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A Esposa Muda do CEO romance Capítulo 127

O coração se apertou conforme a caminhonete potente avançava, cada vez para mais longe de El Corazón del Cielo. Olhando pelo espelho retrovisor, Lucila sentiu lágrimas arderem em seus olhos.

Naquele lugar, escondido do mundo, no meio do nada, ela se libertou de seus grilhões, sentiu Vitório de verdade e ainda descobriu que seus sentimentos de longa data eram correspondidos.

Esse refúgio quase na fronteira, sempre seria especial para ela.

- Vamos voltar mais cedo do que pensa. – ele chamou sua atenção, notando seu apego e olhar nostálgico. – Não fique triste, princesa.

Fungando para conter as lágrimas, se voltou para as mãos deles, entrelaçadas como um forte laço inquebrável sobre a perna de Vitório. Aquele simples gesto dizia muito sobre o que eram agora.

Um casal de verdade. Marido e mulher, uma ligação perfeita de corpo e alma.

Lucila inspirou devagar, a paisagem campestre banhada pelos raios do sol se descortinava a frente. À sua direita, vários cavalos corriam livres pelo campo, suas crinas ondulando ao vento, sem nenhum empecilho, e nada que poderia deter suas vontades.

Ela nunca teve essa sensação sem Vitório.

A liberdade era um luxo inalcançável para a órfã que teve a sorte de ser adotada pela família rica.

Seus pais, Amanda e Hermes eram maravilhosos. Seus corações eram tão bondosos que não conseguiam ver maldade em ninguém, e assim eles a ensinaram. Eles sempre diziam que alguém que machucava o outro, era só uma pessoa perdida, que um dia voltaria ao bom caminho se fosse perdoado e conduzido por alguém de bom caráter.

Eles nunca suspeitaram de nada. E depois de adulta, ela, nunca disse a ninguém, como Felipe mandou.

Apertando os olhos, ela virou o rosto para a janela. Não queria que Vitório visse o quanto doía pensar no passado.

Seguindo os conselhos de seus pais, ela o perdoou todas as vezes, e a cada perdão, foi se encolhendo cada vez mais, se apagando, se diminuindo para não incomodá-lo, para que ele não se sentisse incomodado com sua presença naquela mansão enorme. Mas isso de nada adiantou, porque nada que fizesse, era o suficiente para deixar Felipe satisfeito.

Ficar presa no freezer foi só o começo de sua história.

Os castigos, as disciplinas do “irmão maior” foram ficando cada vez mais rigorosas e perigosas, chegando ao ponto dela tentar fugir da mansão. Foi pega a poucas quadras do bairro nobre da família. Lucila mal podia acreditar que seu irmão estava chorando porque ela havia desaparecido.

Só depois foi entender que aquilo foi uma perfeita atuação, já que ele teve que contar aos pais deles que ela havia fugido. Além disso, Felipe tramou algo ainda mais inacreditável para justificar as marcas mais ferozes do seu último castigo porque ela ousou tocar o piano escondido.

“Não posso prometer que não vai se decepcionar... – disse, cruzando as pernas delicadamente. – “Houve inúmeros profissionais que tentaram, diziam que podiam me ajudar, mas no final, nada mudou...”

- Eu estou confiante que vai dar certo. – ele respondeu com olhar tão firme, que fez Lucila impulsivamente beijar seu rosto coberto pela barba um pouco maior que de costume. Vitório sorriu com gesto, um sorriso de tirar o fôlego. – Acho que só precisa de alguém que te ajude a quebrar as correntes que prendem a sua voz. Quando estava inconsciente, esse cenário era diferente, e sua mente gerou uma resposta natural ao que estava acontecendo. Isso é um bom sinal, querida.

O jeito que ele falava era tão firme e sincero, que ela sentiu aquela coisinha traiçoeira se manifestar em seu íntimo. Mesmo sem querer, ela acreditava em cada palavra de Vitório, porque ele era a pessoa que sempre esteve em seus pensamentos, e era ele que a viu como ninguém mais viu.

“Então eu vou tentar de novo, e de novo, até que eu possa esgotar toda e qualquer possibilidade.” Gesticulou, vendo Vitório negar com a cabeça.

- Vai tentar e vai conseguir. E eu vou estar com você em cada passo. – disse, virando a esquerda, onde um portão alto de ferro batido se erguia majestosamente.

Boquiaberta com a grandeza da sede da fazenda, Lucila nem conseguiu responder ao que ele disse.

A casa era toda de tijolos a vista, com janelas brancas amplas, ladeada por varandas largas, e caramanchões com trepadeiras floridas. A esquerda ficava dois silos altos, junto a um celeiro capaz de abrigar vários animais. A direita havia uma grande construção que certamente era usada para armazenar equipamentos e veículos usados nas terras.

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