POV
Lucy
O cheiro delicioso de algo sendo preparado chegou às minhas narinas, antes da percepção de qualquer outra coisa.
A luz forte do sol ofuscou meus olhos que se abriram com certa dificuldade, as cortinas florais eram simples e florais, e pouco cobriam da claridade. E nesse lugar, acho que era esse mesmo o intuito.
Um sorriso bobo cruzou os meus lábios quando as lembranças da noite anterior passaram como um filme na minha cabeça. Abracei meu corpo dolorido com uma mistura de bem-querer e nostalgia.
Eu nunca poderia ter imaginado algo como o que Vitório me mostrou na noite passada. As sensações ainda refletiam em minha pele, a intensidade da paixão, do desejo, ficariam gravadas em mim para sempre.
Vitório...
Toquei meus lábios, como se ele ainda estivesse ali, os devorando avidamente.
Ele era um homem completamente diferente de tudo que imaginei.
Vitório é fogo e desejo, carinho e eloquência, tudo unido, tudo de uma vez. Não há separação, não há hesitação nele, ou qualquer receio. Ele sabe exatamente como fazer meu corpo responder totalmente ao que sinto, com o máximo de intensidade.
E pensar que ele estava escondendo essa sua natureza tão potente....tão dominante e exigente...
Me apoiei nos cotovelos me sentando na cama simples forrada com um lençol de algodão. Uma espiada por baixo do cobertor que me cobria me surpreendeu. Pensei que estaria com hematomas horríveis da corda, mas as marcas que proclamavam a posse do meu corpo, eram somente das mãos enormes do homem que roubou meu coração.
Como era possível que não tivesse marcas do shibari?
Me perguntei.
Procurando por qualquer vestígio, me movi na cama, e foi então que senti o líquido quente se derramar de dentro de mim. Desconcertada, dobrei meus joelhos, e o calor atingiu meu rosto quando percebi que era uma grande quantidade sêmem espesso.
Fechei as pernas, e minha nuca arrepiou quando me lembrei do que ele me disse ontem “Vou te encher tanto essa noite, que você vai ficar vazando por uma semana!”
Oh meu Deus! Pensei chocada.
Isso também era verdade?!
Meu corpo estava limpo e cheirava ao sabonete natural e ao perfume de Vitório. Então tudo devia ter saído quando ele me lavou, não?
O sol forte ofuscou meus olhos, quando levantei a cabeça ao ver a porta se abrir.
A silhueta enorme e forte cruzou a moldura da porta. Seus gestos tranquilos, fecharam mais as cortinas, e o vi se aproximar com um sorriso relaxado que eu ainda não conhecia.
Fechei as pernas, e puxei o cobertor. De repente me senti envergonhada em estar assim... na frente dele. Sei que não era lógico, mas eu queria estar linda, perfumada e desejável para ele.
- Boa tarde, minha linda coelhinha. – ele disse, se sentando na beirada da cama.
Vitório vestia só uma cueca azul marinho, e como sempre eu me sentia fraca perto dele despido assim. O sorriso continuava lá, e eu desejei fazer essa expressão tão bonita durar a vida toda.
“Bom dia...meu lobo mau.” Ousei, brincando. Percebi que ele gostava de provocações e apelidos íntimos como esses, e eu também achava maravilhoso que tivéssemos algo assim, só nosso.
- Nossa, que saudação mais sexy. – ele disse se inclinando, e me beijando no rosto.
Esse cuidado, esse jeito de me olhar, com essa mistura de preocupação e profundidade em seus olhos cinza esverdeados; tudo isso era alimentava meu coração que esteve solitário e machucado por tanto tempo.
Sorri para ele, pensando no que ele faria se soubesse o quanto eu o amo e como eu anseio por mais de nós dois, por conhecer tudo o que ele sabe, por me aprofundar mais e mais em Vitório.
“Estou bem, só um pouquinho dolorida.” Respondi, deixando transparecer em meus olhos o que eu sinto. “Vai me ensinar mais sobre o shibari?”
Ele sorriu divertido.
- Não só isso, mas muitas outras práticas interessantes que aumentam o prazer. – ele respondeu, desenhando em meus ombros, em meus braços. – Mas agora você precisa repor suas energias, desmaiou em meus braços de exaustão antes do amanhecer.
“Acho que preciso praticar mais, para adquirir resistência.”
Ele massageou meus seios marcados por sua boca, olhando para mim com uma perversão brincando em sua íris inigualável.
- Gosto de como você pensa, princesa. Vai se tornar uma aluna nota dez!
E assim, ele me carregou para o banheiro, onde tomamos um banho íntimo, erótico, nos beijando, e nos conectando cada vez mais. Depois, nos sentamos à mesa de madeira rústica e ele me serviu um prato cheio de um tipo de ensopado de carne, cenoura e batatas, que eu devorei de tanta fome que sentia.
Logo que comemos, o vi remexer em minha mala e voltar com uma camiseta regata branca e um short curto preto de tecido leve.
“Sem calcinha e sutiã? Para onde vai me levar sem roupas íntimas, e vestido só com essa cueca?”
Arqueando a sobrancelha esquerda, ele sorriu desafiador.
- Você já vai ver!

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