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A Esposa Muda do CEO romance Capítulo 131

Ícaro permaneceu impassível enquanto o escutou.

Quando terminou de falar, sem qualquer resquício de auto comiseração, ele verificou o celular, preocupado com sua esposa que estava sozinha no quarto.

Relatou ao seu irmão o que houve de verdade em Amsterdam, mas ainda restavam coisas a serem esclarecidas.

- Vitório... – Ícaro chamou, fazendo seus olhares se encontrarem. – Não acha que já guardou segredos por tempo demais? Você pode contar para mim, eu sei que há muito mais. – disse ele firme e seguro. – Você tem uma família agora, assim como eu, e protegê-los é primordial. Mas continuar mantendo essa merda sobre a Astrid só para você, pode se tornar um ácido corrosivo que vai destruir tudo o que você está tentando construir.

- Se está me dizendo isso, é porque já sabe de tudo. – Vitório cruzou os braços na altura do peito. De que adiantaria falar sobre sua estupidez do passado, se seu irmão já sabia sobre o quanto estava mergulhado nesse inferno até os ossos. – Não vejo motivos pra revirar isso se já está ciente.

- Não vou negar que descobri algumas coisas. – Ícaro olhou para Tay, e acenou para ele que descia de triciclo em direção a casa grande. Pulando a cerca com facilidade, ele se juntou a Vitório. – Mas há lacunas que só você pode esclarecer. É tão difícil assim você confiar no seu irmão?

- Sabe que não é questão de confiança, porra. Confio minha vida a você. Pare com esse caralho. – respondeu, sentindo seu peito se inflar dolorosamente. – Não há muito o que falar sobre aquela louca desgraçada. Eu a conheci há muitos anos, quando estava voltando para o Brasil. Tivemos um relacionamento, e eu fui estupido o suficiente para me deixar levar por suas palavras e pela porra dos meus sentimentos imaturos.

- Então... você a conheceu muito antes do que eu imaginei. – Ícaro ressaltou. – Devia ter me contado quando eu apresentei a família.

- Era o meu casamento com a Lucila! – Vitório se virou irritado, a lembrança daquele momento ainda ardia dentro dele. O ódio frio e o rancor da presença daquela vadia no dia que se tornou o mais importante de sua vida. – Que caralho você queria que eu fizesse?! Te chamasse e te dissesse que aquela puta do teu lado era minha ex-noiva psicótica que quase nos levou a ruína?!

- Você tem razão... – concluiu Ícaro, o encarando.

- Eu te disse que deveria terminar com ela! Eu te falei que ela era uma vadia, que não deveria se casar com ela!!!

Vitório mal podia conter a raiva cega que o dominava. Se virou de costas para a arena e socou a cerca de madeira grossa. Seu punho verteu sangue imediatamente, mas ele não sentia a dor, só aquela fúria cega pela consequência de ter trazido aquela mulher para a vida de todos.

Fechando os olhos por um momento, ele tentou aplacar a ira, respirando fundo.

A mão forte de Ícaro segurou seu pulso com força.

- Não faz isso, porra! – A voz dele tinha um tom ríspido e preocupado. – Nada vale esse preço, Vitório! Que caralho!

Ícaro o puxou pelo pulso, fazendo ele se voltar.

- Que tipo de reação é essa?! NÃO FOI ASSIM QUE FOMOS ENSINADOS! SE ALGUÉM TENTA TE MATAR, VOCÊ ACABA COM A VIDA DELE PRIMEIRO, CARALHO!!!

Ele não podia admitir que Ícaro estivesse retrocedendo diante daquela lei que seu pai instituiu. Não! Seu irmão tinha que revidar, ele tinha que se defender! Ícaro tinha que fazê-lo pagar por Vitório ter atentado contra sua vida. Menos do que isso, era inadmissível!

- VAMOS! – incitou irado. – REVIDE! HONRE TUDO O QUE NOSSO PAI ENSINOU! – vendo que Ícaro permanecia impassível, Vitório desferiu um soco certeiro no rosto dele. – REVIDE!

Mas ele só fungou quando o sangue escorreu, e permaneceu inabalável, olhando firme para Vitório.

- REVIDE, CARALHO! – sacudindo seu irmão com violência, ele gritou. – FAÇA AGORA! LAVE A SUA HONRA, PORRA!

Vitório sentiu a ira, a frustração e desonra o sufocar. Como Ícaro podia agir como se ele não tivesse feito nada?! Não! Ele tinha que fazê-lo reagir, merecia a punição, o ódio e a raiva de Ícaro!

Prestes a atingir seu irmão de novo, Vitório foi interrompido por um som que o paralisou.

- Papai?! – o chamado de Olavo zuniu em seus ouvidos. – Por que está batendo no tio Ícaro?

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