A sala de exames do Hospital Santa Clara tinha uma decoração minimalista e aconchegante, apesar disso, Lucy estava inquieta em seu assento, enquanto a enfermeira coletava seu sangue.
Vitório estava ao seu lado, segurando sua mão livre, e na outra segurava a bolsa dela. Seu olhar atento, era como uma águia que esquadrinhava qualquer perigo, mas também parecia ansioso com a possibilidade que foi despejada sobre eles na noite passada.
Lucila olhou para o líquido vermelho que vertia para o pequeno frasco. Seria mesmo possível que estivesse carregando um bebê? Um fruto do que Vitório e ela compartilhavam...
Instintivamente, novas lágrimas vieram à sua mente. Como na noite passada, ela pensou nessa nova vida, no que uma criança significaria para eles. Era muito inesperado, mas se realmente estivesse grávida, ela abraçaria esse presente divino com muito amor.
A enfermeira terminou o exame, e pediu que eles aguardassem na recepção privativa logo adiante no corredor. Devido a posição de Vitório, sua influência abrange muitos lugares, e esse setor não era uma exceção. Logo eles teriam os resultados dos exames prontos, e a doutora Ribas os chamaria para relatar tudo.
- Você está muito tensa, querida. – comentou Vitório, a ajudando a se levantar. – Relaxe um pouco.
“Eu não quero relaxar. – ela respondeu avaliando a sala vazia, para ter certeza de que estavam a sós. – Nós estamos em meio a uma tempestade, Vitório. E se eu estiver mesmo grávida, o que vai acontecer quando…”
- Ei, calma. – ele segurou suas mãos olhando bem no fundo de seus olhos. – Nós seremos ótimos pais, já somos muito bons com o Olavo, e aumentar a família já estava em nossos planos.
“Estava, mas não agora. Não depois de saber sobre essa mulher!” ela respondeu, se afastando.
Lucila ajustou o blazer do terninho champanhe que usava, de repente se sentindo sufocada dentro de suas roupas que sempre lhe trouxeram conforto e confiança. O braço forte enlaçou sua cintura, fazendo seu corpo bater contra a parte intransponível de músculos rígidos.
- Você não quer conversar sobre isso, e não sei por que diabos decidiu que não precisa de mim para nada. Mas pode ter certeza, princesa. Com ou sem bebê, eu não vou deixar você fazer o que quer.
“Acontece que você não manda em mim! Eu não sou sua filha ou um de seus empregados, seu bruto!”
- Sim, sou bruto mesmo, mas você gosta de mim, e eu sou louco por você, então pare de tentar me afastar, Lucila. Ou te farei esquecer sua raiva com algo que você vai adorar como punição.
Os olhos dela saltaram das órbitas. Buscou no rosto austero e firme qualquer indício de zombaria ou divertimento, mas não havia nenhum. Ele falava sério, e por algum motivo estranho, seu corpo se arrepiou com aquela ameaça. Algo ousado e libertino queria saber de que forma seria punida, e como ela poderia fazê-lo ficar ainda mais desconfortável e com raiva.
Agradecida por aquela interrupção, Lucila assentiu com a cabeça, e rapidamente fez menção de seguir a enfermeira que surgiu na porta da sala de espera. Entretanto, Vitório segurou o seu pulso a mantendo firme no lugar, até que ele ajustou seus passos, a conduzindo pela cintura.
Era uma forma de mostrar a ela que não tinha poder sobre nada, que ele faria as coisas funcionarem como ele queria. “Seu cretino, troglodita bruto, miserável!” xingou em seus pensamentos, enquanto ele a apertava mais perto de si, sorrindo charmoso para a médica que chegou a corar com aquele maldito sorriso.
Assim que se sentaram a doutora os encarou com uma expressão de plena alegria, fitando a mão de Vitório que envolvia a dela como os tentáculos de um polvo. Certamente a mulher pensava que era um gesto romântico, mas na verdade, Lucy estava tentando soltar sua mão.
- Bem, a saúde da Sra. Darius está muito bem. Com exceção da carência de algumas vitaminas, tudo está ótimo. – o sorriso da médica se alargou. – E fico feliz em dizer que seus sintomas são causados por uma saudável gestação. Parabéns, Sr. e Sra. Darius.
O coração de Lucila disparou imediatamente, e antes que pudesse ter qualquer reação, seu corpo foi levantado da cadeira, e ela se sentiu girando nos braços de Vitório. Lágrimas de alegria distorciam sua visão embaçada do sorriso mais amplo e mais bonito que poderia existir nos lábios e nos olhos de seu marido.
- Obrigado, princesa. Obrigado por esse presente maravilhoso. Eu te amo, Lucy! – ele disse, a abraçando forte, sua boca tocou a dela. Um beijo apaixonado arrebatou Lucila, seus braços circundaram o pescoço dele, e tudo em volta deles deixou de existir, até mesmo as palminhas entusiasmadas da médica.
Eles teriam um bebê. Em seu ventre crescia um pequeno ser fruto desse amor indestrutível.

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