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A Esposa Muda do CEO romance Capítulo 129

De repente, uma fatia de pão caseiro surgiu em um prato à sua frente, e ela pegou a colher de pau sem pensar duas vezes, e despejou uma generosa porção sobre a fatia de pão macia.

O cheiro delicioso alegrou seu paladar e sem cerimônia, Lucila dobrou a fatia ao meio e mordeu, sentindo a deliciosa explosão de sabor fazer ela quase chorar de prazer. Quanto mais mastigava aquela combinação simples e saborosa, mais ela queria.

Amélia a serviu mais duas vezes com o mesmo pão caseiro da fazenda. Uma senhora gentil apareceu em seguida e assumiu o fogão, e começou a preparar sanduíches.

“Isso é delicioso demais! – Lucy disse depois de terminar o terceiro lanche. “Devia ser servido em restaurantes do mais alto gabarito.” Completou limpando os lábios com um guardanapo de papel.

- Amiga... – chamou Amélia, com as sobrancelhas erguidas em surpresa. – Eu nunca te vi comer assim.

“Ah desculpe, Mel. – ela gesticulou, com uma risada tímida. – É que cheirava tão bem... e fiquei com uma vontade de comer que eu não consegui resistir...”

- Não estou dizendo isso para que se desculpe, sua boba. – ela respondeu, olhando para as mãos de Lucila, que limpava os resíduos de molho nas mãos. – Você sempre comeu tão pouco... e nunca foi muito chegada a carne...

Lucila balançou a cabeça suavemente, esfregando a nuca depois de tirar o chapéu. Em seguida se espreguiçou como uma gata sonolenta de barriga cheia. De repente o cansaço da noite em claro a atingiu com força total.

“Acho que é esse lugar. O ar é diferente, eu sinto que relaxei instantaneamente.” Respondeu docemente.

Nesse momento, Vitório as surpreendeu, entrando na cozinha, e abraçando os ombros de Lucila, beijando seu rosto carinhosamente.

- Se eu soubesse que ia gostar tanto, tinha te trazido há algumas semanas atrás, quando você queria me enxotar da nossa casa. – ele brincou.

- Ela certamente teria mudado de ideia. – gracejou Amélia, se levantando e levando o prato de Lucila até a pia. – Nossa Lucy adquiriu uma linda luminosidade em El Dourado.

“Eu me sinto iluminada. – ela brincou, se inclinando contra Vitório. – E também me sinto cansada e com sono”

- Venha descansar um pouco no quarto, depois do almoço faremos algo com o Olavo. – sugeriu Vitório, a ajudando a se levantar.

Mel os observava com um olhar encantado. Ela mais do que ninguém, sabia o que esses gestos, esse carinho de Vitório representava para Lucila. Desde que se conheceram, Mel esteve ao lado dela e a ajudou a suportar o momento em que ele pediu o divórcio e se afastou ainda mais.

Amélia dizia que se Vitório tivesse uma determinação real em se separar, ele já teria feito isso de forma irremediável. E isso, de certo modo, fez Lucy continuar acalentando o sonho de serem um casal de verdade.

E hoje.... ela podia olhar para sua amiga e compartilhar esse momento feliz. Amélia entendia e apoiava esse amor. Seu olhar de entendimento e cumplicidade com Lucila, era o bastante para que soubesse o que ela queria dizer. “Era isso o que eu sempre soube que aconteceria.”

- É impressionante como vocês são perfeitos juntos. – ela comentou, quando ele abraçou a cintura de Lucy, beijando o alto de sua cabeça. – Nunca pensei que veria o Vitório assim. Quando nos conhecemos, ele parecia a porra de robô frio, sem coração.

Os três riram.

- Ela era tão petulante que me irritava só de aparecer na minha frente. – ele comentou. – Queria que ela quebrasse a cara para aprender.

Sonhos intensos nos braços de Vitório povoaram sua mente. Sonhos de uma vida feliz ao lado dele e do filho deles. Aquele menino que aprendeu a sorrir com tanta alegria, que gostava de aprender, que admirava seu novo pai como uma criança venera um super-herói.

Passeios no parque, mais viagens como essa, campeonatos de futebol em que Olavo vibrava com a vitória, e seu pai gritava da arquibancada abraçado a ela, festejando com a mesma empolgação.

Aniversários em família, festas de natal, feriados regados a preguiça ou a muita gritaria e bagunça dos dois homens da sua vida. E numa mudança surreal, ela caminhava de mãos dadas com eles, sob as árvores floridas da primavera, com uma barriga redonda lindamente protuberante. O olhar de Vitório repleto de amor e contentamento, Olavo acariciando seu ventre, com um sorriso, pedindo que o bebê ficasse em seu quarto para que pudessem brincar juntos.

Aquela névoa iluminada pela luz dourada de seus sonhos, subitamente se dissolvia, e a cena muda violentamente.

Na penumbra de uma casa escura, ela sente algo quente molhado em seus braços, e quando olha para baixo, vê Vitório em seus braços, seu corpo inerte vertendo o líquido vermelho escuro de seu peito, onde algo está cravado até o seu coração.

O desespero paralisante, o suor frio, a sensação do sangue em suas mãos que tentam parar o sangramento . Tudo parece muito real.

- NÃO! VITÓRIO!!! – ela gritava naquele pesadelo horrível. – NÃO! Eu não posso te perder, por favor, por favor! Não!

Uma sombra silenciosa se aproxima, com mais uma lâmina brilhante empunhada em mãos enluvadas.

- Não....- as lágrimas caem, molhando o rosto pálido de Vitório em seus braços. – Por favor Felipe.... não faça isso... por favor.... Eu faço o que você quiser, por favor... só não o mate... Você pode me bater, me tocar... eu não vou gritar, eu nunca contei a ninguém... eu nunca mais toquei para ninguém... POR FAVOR FELIPE. – ela suplica descontroladamente vendo a sombra se aproximar.

Uma risada macabra surge. Mas não era a de seu irmão morto. Era a de uma mulher.

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