Lucila
Lucila sentiu os joelhos cederem, como se o som daquelas três pequenas palavras dele tivessem arrancado o chão sob seus pés. O quarto pareceu girar de forma lenta, quase surreal, e se não fosse pelos braços fortes de Vitório envolvendo-a naquele instante, ela teria caído como uma folha arrancada de uma árvore pelo vento.
Seu corpo, que tantas vezes se fechou para suportar a dor, agora parecia incapaz de se sustentar diante daquela revelação.
O som da voz dele carregada de uma poderosa sinceridade, sem hesitação, ecoava em sua mente como uma sinfonia impossível, tão bonita que doía.
Ele a amava.
Não como um homem diz por hábito ou por gentileza, mas com a ferocidade crua de quem sente a necessidade desse sentimento forte e inabalável. A profundidade de seu tom de voz, a urgência, e a necessidade de falar tudo pelo qual seu coração pulsa.
“Vitória me ama...” pensou.
Os olhos de Lucila transbordaram antes mesmo que ela pudesse respirar fundo. As lágrimas quentes queimavam suas bochechas frias, caindo como se rompessem uma represa construída ao longo de toda uma vida.
Sua descrença era evidente; as pupilas dilatadas, presas no rosto dele, buscavam um sinal de que aquilo não era um delírio, de que não estava sonhando com o impossível.
Vitório não desviou o olhar. Pelo contrário, se aproximou ainda mais, mantendo-a segura contra seu peito, a carregou em seus braços, e a colocou sentada em seu colo, como se não permitisse que a distância física desse espaço para a dúvida.
A intensidade do calor dele a envolvia inteira, ocupando todos os espaços vazios que ela acreditava serem permanentes. Seu coração pulsava vivaz, cheio de amor, como se nunca tivesse atravessado esse longo inverno, dentro dela tudo era cálido, e as flores dos seus sentimentos finalmente desabrocharam.


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