pediu para vir aqui e fazer companhia para você.
Beatriz apertou os lábios:
— Não precisa desse incômodo, eu consigo me virar sozinha.
Felipe olhou para ela, ficou em silêncio por alguns segundos, e então deu um sorriso e disse:
— Eu acabei de voltar para o país, não tenho muito o que fazer. Nós dois já nos encontramos algumas vezes. Será que a senhorita Beatriz não me considera um amigo?
A lógica e o raciocínio de um advogado eram impecáveis, e Beatriz não tinha como rebater. Ele já a havia ajudado várias vezes. Se ela tentasse mandá-lo embora agora, só pareceria indelicada.
Tentar argumentar com ele só a faria perder a discussão.
No final, ela não recusou mais a sua presença.
Ter Felipe Valente como amigo só lhe trazia vantagens, sem nenhum prejuízo.
Mesmo que no final ele se recusasse a pegar o caso do seu divórcio, ela ainda poderia lhe pedir muitos conselhos.
Ela olhou para Felipe Valente:
— Sr. Valente é um homem inteligente. Deve saber que estou fazendo amizade com você porque há interesses em jogo.
— Sim. — Felipe respondeu francamente. — Mas, se eu não quisesse, acha que alguém conseguiria tirar vantagem de mim?
Beatriz deu um leve sorriso e, olhando para ele, disse:

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