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A Esposa Muda do CEO romance Capítulo 108

Vitório

- Tem muitos cavalos lá? – Olavo perguntava animadamente.

Ao saber que iriam para a fazenda, ele praticamente entrou em êxtase. Chegando da casa de Ícaro, eles foram para o quarto do garoto arrumar as malas porque sairiam bem cedo no dia seguinte. O avião particular os levaria até Corumbá no estado do Mato Grosso do Sul e depois seguiriam viagem de carro até a fazenda El Dourado, quase na fronteira com a Bolívia.

A fazenda foi comprada pelo de Vitório, quando ele finalmente conseguiu algum descanso da busca incansável por fazer o nome do império Darius.

- Sim, tem muitos cavalos, também tem gado e algumas lhamas.

- Sério? – ele perguntou com os olhos tão abertos, que Vitório se preocupou com o dano que aquilo poderia fazer.

Sentado na cama ao lado de seu filho, ele o ajudava a arrumar a mala, enquanto Lucila pegava as coisas que Olavo iria precisar no armário.

Ela estava muito calada desde que voltou do estúdio de Amélia, e parecia introspectiva. Enquanto voltavam para casa, ele a observou mudar de expressão várias vezes quando explicou sobre a viagem a El Dourado. Tensa, corada, nervosa... tudo isso passou por seu rosto, mas ela não formulou uma frase a respeito. Só se preocupou com o fato de não saberem se as vacinas de Olavo estavam atualizadas, afinal, estavam indo para outro estado onde ele poderia ter contato com algo que o deixasse doente.

A tranquilizando, ele perguntou se estava animada para esse feriado prolongado. O propósito da viagem era a diversão e a aproximação com Olavo, mas também queria fazer sua esposa se sentir relaxada e feliz em sua companhia, não só dentro do quarto.

Era muito cedo para que ela o amasse, mas acreditava que ela já gostava dele de alguma forma, cultivar esse bem querer e fazer ela ver o quanto a amava, se tornou mais um objetivo nessa viagem.

- Sim, mas cuidado, elas adoram cuspir nas pessoas.

Olavo se dobrou de tanto rir. Vitório passou o braço por seus ombros e o trouxe para perto, fazendo cócegas em suas costelas.

- Você gosta desse tipo de trapalhada, né? – ele perguntou, bagunçando o cabelo de seu filho. – Quero ver se uma delas molhar tudo essa sua carinha de arteiro.

Na bagunça com Olavo, Vitório viu Lucila sorrir discretamente. Ela deixou um par de tênis do lado da mala, e estava se virando para sair, quando ele a segurou pelo pulso.

- Onde você vai? – perguntou diretamente.

Precisava saber porque ela estava tão quieta. Foi algo que ele fez? Talvez Amélia tenha revelado algo sobre o clube de BDSM que os Darius tinham, e ele próprio frequentava até pouco tempo atrás. Não pediu que ninguém ocultasse isso dela, mas esperava que suas cunhadas não comentassem algo desse tipo com sua esposa. Lucila era muito sensível e inocente, e poderia pensar que ele ia para o clube para transar com as mulheres que o frequentavam. O que não era verdade.

Lucila parou, encontrando os olhos dele. Havia alguma coisa ali na profundidade daquele mar cálido, algo realmente intrigante.

- Vitório. – Olavo chamou.

Ambos se voltaram para o garoto em seus braços. Ele apertava os próprios dedos, e seus ombros se encolheram consideravelmente, deixando evidente que estava acanhado ou com medo da reação deles com o que queria dizer.

A palavra “pai” soou mais poderosa do que qualquer título que já ostentou em sua vida inteira. Era um chamado, uma âncora emocional que atravessava os anos de silêncio, as escolhas erradas, os muros que construiu para afugentar a todos.

O peito dele se inflou com um orgulho que beirava o sagrado, como se enfim houvesse recebido a validação que nunca ousou pedir. Não era sobre biologia. Era sobre honra, sobre legado, sobre pertencimento. Seu sangue não precisava ser reconhecido, mas ser visto como PAI de verdade por aquele menino... era como ver a vida lhe concedendo uma redenção silenciosa.

Olavo sabia que era seu filho, e portanto tinha o poder de escolha, se queria ou não ter um pai como ele. A masculinidade rígida que carregava como armadura tremulou, mas Vitório a segurou firme, mantendo os músculos do rosto intactos, como se nada demais tivesse acontecido. Entretanto seu peito retumbava como um tambor tribal.

Apertou o abraço em volta do pequeno corpo com um cuidado quase reverente, como se, naquele gesto contido, dissesse tudo o que não ousava pronunciar. Os olhos fixos à parede à frente, para não deixar escapar qualquer sinal de como estava sendo consumido por dentro.

Sua mão grande repousou sobre a nuca do menino, e ali ficou, firme, como um selo de aceitação silenciosa.

- Claro que pode, Olavo. Estou honrado por isso. - murmurou baixo, a voz rouca, mas precisa.

E naquele instante, Vitório soube havia alguém no mundo que o enxergava não como CEO frio e calculista que ele construiu, nem como um Darius do imponente império, nem como homem arruinado do passado, mas apenas como aquilo que ele mais desejava ser, sem saber... o pai de Olavo.

Uma mão quente e pequena pousou suavemente em seu ombro, o afagando com uma ternura reconfortante, enquanto sentia a umidade em seu peito, onde o rosto de seu filho estava afundado, chorando baixinho.

O toque de Lucila o fez se sentir completo naquele momento único, e ele a puxou para se sentar ao seu lado, trazendo seu corpo para aquele abraço que para ele era ápice de tudo o que desejou.

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