- Espere um minuto, vou verificar se não tem nenhum animal por perto e se a casa está habitável.
Ele disse, assim que estacionaram na grama vicejante que ladeava a casa pequena que parecia ser rústica e resistente. Havia uma pequena varanda na frente, e ela observou Vitório sumir nas sombras até a porta.
O equívoco que os levou até ali poderia ser uma benção. Seu marido parecia ter uma forte conexão com esse lugar tão simples e isolado, e era ali que ela poderia ter a oportunidade de conhecê-lo de verdade em todos os sentidos.
Quando ele voltou, e abriu a porta do lado dela, o cheiro de terra molhada, água fresca e vegetação, atingiu suas narinas com a rajada da brisa da noite. O som de água corrente era como um cântico suave e constante, se misturando ao piar das corujas e ricochetear de sapos no lago.
Tudo era tão intenso e vibrante, naquele silêncio em que só existia só eles dois sob a lua.
Vitório a abraçou pela cintura, e a colocou no chão suavemente.
- Eles cuidaram bem do lugar na ausência dos donos. – ele disse sem soltá-la, prendendo seu olhar ao dele. – Tenho que acender uma fogueira para assustar as onças e lobos do mato, temos bastante lenha aqui fora e lá dentro. Vou te deixar lá dentro com as nossas malas, assim que terminar aqui fora eu já entro, tudo bem?
Lucila não queria se afastar de Vitório, havia algo no ar, nos olhos dele brilhando poderosamente fixos nos dela como se abrisse sua alma para ela. Temia que se ele saísse de perto dele, não pudesse perder essa ligação inesperada.
Mas ele cumpriu o que disse.
A luz das chamas da enorme fogueira lá fora iluminou a janela da sala, e Lucila ficou ali hipnotizada o observando caminhar na direção da porta, seu corpo alto e forte recortado pela luz alaranjada.
Entrando na casa, Vitório se aproximou e tirou a bolsa dela de suas mãos, a jogando sobre o pequeno sofá. Lá dentro reinava a penumbra completa, e cada toque ausente de visão perfeita, era mais vibrante e cheio de uma sensibilidade inexplicável.
- Preciso ligar o gerador de eletricidade, mas confesso que a cada momento que tenho que me afastar de você, sinto que vou enlouquecer, princesa.
“Então não vai.” – ela respondeu, se esticando para beijar levemente a boca dele.
- Não posso te deixar nesse breu, e sem água quente. – ele respondeu, com um suspiro que fez seu peito subir e descer consideravelmente. – Eu já volto, a caixa de transmissão fica na saída dos fundos da cozinha. Se sente aqui por um instante.
Ele a acomodou no sofá confortavelmente, que parecia forrado por uma espécie de manta trabalhada.
O braço dele a envolveu, seus olhos fixos nos dela sem ocultar seu desejo puro, bruto e simples.
“Então faça comigo o que você realmente QUER fazer. Eu quero que faça amor comigo sem reservas, sem pensar, sem controle.”
Vitório desviou o olhar por um instante, e hesitou, afrouxando seu abraço.
- Não gosta de como faço amor com você? – perguntou, voltou a buscar seus olhos, acariciando o rosto dela com as costas das mãos, que cheirava a cedro.
“Eu adoro. – ela respondeu sincera, deixando que ele visse seus sentimentos, sua entrega, seu desejo. – Mas eu quero mais. Quero aquilo que você vem contendo. Quero tudo o que se esconde por baixo daquele olhar dominante e poderoso que vislumbrei algumas vezes. Eu quero ser sua de todas as formas que você me deseja, eu quero ter você como você realmente é, Vitório.”
O tom prateado de seus olhos começaram a mudar, suas pupilas navegavam pelo rosto dela, o cinza aço tomou a íris cintilante. A mão áspera e enorme agarraram as correntes delicadas que prendiam a parte de trás do biquíni, e com um simples puxão, os elos se partiram e a peça foi jogada para longe, desnudando seus seios.
- Você não tem noção do que está pedindo, querida. – um sorriso malicioso, provocador e cheio de.... um desejo devastador, condensando o ar ao redor deles em tensão sexual. Esse não era o mesmo Vitório com quem ela fez amor antes, esses olhos, essa expressão, era uma presença totalmente dominante que emanava sensualidade e poder. – Mas não consigo parar agora, nem se você me pedir, minha deliciosa coelhinha!

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