Lucila
O encarando sem acreditar no que ouviu, ela segurou firme a borda do móvel da pia, temendo que aquela terrível tontura a derrubasse nesse momento crucial.
A onda de náusea atravessou seu corpo naquele momento em que se sentia totalmente perdida com intensidade feroz da raiva de Vitório. Ele estava furioso porque ela não quis falar sobre o assunto, ou porque ela o descobriu?
Lucila nunca quis tanto em sua vida, gritar! De frustração, de raiva, de indignação.
Foi ele quem escondeu coisas importantes dela, foi ele quem bancou o lobo solitário todo esse tempo fazendo esse mal crescer entre eles. Que direito ele tinha de tentar fazer ela se portar da maneira que ele esperava.
Deveria falar tudo o que sabia? Sim, deveria. Mas não queria. Por algum motivo, a racionalidade havia abandonado sua mente, e no momento tudo o que queria era fazer Vitório entender que ele não tinha mais nada para esconder.
Que ela sabia do seu segredo, e que por esse motivo precisava de tempo e espaço para processar essa situação.
Não imaginou, nem por um segundo que ele, ou quem quer que seja aquele Vitório amedrontadoramente perigoso, reagiria daquela forma. Ela não fazia ideia que ele coexistia com um lado tão sinistro e absurdamente potente. Apesar de irado, ele estava fortemente ereto, evidenciando um desejo imperativo e quase visceral.
- Mesmo que tenha nojo de mim, agora, não vou parar de te tocar. – ele disse através do espelho, se aproximando até que ela o sentisse as suas costas, segurando firmemente sua cintura. – De fazer amor com você, sempre e quando te desejar.
Lucila sentiu seu corpo se incendiar com as palavras dele. Estava em frangalhos com essa montanha russa de emoções, e mesmo assim, quando ele falava desse jeito, era como se tudo nela obedecesse aquela voz, aquele ensejo cravado em seu íntimo.
O encarando com toda a firmeza que poderia reunir, ela soltou suas mãos trêmulas, e ficou ainda mais frustrada quando seu corpo cedeu contra o dele, sem força de sustentação.
Vitório sorriu maldosamente, abraçando sua cintura.
“Não tenho nojo de você, seu troglodita! Só estou muito enjoada! – ela bufou enquanto gesticulava. – Francamente! De onde tirou essa ideia idiota de que me sinto assim com você?!”
Vitório a pressionou contra a pia, seus olhos brilhando de desejo, afundando o rosto na curva do pescoço dela, mordiscando sua pele alva. Lucila queria resistir a reação imediata, ao calor que acometida seu corpo, mas não era forte o suficiente. entretanto, uma batalha entre a necessidade de Vitório e a presença daquela mulher na vida dele, travavam uma batalha em sua mente.
Ela fechou os olhos tentando apagar as imagens que vinham a sua mente, de seu marido beijando a loira vadia, dele a segurando assim com tanta intimidade....
Uma batida na porta do quarto os interrompeu, fazendo seus olhares se encontrarem através do espelho.
- O que é? – perguntou Vitório irritado.
- Senhor, a doutora Ribas está aqui, como pediu. Devo pedir que ela suba até seus aposentos?
“Médica?” Lucila questionou furiosa.
De que médica estavam falando? Ela tinha sido clara em dizer que não queria ver nenhum médico por causa de uma indisposição estomacal. Certamente aquela receita de carne louca da cozinheira de El Dourado tinha provocado reações inesperadas em seu estômago fraco.
- Peça para ela subir. Estamos esperando. – ele respondeu, e já a pegou em seus braços, sem dar-lhe tempo para protestar.
Lucila esmurrou aquela parede de músculos que era o peito de seu marido, tentando se libertar. Mas antes que pudesse perceber, já estava na cama, Vitório a despia rapidamente, a deixando somente de roupas íntimas, para em seguida, vesti-la com um robe de seda azul que ela nem viu ele pegando.

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