De repente, uma fatia de pão caseiro surgiu em um prato à sua frente, e ela pegou a colher de pau sem pensar duas vezes, e despejou uma generosa porção sobre a fatia de pão macia.
O cheiro delicioso alegrou seu paladar e sem cerimônia, Lucila dobrou a fatia ao meio e mordeu, sentindo a deliciosa explosão de sabor fazer ela quase chorar de prazer. Quanto mais mastigava aquela combinação simples e saborosa, mais ela queria.
Amélia a serviu mais duas vezes com o mesmo pão caseiro da fazenda. Uma senhora gentil apareceu em seguida e assumiu o fogão, e começou a preparar sanduíches.
“Isso é delicioso demais! – Lucy disse depois de terminar o terceiro lanche. “Devia ser servido em restaurantes do mais alto gabarito.” Completou limpando os lábios com um guardanapo de papel.
- Amiga... – chamou Amélia, com as sobrancelhas erguidas em surpresa. – Eu nunca te vi comer assim.
“Ah desculpe, Mel. – ela gesticulou, com uma risada tímida. – É que cheirava tão bem... e fiquei com uma vontade de comer que eu não consegui resistir...”
- Não estou dizendo isso para que se desculpe, sua boba. – ela respondeu, olhando para as mãos de Lucila, que limpava os resíduos de molho nas mãos. – Você sempre comeu tão pouco... e nunca foi muito chegada a carne...
Lucila balançou a cabeça suavemente, esfregando a nuca depois de tirar o chapéu. Em seguida se espreguiçou como uma gata sonolenta de barriga cheia. De repente o cansaço da noite em claro a atingiu com força total.
“Acho que é esse lugar. O ar é diferente, eu sinto que relaxei instantaneamente.” Respondeu docemente.
Nesse momento, Vitório as surpreendeu, entrando na cozinha, e abraçando os ombros de Lucila, beijando seu rosto carinhosamente.
- Se eu soubesse que ia gostar tanto, tinha te trazido há algumas semanas atrás, quando você queria me enxotar da nossa casa. – ele brincou.
- Ela certamente teria mudado de ideia. – gracejou Amélia, se levantando e levando o prato de Lucila até a pia. – Nossa Lucy adquiriu uma linda luminosidade em El Dourado.
“Eu me sinto iluminada. – ela brincou, se inclinando contra Vitório. – E também me sinto cansada e com sono”
- Venha descansar um pouco no quarto, depois do almoço faremos algo com o Olavo. – sugeriu Vitório, a ajudando a se levantar.
Mel os observava com um olhar encantado. Ela mais do que ninguém, sabia o que esses gestos, esse carinho de Vitório representava para Lucila. Desde que se conheceram, Mel esteve ao lado dela e a ajudou a suportar o momento em que ele pediu o divórcio e se afastou ainda mais.
Amélia dizia que se Vitório tivesse uma determinação real em se separar, ele já teria feito isso de forma irremediável. E isso, de certo modo, fez Lucy continuar acalentando o sonho de serem um casal de verdade.
E hoje.... ela podia olhar para sua amiga e compartilhar esse momento feliz. Amélia entendia e apoiava esse amor. Seu olhar de entendimento e cumplicidade com Lucila, era o bastante para que soubesse o que ela queria dizer. “Era isso o que eu sempre soube que aconteceria.”
- É impressionante como vocês são perfeitos juntos. – ela comentou, quando ele abraçou a cintura de Lucy, beijando o alto de sua cabeça. – Nunca pensei que veria o Vitório assim. Quando nos conhecemos, ele parecia a porra de robô frio, sem coração.
Os três riram.
- Ela era tão petulante que me irritava só de aparecer na minha frente. – ele comentou. – Queria que ela quebrasse a cara para aprender.
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