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A Esposa Muda do CEO romance Capítulo 106

Lucila

De mãos dadas com Olavo, Lucila caminhava pelo shopping em busca de algo que fizesse o garoto esquecer o que houve na escola. Ela já tinha conversado com ele, e pensou ter resolvido tudo, mas a insegurança do menino o deixava suscetível às situações em que ele se sentia triste e vulnerável.

O colégio São Colombo se comprometeu em resolver a questão com os pais das crianças envolvidas, mas isso não mudava o fato de que Olavo foi humilhado e perseguido por suas origens desconhecidas.

Crianças mal orientadas podiam ser cruéis as vezes. E os colegas que o agrediram verbalmente por ele não ser filho de ninguém, muito menos alguém importante como os pais deles, fizeram um enorme estrago no coração e no humor do garoto. Que mesmo já tendo dominado as libras totalmente, preferia o silêncio.

Ela o levou até uma lanchonete e pediu pelo celular uma porção de batatas fritas, uma das coisas preferidas dele.

“O que você acha de conversar um pouco, enquanto a comida é preparada?” ela sugeriu com gestos mais lentos.

Olavo olhou para ela com aqueles lindos olhos verdes acinzentados, repletos de mágoa. Lucila até se esqueceu de respeitar o espaço pessoal do menino, o que ele precisava era de amor, de carinho e calor, e ela o abraçou amparando a cabeça dele em seu peito.

O diretor disse que Olavo foi realocado de sala essa semana, ele era um prodígio, portanto pulou uma séria, e a nova turma, mais velha e mais entrosada o viu como um órfão que serviria de bode expiatório. Mas Lucila não deixaria isso acontecer. De jeito nenhum.

- Se eu fosse filho de vocês, eles não diriam aquelas coisas. – ele disse com tanta tristeza que Lucila sentiu os olhos arderem.

Ela não disse a ele que estavam o adotando, foi aconselhada por uma psicóloga da vara de família a não gerar expectativas em Olavo. Mas não poderia mais esconder esse fato diante dessa situação, ela queria que ele se sentisse parte da família que estavam construindo, queria que soubesse que era desejado entre eles, que era amado.

Afastando ele suavemente, ela limpou uma lágrima solitária no canto de seus olhos, e sorriu carinhosamente.

“Nós pretendemos contar a você depois que tudo estivesse encaminhado, mas acredito que esse é momento certo, principalmente agora com esse novo cenário na escola.” Lucila comentou.

Olavo prendeu a respiração, seu rostinho estava quase tão pálido quanto a camisa branca do uniforme que ele usava.

- O que, Lucy? O que você vai me falar? – ele perguntou ansioso, fungando.

“Começamos um processo de adoção, Olavo. E se tudo der certo, logo você será legalmente nosso filho.”

- Você já é a minha mãe.... – ele disse, desviando o olhar, e ruborizando de um jeito encantador. – Quando penso em você e te vejo sorrir para mim.... eu só quero dizer o quanto... te amo, mamãe.

As palavras dele ecoaram como um sussurro divino no coração de Lucila, e por um instante, o mundo ao redor silenciou. Seus olhos se arregalaram, úmidos, como se cada palavra dita por aquela voz infantil tivesse rompido as barreiras do tempo, da dor e da ausência que um dia existiram em sua alma.

O menino que ela acolheu com todo o carinho e cuidado, agora a chamava de MAMÃE com uma ternura tão sincera, tão desarmada, que ela sentiu o peito se encher de uma emoção avassaladora, uma mistura de amor puro, surpresa, e uma gratidão inexplicável por ter sido escolhida, por ter sido vista, por ser amada daquele jeito tão inocente e absoluto.

Lucila levou a mão à boca, tentando conter o soluço que ameaçava escapar. Sentia os batimentos do próprio coração como sinos celebrando aquele momento único.

Ajoelhou-se à altura dele, segurando com delicadeza o rostinho corado, e sorriu com os olhos marejados. Não havia palavras suficientes para retribuir o que ouviu, apenas aquele calor inundando seu peito, aquele amor que transbordava por cada gesto, cada olhar.

Com os dedos trêmulos, ela sinalizou lentamente, com um nó na garganta e lágrimas escorrendo.

“Você me deu o maior presente que alguém poderia me dar... Eu também te amo, Olavo. Em meu coração, você já é o meu filho.”

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