- O seu pai só está me ensinando um novo golpe. – Icaro tranquilizou Olavo, enquanto Vitório se recompunha lentamente. – Você tem o melhor professor de artes marciais e de MMA que poderia encontrar em toda a sua vida, Olavo.
A respiração era difícil, fechar o punho depois de soltar seu irmão, ainda ressoava pelo corpo petrificado. Vitório puxou o fôlego ruidosamente, não acreditava que seu filho havia testemunhado essa cena.
Seu punho ainda pulsava, e o nariz e a boca de Ícaro continuavam sangrando, mesmo depois que ele tentou limpá-lo.
- Papai? – chamou o menino em um tom de medo e preocupação.
Vitório se virou, mantendo a expressão mais inexpressiva possível.
- Me desculpe por ter te assustado, carinha. – se aproximou do menino que observava os dois com pavor no rosto. –Não precisa ter medo, seu tio é muito forte, ele é praticamente invencível. Eu mesmo já fui nocauteado por ele várias vezes. – Vitório se adiantou, e ajudou o filho a desmontar do cavalo, e o abraçou forte. – Mesmo assim, eu não devia ter feito isso.
Olavo passou os braços pelo pescoço dele, e encostou a cabeça em seu peito.
- Eu não gosto de sangue, papai. – ele disse num sussurro. – Fiquei com medo que você também se machucasse.
- Estou bem, meu campeão. – ele disse, saindo do circuito com seu filho ainda nos braços. Ao longe, Amélia vinha subindo, acenando, os chamando para lanchar. – O tio Ícaro e eu precisamos resolver algumas coisas rápidas nas cocheiras, mas logo vamos para casa. A mamãe estava ansiosa para te ver e te abraçar. Você pode acompanhar a tia Mel para encontrá-la e aproveite para fazer um lanche com a Maya e o Tay?
- Tudo bem, eu também estou com muitas saudades da mamãe, e a minha barriga já está roncando de fome. – Olavo respondeu, exibindo um leve sorriso antes de começar a correr. – Ah, papai! – ele chamou, se virando por um segundo. – Vai pescar e acampar com a gente hoje a noite, não é?
- É claro que vou, filho. Vamos fazer muitas coisas divertidas. – respondeu, com aceno que fez o menino sorrir ainda mais, antes de voltar a correr em direção a tia.
Quando eles desapareceram na trilha arborizada em direção a casa grande, Vitório passou a mão pelos cabelos, e se virou para seu irmão. Ícaro tinha um hematoma que já se anunciava na face, mas sorriu para ele como louco.
- Nunca te vi recolher sua raiva com tanta rapidez. – ele zombou, passando o braço, pelos ombros de Vitório e o conduzindo na direção dos fundos do galpão.
Fungando o sangue que pingava de seu nariz, ele fez uma careta, praguejando.
- Porra, você quase quebrou o meu nariz de novo.

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